O Verão já chegou, ainda que a muito custo. As chuvas não ficaram de lado e muitos dias o sol esconde-se. Os lagos continuam frescos e as piscinas ainda não convidam muitos adeptos. Mas na Suíça há muito para descobrir em tempo de férias, com ou sem sol. Um pouco de cultura e um pouco de entusiasmo.

_DSC9703-15x24Para os fãs- e não só- da vida dos Hobbits, ou até mesmo do ‘Senhor dos Anéis’ há um ponto de visita. O museu Greinsinger está aberto todos os meses do ano. É preciso marcação prévia e a experiência custa 50 chf.  Bernard Greinsiger refere alguns cuidados a ter numa visita. “O museu não tem horário de funcionamento. Só se pode visitar o museu através da compra de bilhetes no website. Se é um grupo de 10 a 14 pessoas, pode-se organizar uma visita apenas para o grupo Visitas espontâneas do museu não são possíveis”, salienta. “O museu não é adequado para crianças menores de 7 anos, nem para pessoas que utilizam cadeira de rodas. O museu é uma fundação e não uma empresa para ganhar dinheiro. Foi construído para os fãs da Terra-média e Tolkien.  Um passeio que dura entre 3 a 5 horas. Então, as pessoas devem ter comido e bebido o suficiente antes de entrar no museu. Os passeios são oferecidos em alemão, francês, italiano e inglês.” acrescenta.

Têm mais visitantes no Verão. De Maio a Outubro as folhas verdes crescem na parede fora do buraco hobbit. Então, muitos turistas descobrem este mistério, enquanto estão de férias na região. 


2014_Bruno_Weber_hausParque Bruno Weber

Dietikon. Bruno Weber Parque. É um espaço ao ar livre e poucos conhecem. As crianças têm muito por descobrir e deixarem-se encantar. As estátuas coloridas preenchem o lugar. É uma fundação que homenageia o trabalho de Bruno Weber. Têm desenvolvido uma reabilitação a longo prazo e há um plano futuro para o parque. Mas para já, ninguém quer desvendar este mistério.

Ficamos agarrados ao passado. Isabelle Carte, presidente da fundação convida todos a uma visita. “O visitante pode-se surpreender e mergulhar num mundo de fantasia, mover-se e experimentar tocá-lo.  Os visitantes encontrarão um museu a céu aberto, o que está a mudar com as estações, na mudança de luz, temperaturas e condições meteorológicas. A coisa emocionante sobre uma obra de arte é que cada indivíduo é, por sua vez experimentado de forma diferente, uma experiência que ninguém deve perder.”

Foi na adolescência que Bruno Weber mergulhou na arte da pintura. Incentivado pelo pintor suíço Max Gubler, ingressou na Escola de Belas Artes de Zurique, onde os seus professores foram o artista Johannes Itten do Bauhaus e o escultor Ernst Gubler. Seguindo os desejos do seus pais, ele completou a aprendizagem como litógrafo na Orell Füssli em Zurique.

Em 1962, enquanto construía o seu próprio estúdio, tinha um fascínio pela arquitectura. Com o passar do tempo desenvolveu a vontade inesgotável para projectar um jardim na floresta. O espaço através do qual se pode experimentar a interacção da arquitetura escultórica e a natureza. Diz-se que é o maior parque deste tipo na Suíça, criado por um único artista.

Paralelo à grande industrialização do vale do rio Limmat – e como uma resposta a ele – (de) Bruno Weber criou um mundo que faz lembrar um dos sonhos e que transmite o entendimento entre nós,a natureza e espaço vital. Mesmo após a morte do criador, o parque tem permanecido num estado de “work in progress”, pois Bruno Weber deixou para trás inúmeros esboços e desenhos de projetos. Em colaboração com a família do artista, a fundação Bruno Weber está empenhada na preservação, documentação e outras construção das videiras do parque.

A entrada custa 18 chf e está aberto todas as quartas-feira, sábados e domingos, das 11 as 18 horas. 

Barocksaal2_quer_Stiftsbibliothek_StGallenLivros do século passado

St. Gallen. Perto da estação de comboio e por detrás da catedral encontramos o tesouro dos livros. A biblioteca Abbey de St. Gallen é a mais antiga na Suíça e uma das primeiras conventuais bibliotecas do mundo. Mantém a extraordinária colecção de livros que remonta ao desenvolvimento da cultural europeia e aos documentos de arquivo a biblioteca desde 1805.

Os nossos sapatos ficam à porta. Quer dizer temos umas pantufas felpudas na entrada da sala. Aqui não há problema com maus cheiros, o que interessa mesmo é não estragar o chão de madeira. Não podemos tirar fotografias. Por isso, temos de comprar o postal de recordação. Entramos sem medos. À primeira vista, vem-nos à memória, a biblioteca do filme de animação ‘A Bela e o Monstro’, mas em tons mais escuros, mas igualmente encantadora.

Kathrin Hug, bibliotecária confessa alguns dos segredos deste espaço. “Quando se entra na sala barroca é de apenas tirar o fôlego. O salão em si é tem mais de 250 anos, o piso de madeira é ainda o original. Aqui há cerca de 30.000 livros antigos impressos nas prateleiras e nós temos duas exposições em cada ano. A maioria dos manuscritos apresentados na exposição têm mais de 1000 anos. Isto não se encontra em qualquer outro lugar.”Mas vai mais longe: “A biblioteca possui cerca de 170.000 livros e outros meios de comunicação. Livros impressos depois de 1900 podem ser requisitados, enquanto os outros, volumes mais velhos só podem ser usados na sala de leitura.”

O acesso custa 12 chf. Definitivamente um ponto de paragem, se tivermos perto de St. Gallen.

IMG_20160628_104000792Zermatt: mais que uma montanha

Zermatt. Matterhorn. A famosa montanha tem um dos melhores e mais fantásticos trilhos do país helvético. A rota dos cincos lagos é espantosa e disponível para toda a família. São cerca de 3 horas, mas as vistas dos lagos, quebram qualquer cansaço. Chegamos à estação de Zermatt e apanhamos um pequeno transporte com direcção de Sunnega. Subimos, saímos da escuridão do túnel e ao longe já conseguimos ver o Matterhorn. Viramos as costas e apanhamos a gondôla que nos leva até aos 2571 metros, mais precisamente a Blauherd. Aqui iniciamos a jornada. O pic-cnic está na mochila e seguimos rumo até ao primeiro lago. A frescura da natureza deixa-nos encantados, assim que viramos a primeira curva. Stellisee é um dos Lagos, onde a montanha é reflectida com maior frequência. É ponto de paragem para muitas fotografias e para o lanche mantinal. Seguimos as indicações até a próxima paragem. Gridjisee. Um pouco escondido entre o verde da flora, não deixa de lado a sua beleza. 30 minutos mais tarde e umas subidas aventureiras encontramos o local para o almoço: Grünessee. Não precisamos de tirar a toalha ao xadrez, nem o tupperware da mochila. A sandes de queijo e a salada de pimentos chega perfeitamente. Aqui, não fomos os únicos a parar. Os ciclistas da montanha também fizeram uma pausa para refrescarem-se e repôr energias. 20 minutos de descanso e retomamos a estrada. Entre pedras, pedregulhos, uma simpática ponte e umas cascatas chegamos ao claro lago Moojisee, uma hora depois. Um azul de cortar a respiração. Um brilho intenso. É tempo de deixar as descidas. A última etapa é a subir e o trilho é estreito. Mas faz-se com um sorriso nos lábios. Leisee é o quinto lago. Aqui há crianças a nadar, pessoas a apanhar sol. No fundo, um autêntico resort ao ar livre. Subimos mais um pouco e chegamos ao nosso destino: Sunnega. Regressamos a casa, cansados, mas orgulhosos do dia que tivemos.

CIMG0830Os tons alaranjados nas gorges de l’areuse

Em Neuchâtel, mais precisamente em Champ-du-Moulin há um encanto para descobrir e guardar na memória. Gorges de l’areuse. A intensidade da água a descer a ravina, assim como a pequena ponte que encontramos no caminho são presentes que encontramos nesta caminhada. São cerca de 2h30m até Noiraigue. Mas se formos na época onde o Outono teima em chegar, as cores são de cortar as respiração. As folhas caídas no chão fazem-nos sentir que estamos a caminhar num autêntico alpendre suave. 

São sugestões para uma época que convida a passeios diferentes do quotidiano e que nos enriquecem um pouco mais. Porque não há limite para o conhecimento, nem para a aventura e porque há outras formas de descansar.

In Seletiva, Agosto 2016

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Um hotel em Airolo. Uma fábrica de queijos em Giswil. Um museu em Gothard, e aqui crescem também cogumelos. Já lá vai o tempo das ameaças dos inimigos. A época das invasões terminou há uns valentes anos, mas os vestígios permanecem. O número de abrigos nucleares é suficiente para defender toda a população do país contra qualquer ataque durante um ano. Uns foram transformados, outros estão ainda intactos, sendo considerados dignos de um roteiro turístico, com paisagens extraordinárias.

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Um oásis na montanha

La Claustra é o nome do hotel que foi transformado a partir de um dos bunkers militares. San Carlo era o nome original. Foi construído contra as potências do Eixo entre 1939-1942 e serviu como alojamento para cerca de 200 soldados.

Rainer Geissmann, responsável pelo hotel abre-nos a porta e descodifica-nos alguns segredos. “O bunker foi utilizado pela última vez em 1994 por soldados. Em 1999 foi adquirido por Jean Odermatt, um arquiteto e artista de San Carlo. Ele recebeu um financiamento militar de 800.00 chf para iniciar a transformação para o Hotel La Claustra em Airolo. Odermatt fez ainda um investimento de 8 milhões de francos. Passados cinco anos o hotel foi inaugurado no Verão de 2004”, conta. Ainda é possível observar estruturas militares, como as 134 escadas, onde temos acesso às armas, uma caverna com geradores de energia e o sistema de telefone ainda está no estado original. Vive-se uma experiência única. Construído com rochas e a 2050 metros acima do nível do mar, este alojamento dispões de 17 quartos, com casa-de-banho partilhada. Dispõe ainda de uma sauna, uma piscina exterior, que está a uso sazonalmente. O restaurante do hotel oferece especialidades suíças e bem regionais. O pequeno-almoço é servido diaramente e o jantar é servido todas as noites, sempre com seis pratos. “A maioria dos hóspedes vêm para seminários ou para experimentar um máximo de duas noites no hotel com a sensação caverna. As regras para o uso como um hotel são muito complexas e, portanto, dispendiosas (sistemas de protecção / alarme de incêndio / aquecimento / iluminação / emergência, gerador etc.)”, revela o gerente. Mas acrescenta: “Eu levo o hotel com o mínimo de pessoal, com apenas um funcionário (cozinha, serviço e limpeza dos quartos). A manutenção faço eu. Congratulamos todos os clientes com um aperitivo e uma visita guiada do bunker, por ocasião do guia, os hóspedes irão descobrir a história do bunker.” Uma noite para duas pessoas, em quarto duplo, nesta altura do ano pode rondar os 760 chf, mas tem o jantar incluído. Pode ser sempre uma nova ideia romântica para o escape de fim-de-semana.

Kristalle 2Um mundo de cristais

Gotthard tem muito por descobrir. Muito mais do que qualquer um imagina. Bem nas profundezas, nos ‘bunkers‘ podemos viver a história em primeira mão. Podemos voltar ao tempo do Metro del Sasso e deixarmo-nos encantar pelos mais belos cristais já encontrados nos Alpes. Sasso San Gottardo tem muito para mostrar.

Dr. Alfred Markwalder é o presidente do museu Sasso San Gottardo e não deixa de lado o encanto deste lugar. “ Há imensas informações interessantes sobre a localização actual dos cristais no Forte Sasso San Gottardo. Na visita, os descobridores podem encontrar um labririnto de dois quilómetros entre galerias, cavernas e poços. Além disso, há histórias curiosas sobre a descoberta dos maiores cristais de rocha do mundo”, salienta. Mas vai mais longe. “Este ano temos também passeios de aventura, onde os visitantes podem ver partes da fortaleza e não só. Uma regalia que não está disponível publicamente. O explorador precisa de pelo menos duas horas para visitar tanto a fortaleza histórica, como o mundo dos cristais,“ revela.

Os cristais de rocha são mais velhos do que o homem. Eles foram criados há mais de 18 milhões de anos, no interior da montanha, a temperaturas de 330 a 450 graus celsius. A aparência de um cristal depende de vários factores. Para além da temperatura, entre outras coisas, a pressão tem um papel bastante importante. A luz, a pureza e o poder dos cristais tem um feitiço que atrai as pessoas desde os tempos antigos. É difícil bater o tamanho, a perfeição, a transparência e o brilho destes cristais.

Este museu pode ser visitado entre 28 de Maio e 16 de Outubro de 2016, das 10h30m às 15h00m.

DSC02416Cogumelos profundos

No túnel Gotthard em Erstfeld, hoje crescem cogumelos especiais: shiitake. Quem está por trás deste cultivo é Alex Lussi. A humidade e a temperatura das rochas são as ideais para os cogumelos. Mas há uns anos foi um esconderijo militar. No meio de doze bunkers, Alex Lussi planta os seus produtos sem medos, mas ainda se lembra de como tudo começou. “ Tivemos a infra-estrutura para adaptar a ventilação de ar condicionado quente, luz, entre outros. Começámos o projeto em novembro de 2010 e os primeiros cogumelos shiitake começaram a ser colhidos em setembro de 2013”, recorda. Mas acrescenta: “É sempre difícil trazer a propriedade para uma zona militar anteriormente usada. Uma vez que leva muito tempo e paciência. No bunker nós produzimos cerca de 25.000 kg por ano, a média diária não pode ser quantificada com precisão, porque o mercado tem sempre flutuações.” Exportam para muitos restaurantes e não só. Já são conhecidos por toda a Suíça e todos os dias crescem mais um pedaço.

Höhlenlager_Giswil (1)Raclette escondida
O campo deixou de ser necessário para o exército. E agora, em Giswil, armazena-se o queijo raclette, mais precisamente a marca Seiler. Já foi premiado várias vezes como o melhor queijo suíço. Felix Schibli, gestor da fábrica contou à Seletiva alguns pormenores desta transformação. “ O exército não precisa mais deste campo, há já vários anos. A matriz (altura, comprimento, largura) de túneis foram ideais para a nossa construção. O tamanho da terra era ideal. Nós verificámos com profissionais e aconselharam a conversão num armazém de queijo. Abriram as portas para receber este projecto”, conta.

São produzidos na fábrica por dia, cerca de 500 queijos de raclette. Este número corresponde a 3.000 kg de queijo por dia. Para isto, na fábrica de lacticínios em Sarnen, são precisos 30.000 litros de leite. Só o ano passado processaram cerca de 10.000.000 milhões de litros de leite. Para atingir estes valores é preciso muitas mãos. Na fábrica de lacticínios em Sarnen trabalham oito funcionários. Já nos túneis de armazenamento de queijo em Giswil trabalham três funcionários. O gestor da fábrica desvenda um pouco do quotidiano destes trabalhadores. “O trabalho começa às 2h00 e termina às 20h00. Para este trabalho há três ou quatro turnos por dia. No processo de produção passamos pelo fornecimento de leite, processamento de leite, produção de queijo, fermentação e banho de sal. Após o banho de sal a maturação do queijo levamos para o túnel. A maturação leva uma média de cinco meses até a venda. O queijo é mantido com robôs de cuidados de queijo”, conta.

Sasso-historische-Festung-2Um pedaço de história

Esteve 30 anos no exército suíço. É coronel aposentado das forças armadas suíças, mas Werner Heeb é ainda presidente da FORT, uma estrutura organizacional com aproximadamente 55 organizações independentes onde estão incluídos bunkers e fortalezas. Para nós, foi um autêntico contador de histórias. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Suíça tinha uma rede de cerca de 8.000 bunkers e abrigos militares. Com os altos custos de manutenção e uma ameaça de arrefecimento da invasão, a partir dos anos 90, o exército suíço teve como tarefa diminuir este número de abrigos.

Werner revela um pouco dos tempos antigos. “Havia mais de 30.000 objetos militares, que usaram no exército. Da trincheira à fortificação complexa ou ao aeródromo que protegia algumas centenas de pessoas. Os altos custos de operação e manutenção com o inimigo levaram a um novo pensamento. Os sistemas de armas antigas necessitavam de muita infra-estrutura , de espaço e sobretudo muito operadores. Hoje requerem muito menos pessoal, porque os sistemas são computadorizados e automáticos”, explica.

Pode parecer excentricidade, mas os bunkers e outras fortalezas ocupam um lugar especial na história suíça.

Depois de a Alemanha invadir a França em 1940, a Suíça foi cercada e reconheceu que estaria à espera de qualquer ataque ou uma invasão. A Suíça preparou-se para dificultar este. Segundo o plano, chamado de ‘Redoubt Nacional’, com muita mão- de- obra e poder de fogo do país fizeram um abrigo ( Bunker ) na montanha onde se podiam esconder dos agressores estrangeiros. “Descrever um dia num bunker é difícil porque cada dia é distinto e cada depósito tem algo de especial. O bunker é para proteger o próprio sangue e tentarmo-nos salvar, porque Hitler queria destruir tudo e prender muitas pessoas. O prémio para derrotar a suiça devia de ser muito alto. A história e o tempo mostrou que esta estratégia foi bem sucedida, uma vez que Hitler usou as forças necessárias para o ataque à Suíça e que a guerra das duas frentes não teria mais capacidades nem forças para atacar. Vimos o desenvolvimento e os planos de ataque mais tarde”, recorda o antigo militar.

A construção dos bunkers suíços sempre foi lendária e especial.É importante que o inimigo não saiba onde uma fortaleza é ou o que faz. Isto significava que tudo deve ser bem camuflado, desde a construção à operação, pois tudo era secreto. Mas há também grandes hospitais ou fortalezas de batalha. Para que possamos vencer a luta tardia. As nossas pontes, túneis, aeroportos, barragens estavam cheios de dinamite para eles soprarem, se necessário, para que o adversário tenha um grande problema. Sozinho poderia ficar o dia todo a falar daquela altura“, deixa-se levar.

Hoje, é difícil um visitante sair para uma caminhada sem passar por uma porta curiosa na encosta da montanha, que parece um acesso à Batcaverna, ou um falso chalé suíço, com persianas trompe l’oeil. Durante alguns anos, a Suíça ostentou, orgulhosamente, a marca de possuir o maior projeto da proteção civil em todo o mundo: No túnel de Sonnenberg, em Lucerna, era possível abrigar até 20.000 pessoas. Nos sete níveis acima do túnel, inaugurado em 1976, havia um hospital, um teatro operacional, um estúdio de rádio, um centro de comando … Entretanto, essa infra-estrutura, abandonada em 2006, era deficiente sob vários aspectos. As portas, por exemplo, tinham 1,5 metros de espessura e pesavam 350 mil quilos, mas não fechavam hermeticamente.
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São apenas alguns dos projectos que foram recriados através de bunkers. As características tornaram-se eficazes nas novas vidas destes alojamentos. Têm uma nova cara, novos desafios, mas nunca o passado será esquecido e haverá sempre uma história para contar. Em tempos, Isabel Allende dizia que: “A guerra é a obra de arte dos militares, a coroação da sua formação, a insígnia dourada da sua profissão.

In Seletiva, Junho 2016


Numa época em que a neve já é pouca e as pistas já estão fechadas para descer as montanhas, é tempo de descobrir outros encantos helvéticos. Ainda está frio para dar um mergulho nos lagos, mas está agradável para procurar um pouco sobre o chocolate suíço.

CAILLERQuem não se lembra do par Isabelle Huppert e Jacques Dutronc do famoso filme ‘A teia de chocolate’. A história de uma dona de fábrica de chocolate e de um pianista. Está na altura de descobrir à lupa estes lugares cheios de encanto. São mais de uma mão cheia, os filmes, onde o chocolate é o protagonista. Willy Wonca (A fábrica de chocolate) ou mesmo Vianne Rocher (‘Chocolate’) são personagens que muitos conhecem desde há muito. Mas passemos da ficção para a realidade. Suíça. Chocolate. Uma realidade que ninguém deixa de associar: um doce autêntico vindo das terras helvéticas que faz muitos, crescer água na boca. Uns prefererem os da Cailler, outros da Frey e ainda os que não trocam nada por um simples Ragusa. É desejado em qualquer altura do ano. Mas no Verão, com o sol bem alto e quente é época de visitar e descobrir os segredos destas misteriosas fábricas. Será que podemos encontrar o Charlie perto dos Alpes? Fomos procurar.

Para os mais curiosos saibam que o chocolate surgiu na América pré-colombiana a partir da amêndoa torrada e moída do cacau. Era tomado como bebida quente e amarga, semelhante ao café. Nos séculos XVII e XVIII foi levado para a Europa, onde se tornou muito popular e combinado ao leite, açúcar e outros ingredientes, aprimorou-se e começou a ganhar a forma que hoje conhecemos, tornando-se uma indústria muito relevantes em países como a Suíça e Alemanha.

Aterrámos cedo no aeroporto de Genebra. Temos três fábricas por descobrir. Uma situa-se na zona francesa e as outras duas na parte alemã. Com uma mochila às costas entrámos no comboio até Montreux. Descobrimos aqui que podemos já entrar no mundo do chocolate, pois há mesmo um comboio chamado ‘Chocolate Train’ que nos leva directamente à ‘Maison Cailler’, a primórdica das fábricas de chocolate. O preço por adulto é 99chf e já inclui a visita à fábrica. Em Maio, Junho, Setembro e Outubro, o comboio circula todas as segundas, quartas e quintas-feira. Mas em Julho e Agosto desloca-se todos os dias.

Broc. Uma zona que cheira a chocolate. A fábrica foi fundada por Alexandre Louis Cailler em 1898, neto de François Louis ragusa_03Cailler, o fundador da marca Cailler em 1819, a mais antiga marca de chocolate na Suíça. Philippe Oertlé, director de comunicação da marca sublinha que não existe muita concorrência à Cailler. “A diferença com outro chocolate suíço é que Cailler, por tradição; usa apenas leite da região que é condensado pelas suas receitas, e não precisa de leite em pó como os outros. Isto dá um gosto específico, bem cremoso”, refere. Sobre números, o director expõe sem medos. “A fábrica de Broc produz anualmente entre 14.000 até 15.000 toneladas de chocolate. E por ano recebemos 400.000 visitantes e metade são turistas. No Verão, por causa das férias temos muito mais visitas, do que na estação de Inverno”, salienta. Aqui nesta casa, sente-se tudo de todas as maneiras. Utilizamos os cincos sentidos a qualquer momento. A viagem começa com o cacau Azteca e vai até ao chocolote de hoje. É possível criar o nosso próprio segredo de chocolate. E Divertimento-nos com toda a família. O workshop de chocolate é cheio de energia e de mistérios por descobrir. Pralines, trufas, há temáticas e formas para todos os gostos. Basta escolher e deixarmo-nos levar. Uma boa dose de animação e aprendizagem são garantidos. Os preços variam de acordo com o número de pessoas e especificidades. Ligue e esclareça todas as dúvidas. Um dia que não será certamente esquecido. Acredite.

Courtelary. Já faz parte da zona francesa, mas também tem um cheiro a chocolate. Camille Bloch. Ragusa. Chama-se Regula Gerber é responsável pela comunicação da empresa Camille Bloch e abre-nos o livro desta fábrica. “Chocolates Camille Bloch é uma família independente. A maioria dos outros fabricantes estão entre as multinacionais. Produzimos 100% na Suíça e por dia cerca de 15 toneladas de chocolate.” É uma empresa dedicada ao prazer, com base em ingredientes inconfundíveis. Foi fundada em Bern em 1929, mas agora é gerida por Daniel Bloch que sempre levou o lema “Momentos de prazer não se limitam a derreter na boca, mas permanecem na memória”. A empresa tem deixado a sua marca com as suas especialidades singulares e inovações, criando duas das marcas de chocolate mais amadas: Ragusa e Torino. Assumiu ainda um papel pioneiro com o desenvolvimento dos chocolates de licor sem crosta de açúcar ou barras de mousse de chocolate. Já conquistaram o paladar e os corações de muitos amantes do chocolate.

FREY 2Buchs. Uma pequena zona, mas que tem o seu charme. Frey. Recebem mais clientes nos meses de mais frio. Só o ano passado, em 2015 receberam no total de 75.000 visitantes. Todos os dias, um milhão de barras de chocolate deixa a fábrica Frey em Buchs, no cantão de Aargau. Com uma grande dose de cuidado, amor e a receita original da empresa, esta marca tem ocupado um grande lugar no mercado de chocolate suíço por mais de 30 anos. A companhia R & M. Frey foi fundada em 1887 pelos irmãos Robert e Max. Observamos um arco íris de emoções. O espectáculo de luzes e cores deixa-nos surpreendidos logo à entrada. Há hora para cinema, para leitura, para a fotografia para degustar e até para aprender um pouco de ciência. Temos de vir preparados para assimilar muita informação e acima de tudo para provar. Na Frey, a paixão pela qualidade vai além dos produtos. Pascale Buschacher, assistente do CEO, desvenda-nos alguns segredos desta fábrica. “Existem mais de 200 recipientes reutilizáveis para entregas rápidas de produtos líquidos. Para os produtos mais sólidos, a empresa faz uma armazenagem pró-activa“, revela. Mas vai mais longe: “A Frey conhece as necessidades dos usuários. Um departamento de desenvolvimento próprio está disponível para clientes para a amostra de ideas para novos produtos e optimização de fluxos de trabalho de produção existentes“, conta. Está presente nos cinco continentes e deixa sempre um cliente com água na boca. Nunca provar um, mas sim dois. Pisque o olho e saia com vontade de começar de novo.

Tudo que você realmente precisa é amor, e um pouco de chocolate”, já dizia Lucy Van Pelt. E nós fomos procurar, mas não encontrámos nada, foi pouco doce. Prove esta aventura e regresse a casa, ainda a salivar.

In Seletiva, Junho 2016


silk_bigNo século passado e em algumas zonas mais rústicas e carenciadas, a roupa ainda é toda lavada à mão e com sabão azul e branco. Se desfolharmos o dicionário a palavra ‘máquina de lavar roupa’ é descrita como ‘uma máquina projectada para limpeza de roupas. Geralmente o termo é empregado para equipamentos que usam água como meio principal de limpeza. Consiste basicamente num recipiente que se enche de água e no qual um sistema mecânico agita as peças de roupa até serem lavadas.’

Para os mais curiosos saibam que os pequenos agricultores que trabalham com hidroponia (cultivo na água) costumam usar peças de máquinas de lavar roupa, como motores, bombas, timer e válvulas de controle de fluxo para automatizar equipamentos de irrigação, pelo baixo preço, facilidade de encontrar e confiabilidade mecânica. Reza a história, que em 1906 a máquina de lavar a roupa surgiu em diferentes lares.

André Fangueiro tem 32 anos é natural do Porto e integra a equipa responsável pelo Dolfi: a nova geração de máquina de lavar roupa. Para os amantes de viagens, não precisam de se preocupar se o hotel tem ou não lavandaria. E em breves palavras, André resume esta modernidade, sem receios. “É um dispositivo do tamanho de mão, que muda fundamentalmente a experiência de lavagem de vestuário, especialmente em viagem, com o poder da tecnologia de ultra-som. Este método é capaz de lavar a roupa de dentro para fora, sem nunca a danificar ou descolorir o tecido. Assim, tecidos delicados como as rendas, sedas ou cashmere serão bem cuidados pelo Dolfi. Esta é uma alternativa agradável para a lavagem das mãos laboriosas”, sustenta. Mas vai mais longe: “Penso que vai ter muita adesão por parte do público. Nos últimos 30 anos não existiu nenhum desenvolvimento no processo de lavagem de roupa. Contudo o produto Dolfi não é uma máquina de lavar roupa tradicional. O público -alvo sera diferente para a Dolfi. Os utilizadores terão necessidades específicas por exemplo em viagem de trabalho ou em férias.”

Sobre as vantagens deste moderno produto, há muito que enumerar. O Dolfi utiliza ultra-som para limpar as roupas. É a tecnologia de vanguarda na lavagem de vestuário em casa ou em viagem. Este dispositivo de lavagem, consome 80 vezes menos energia do que a máquina de lavar de vestuário tradicional.

André garante a sua simplicidade. “O processo inicia-se com o enchimento de um recipiente com água ao qual se vai adicionando as peças de vestuário que se pretendem lavar. Este recipiente pode ser de qualquer tipo de material, desde que tenha capacidade suficiente para a água e as peças de roupa como por exemplo, um lavatório, pia, balde. Em qualquer outro processo de lavagem, este seria a fase de adicionar o detergente, o que com este dispositivo não é obrigatório, já que este dispositivo limpa com ultra-som. O Dolfi emite milhares de bolhas de cavitação que são microscópicas e invisível a olho nu. O colapso destas bolhas produzem correntes de jacto de força que, em colisão com as fibras da peça de vestuário expulsam qualquer sujidade ou cheiros que estejam presentes nas fibras. Adiciona-se o Dolfi ao recipiente com água e ligue o produto no botão“on”. Alguns minutos mais tarde e quando se verifica que a luz do produto se desligou, o vestuário estará lavado”, explica.

Está na Holanda desde 2010. “Muito cedo, percebi que o mercado português era muito pequeno, para aquilo que queria fazer: criar. Como prenda de aniversário decidi mudar-me para a Holanda, em 2010, que por ter uma boa cultura de design potenciava a possibilidade de evolução,de me movimentar abertamente na Europa e trazer algo de novo e excitante para a minha carreira. Na Holanda existe um cultura de desenvolver produto e design bastante grande, isso torna o mercado competitivo e desafiante”, recorda. E deixa-se levar. “O convite para colaborar na criação do produto Dolfi, surgiu através de networking, no início de 2014 através da Lena Solis que é a fundadora da Dolfi. O trabalho foi desenvolvido em parceria com a Dolfi e o MPI Ultrasonics e o Studio Lata, que é o meu próprio estúdio. O projecto iniciou-se pela ideia de utilizar a tecnologia ultra-som e as suas vantagens num produto que fosse funcional. Como apenas existia a ideia de utilizar esta tecnologia no produto, não havendo ainda a marca Dolfi, nem a forma do objecto, nem quem seria o público- alvo, partimos para a fase seguinte com o objectivo de responder a todas estas questões”, salienta.

Lena Solis desvenda o aparecimento deste novo produto. “A ideia de Dolfi veio depois de algumas experiências terríveis com roupa durante as minhas intensas viagens. Inspirado por benefícios surpreendentes de ultra-som, utilizados com sucesso há anos em muitas aplicações industriais e médicas, estamos animados para trazer as vantagens de ultra-som de limpeza precisa para uso pessoal diário. Eu acredito que a tecnologia de ultra-som vai mudar a nossa forma de lavar. ” A tecnologia inovadora da Dolfi foi desenvolvido pela MPI Ultrasonics – um laboratório de engenharia suíça com mais de 25 anos de experiência em ultra-som. Os engenheiros proeminentes deste laboratório são inventores da avançada tecnologia sónica MMM.

Dolfi estará disponível no IndieGoGo para o preço dos primeiros compradores de cerca de 89 francos suíços. Mas não pára por aí. Dolfi também está a preparar acessórios de lavagem emocionantes, incluindo um gancho inflável para quando se precisa para secar em qualquer lugar. Bem como um dissipador de silicone stopper portátil, assim pode-se lavar com Dolfi em qualquer lugar.

O nome de Dolfi é um tributo aos golfinhos, os usuários mais avançados de ultra-som e um dos animais mais inteligentes do nosso planeta. Parte dos fundos de campanha irá para a pesquisa eo bem-estar golfinho.

E assim: “Fica provado que uma inovação não é necessária quando se torna demasiado difícil implementá-la”, disse Luc de Clapiers Vauvenarques.

In Seletiva, Março 2016


10653527_803267576401455_2356881448651167047_n Muitos são do tempo do ‘Chuva de Estrelas’. Com o passar dos anos, a concorrência foi aumentando e os talentos foram cada vez mais distintos. O júri teve de tomar decisões cada vez mais difíceis. Da música para os grandes talentos. Em Portugal há ainda quem se lembre de programas como ‘Os principais’, ou mesmo do ‘Bravo Bravissimo’ com a Ana Marques. No novo século os ‘Idolos’ e a ‘Operação Triunfo’ encantaram Portugal inteiro e preencheram os serões de Domingo de muitos lares.

Dizem que o talento cria suas próprias oportunidades. Mas ás vezes, parece que o desejo intenso cria não apenas as suas próprias oportunidades, mas os seus talentos.

2015 foi o ano de Hugo Moura brilhar. O cantor português foi o artista mais votado pelo público durante as duas fases de selecção do Swiss Live Talent, que decorreram entre 14 de maio e 14 de setembro e 14 de outubro e 14 de novembro. O valor do prémio foi de 5.000 euros em dinheiro e material musical e uma participação num dos festivais mais prestigiados da Suíça.

Mourah (como é mais conhecido) completou todos os critérios e impressionou o júri com o seu talento musical. Francois Moreillon faz parte da organização do Swiss Talent e explica à Seletiva no que consiste este concurso. “Um júri nacional de profissionais, actua em clubes, festivais e selecciona 35 candidatos integrados em sete diferentes categorias: pop, indie, folk e compositor; rock, metal; electro/ dança; urbano, hip-hop, groove /reggae: língua nacional. Outra categoria que existe é o ‘Public Award’ que permite que o público escolha e vote no seu candidato favorito (entre qualquer género musical)”, explica. E ainda sobre a música de Mourah, o representante desvenda: “A mistura entre pop e electro agrada a todos”.

Receber este prémio sendo o júri oriundo do país helvético foi mais que uma honra para Mourah. “Foi um momento muito agradável, ter direito a um pouco de reconhecimento do público como de profissionais num mundo tão difícil como é o da música, sabe sempre bem. Sinto-me quase tanto Suíço como Português, por isso não senti nada de mais especial. Gostava no entanto um dia ter um pouco mais de visibilidade em Portugal”, desabafa o cantor.

Já actuou em diferentes palcos com públicos distintos, mas ninguém o intimida. “Para mim, e desde que as coisas correm bem, é sempre o ultimo que marca mais. Que haja 40 pessoas ou 400. A emoção e a partilha com o publico marca sempre muito. O momento do palco imprime memórias muito fortes. O meu ultimo concerto ocorreu a 6 de Dezembro em Genebra e foi especial, com uma plateia muito receptiva no teatro muito belo”, relembra.

Além da música, Mourah tem um lado solidário. Passou o mês de Janeiro na Indía, no âmbito de uma viagem solidária, que promove a cultura e a educação ambiental em geral. Neste contexto é organizado um espectáculo itinerante. Mourah compôs a música, actualmente toca guitarra e canta. Já teve a oportunidade de percorrer o Perú, o Ladakh e a India central. “Este projeto diz-me muito, a riqueza emocional e intelectual, o prazer, não tem conta”, sublinha.

Todos têm conhecimento que a comunidade portuguesa é elevada na Suíça e François não é excepção. “ Para nós a música é universal e não tem fronteiras, a menos que seja realmente – arte, no caso folclore tradicional ou mesmo o fado. Obviamente, isso faz sentido para ver artistas talentosos portugueses com base na Suíça, crescer e vale a pena descobrir .Mas é um facto que o Português, bem como o público de geração de novos suíços são bem conectados à internet e ouvir sucessos internacionais”, sublinha.

Ser emigrante tem os seus prós e contras. “A Suíça é a minha residência principal digamos. Tenho cá muitos dos meus amigos, o que compensa um pouco a ausência da família, quase toda ela em Portugal. Gosto do lado pragmático das pessoas, da organização ao dia a dia, da natureza vibrante. Gosto da democracia direta. Tantas coisas” refere o cantor. Mas consegue encontrar alguns pontos negativos, nesta experiência. “O excesso do organização por vezes, da falta de espontaneidade geral, da segurança social e rendas tremendamente caras, o excesso de luxo também, que me indispõem tanto como a pobreza extrema que pude ver na India, o talvez mais até”, salienta12346593_1014331678628376_4384793718566006510_n.

Na música é sempre difícil descrever o seu próprio talento. Contudo, Mourah consegue encontrar as palavras essenciais. “ Procuro sempre fazer uma música autentica, ou seja em fase com a minha sensibilidade e sentimentos. Nunca entra em questão a ideia de fazer algo para agradar aos outros ou com um intuito comercial. Penso que é a chave para ser feliz naquilo que se faz e as pessoas intuitivamente acabam por dar valor ao trabalho. A minha música navega entre a electro, a pop, trip-hop, rock alternativo. Gosto de misturar e variar os prazeres”, refere.
E em jeito de conclusão, Eça de Queiroz sempre nos deixou com orações que nos deixam a pensar. “Em Portugal quem emigra são os mais enérgicos e os mais rijamente decididos; e um país de fracos e de indolentes padece um prejuízo incalculável, perdendo as raras vontades firmes e os poucos braços viris”, escreveu há uns anos.


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Um olhar fácil para um pulso prático. Uma bracelete preta e três ponteiros dourados. Já dizia Paulo Coelho, “que um relógio, mesmo parado consegue estar certo duas vezes por dia” e o de Joana Vasconcelos é mais que um relógio. É uma peça única.

A Swatch propôs, Joana Vasconcelos aceitou e surpreendeu tudo e todos. Para a artista foi um privilégio ter tido este convite para a Swatch Art Special e de ter tido a oportunidade de realizar o primeiro relógio da marca.E em breves palavras, Joana Vasconcelos define a sua peça do momento: “O meu trabalho enquanto artista assenta muito na apropriação de técnicas artesanais, que são combinadas com materiais industriais, refletindo frequentemente sobre o conceito de luxo – ao transformar objetos do dia-a-dia em peças de alta cultura. Esta colaboração com a Swatch permite que o meu trabalho possa ser vivido todos os dias, a todas as horas.”

Teve uma edição limitada e Joana Vasconcelas justifica sem medos. “Este produto teve a melhor adesão possível. Esgotou muito rapidamente, e continuamos a receber diariamente pedidos. Contudo, dado o elemento artesanal que caracteriza a peça – tornando-a única -, a sua edição teve mesmo de ser limitada”, sustenta. A edição foi limitada a 999 peças, cada uma numerada e com uma embalagem em veludo preto e forro dourado. Esteve à venda por 265 euros. O último relógio foi leiloado on-line em Dezembro de 2015. O valor final atingiu os 2.346 euros. As receitas reverteram na íntegra para a Casa das Cores, Centro de Acolhimento Temporário para crianças em perigo.

Trabalhar com o país helvético no mundo da relojoaria tem a sua honra e especificidade. “Foi um desafio com um resultado muito feliz. Os mostradores, realizados de forma artesanal em Viana do Castelo, tiveram de responder a certas exigências de peso, grossura e dimensão, de modo a poderem ser montados na fábrica na Suíça, o que obrigou a todo um trabalho de planeamento e projecto cuidado. Cada relógio teve de ser montado manualmente, ao contrário do método habitual da Swatch, que é mecânico. Ou seja, combinámos o craftscom o universo industrial”, salienta Joana.

Foi um grande passo na carreira da artista. Para o futuro já há vários objectivos e Joana desvenda alguns segredos no mundo da relojoaria. “Este ano, de 2015 também realizei a obra Mobile do Tempo, que reporta ao tempo, à tradição e à modernidade. Trata-se de uma obra que lembra um lustre cinético, com dois enormes ponteiros – minutos e segundos -, que sustentam braços em croché, iluminados por dezenas de luzes LED. A obra está exposta permanentemente em Lisboa, na nova loja da Boutique dos Relógios, na Avenida da Liberdade,” revela.

Um acessório que deixa qualquer pulso elegante e bem definido. E nas palavras de Tatyane Nicklas “Não desperdice o seu precioso tempo, com pessoas que não utilizam relógio.”

In Seletiva, Janeiro 2016


Foi com grande orgulho que a dupla Francisco e Manuel Aires Mateus recebeu o prémio de melhor projecto para um pólo museológico na cidade pitoresca de Lausanne, na Suíça.

O chefe de serviço da cultura de Lausanne, Fabien Ruf salienta que este edíficio vai enriquecer a cultura suíça. “Este é o único sítio, em toda a Suíça, que tem três museus directamente ligados linhas féreas internacionais. Isto vai trazer pessoas de todos os países a Lausanne. Este local vai ser um centro de design, fotografia e belas artes, assim como um espaço para os artistas trabalharem. Nós esperamos uma vasta densidade de visitantes que viajam de comboio, por lazer ou trabalho e tropeçam no nosso museu”, refere. Mas abre mais o véu: “Será ainda um espaço para exposições temporárias e permanentes. Também terá lugar a Fundação Pauli Toms com tapeçarias ancestrais”.

ng4826691Em breves palavras, o arquitecto Francisco Aires Mateus descreve o projecto: “define-se por essa junção num só corpo de dois museus com necessidades de luz muito distintas; elevado, o MUDAC totalmente iluminado a partir do tecto, contrapõe-se ao museu de l’Elysée, colocado abaixo do piso térreo, sem luz natural dado tratar-se de um museu de fotografia.Estas duas entidades partilham o espaço comum ao nível térreo. Um espaço de compressão e de tensão entre os dois corpos, desenhado como uma topografia no prolongamento da praça do futuro polo museológico de Lausanne.”

O projecto tem data prevista de construção para 2018 e 2020 como ano de inauguração. O valor da obra está estimado em 85 milhões de euros (90 milhões de francos suíços).

Fabien Ruf revela ainda que acredita que a arquitectura tem grandes nomes portugueses. “O primeiro museu de belas artes vai ser construído por um arquitecto espanhol. Então eu acho que todo o projeto é uma imagem maravilhosa para a nova geração de arquitetos do Sul da Europa”, sustenta. “A cultura suíça é o símbolo da diversidade, inovação e qualidade artística. Talvez esteja a faltar, a habilidade de ‘vender’ a cultura no exterior. O melhor que temos é a oferta extraordinária em vários campos artísticos, extremamente apreciado pelos habitantes locais e turistas”, acrescenta.

Um museu. Dois museus. A escolha do atelier português foi unânime, pôde-se verificar no texto de apresentação do projecto vencedor rubricado por Olivier Steimer, presidente do júri, que distingue a ideia dos arquitectos como “fabulosa”. O líder consegue ainda resumir em brever linhas a arquitectura deste novo centro cultural: “A abertura horizontal em frente à entrada – como uma linha de falha permite través deste claro fluxo se crie um duplo objectivo. Então cria uma área comum vibrante, uma espécie de Fórum de futuro para as Artes. As áreas de exposição dos dois museus serão duplicadas graças a duas plataformas elevadas, enquanto as áreas de armazenamento e instalações de construção será abaixo do solo”. Mas conclui:“Um edifício será entregue ao Beaux-Arts, enquanto a demanda actual mudac ocupará o piso inferior e andar superior, respectivamente, do prédio que acaba de ganhar o concurso de arquitetura. Eles irão compartilhar o piso térreo. O museu vai continuar a ter identidades separadas, embora algumas instalações e funções serão reunidas (loja de souvenirs, biblioteca, venda de bilhetes, etc.)”

987222Nos dias de hoje, a comunidade portuguesa na Suíça é grande. E muitos pensam que os portugueses apenas ficam pelas limpezas e hotelaria. Mas Francisco Aires Mateus discorda. “Há inúmeros talentos portugueses escondidos em todo o mundo. A Suíça, pela dimensão da nossa comunidade esconderá certamente muitas dessas pessoas. Pessoalmente, conhecemos alguns portugueses a trabalhar na Suiça, muito deles jovens arquitectos de enorme talento e capacidade, mas também pessoas que trabalham em diversos outros ramos profissionais. De todos, nos orgulhamos e a todos admiramos pela coragem e determinação”, salienta.

Seletiva, Janeiro 2016