Uma rosa com espinhos de fantasia

06Maio17

Assistir a um filme na versão original, num país que não é nosso, é sempre uma aventura. Ainda me recordo das letras, em português, das músicas que embelezaram o filme de 1991. E ouvi-las noutra versão e noutra língua é sempre interessante e encantador.

Do clássico da animação à imagem real. Muitas são as diferenças encontradas, mas a magia e encanto permanecem bem fechados à chave. Esta nova versão modernizou as clássicas personagens para uma público contemporâneo. A música original manteve-se fiel e novas canções surgiram como uma das melhores surpresas na banda sonora. Os efeitos especiais em três dimensões são mágicos e deixam-nos entrar com mais intensidade nas cenas sucessivas deste conto mágico. De relembrar que este conto é sobre Bela (Emma Watson), uma jovem independente, sorridente, que é aprisionada por um monstro (Dan Stevens) no seu castelo. Embora tenha os seus medos, deixa-se levar pela amizade dos empregados do castelo: um candelabro chamado Lumière (Ewan McGregor), o relógio de sala Cogsworth (Ian McKellen), um bule de chá, Mrs. Potts (Emma Thompson), e o seu filho, uma xícara, Chip (Nathan Mack). O dia-a-dia torna-se menos complicado e começa a ser uma vida normal e encantada. Com o passar do tempo, Bela consegue ver para além do terrível exterior do monstro e apaixona-se pelo coração do verdadeiro príncipe que vive dentro dele.

Bill Condon insere uma cena de Paris, de uma forma fascinante e bem integrada, onde Bela regressa ao momento em que nasceu. Ninguém estava à espera, mas ficou bem conseguida. Há interpretações interessantes e dignas de serem destacadas, como é o caso de Audra Mcdonal. Já não aparecia no grande ecrã desde 2004, onde interpretou ‘Ruth’ em The Best Thief in the World. Mas acompanhamo-la sempre em ‘Clínica Privada’. E agora nesta extraordinária fantasia, com uma voz gigante. Foi ainda surpresa, a presença de Gugu Mbatha-Raw, como Plumette. Luke Evans (Gaston) exibe a sua fantástica prestação como actor e deixa-se convencer no mundo da música. Por outro lado, Dan Stevens (o Monstro), deixa os espectadores num impasse. Pode-se até mesmo verificar a falta de algum romantismo, por parte deste. Emma Watson não desilude. Aparece como uma autêntica estrela de musicais e não só. A dança, a voz e a representação fazem-na brilhar com convicção e solidez.

Se rebobirnamos os anos, é de recordar que em abril de 2014, a Walt Disney Pictures confirmou a ideia para o desenvolvimento de uma versão live-action desta história de encantar. Tudo com pernas para andar ao estilo de filmes como Alice no País das Maravilhas (Tim Burton, 2010), Maléfica (Robert Stromberg, 2014), Cinderela (Kenneth Branagh, 2015) ou de O Livro da Selva (Jon Favreau, 2016). Com mais de duas dezenas de registos artísticos, A Bela e o Monstro passou da literatura, para o teatro, para a ópera, para a televisão e para cinema. Uma aventura que sempre marcou sempre presença nas salas de estar de muitas crianças, que brincavam e inventavam a sua história para os seus espectadores. Adaptavam à sua maneira e deixavam escapar uma sorridente gargalhada, quando eram aplaudidos.

São 129 minutos de pura fantasia e aventura. Quando colamos ao ecrã, aproveitamos para rever o filme de 1991 e descodificar a versão de Jean Cocteau de 1946. É mais que um filme fiel, é uma longa metragem cheia de mística, que nós espectadores temos o dever de a encontrar.

In Seletiva, Abril 2017

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