Quando o sabor permanece na memória

08Jun16

Numa época em que a neve já é pouca e as pistas já estão fechadas para descer as montanhas, é tempo de descobrir outros encantos helvéticos. Ainda está frio para dar um mergulho nos lagos, mas está agradável para procurar um pouco sobre o chocolate suíço.

CAILLERQuem não se lembra do par Isabelle Huppert e Jacques Dutronc do famoso filme ‘A teia de chocolate’. A história de uma dona de fábrica de chocolate e de um pianista. Está na altura de descobrir à lupa estes lugares cheios de encanto. São mais de uma mão cheia, os filmes, onde o chocolate é o protagonista. Willy Wonca (A fábrica de chocolate) ou mesmo Vianne Rocher (‘Chocolate’) são personagens que muitos conhecem desde há muito. Mas passemos da ficção para a realidade. Suíça. Chocolate. Uma realidade que ninguém deixa de associar: um doce autêntico vindo das terras helvéticas que faz muitos, crescer água na boca. Uns prefererem os da Cailler, outros da Frey e ainda os que não trocam nada por um simples Ragusa. É desejado em qualquer altura do ano. Mas no Verão, com o sol bem alto e quente é época de visitar e descobrir os segredos destas misteriosas fábricas. Será que podemos encontrar o Charlie perto dos Alpes? Fomos procurar.

Para os mais curiosos saibam que o chocolate surgiu na América pré-colombiana a partir da amêndoa torrada e moída do cacau. Era tomado como bebida quente e amarga, semelhante ao café. Nos séculos XVII e XVIII foi levado para a Europa, onde se tornou muito popular e combinado ao leite, açúcar e outros ingredientes, aprimorou-se e começou a ganhar a forma que hoje conhecemos, tornando-se uma indústria muito relevantes em países como a Suíça e Alemanha.

Aterrámos cedo no aeroporto de Genebra. Temos três fábricas por descobrir. Uma situa-se na zona francesa e as outras duas na parte alemã. Com uma mochila às costas entrámos no comboio até Montreux. Descobrimos aqui que podemos já entrar no mundo do chocolate, pois há mesmo um comboio chamado ‘Chocolate Train’ que nos leva directamente à ‘Maison Cailler’, a primórdica das fábricas de chocolate. O preço por adulto é 99chf e já inclui a visita à fábrica. Em Maio, Junho, Setembro e Outubro, o comboio circula todas as segundas, quartas e quintas-feira. Mas em Julho e Agosto desloca-se todos os dias.

Broc. Uma zona que cheira a chocolate. A fábrica foi fundada por Alexandre Louis Cailler em 1898, neto de François Louis ragusa_03Cailler, o fundador da marca Cailler em 1819, a mais antiga marca de chocolate na Suíça. Philippe Oertlé, director de comunicação da marca sublinha que não existe muita concorrência à Cailler. “A diferença com outro chocolate suíço é que Cailler, por tradição; usa apenas leite da região que é condensado pelas suas receitas, e não precisa de leite em pó como os outros. Isto dá um gosto específico, bem cremoso”, refere. Sobre números, o director expõe sem medos. “A fábrica de Broc produz anualmente entre 14.000 até 15.000 toneladas de chocolate. E por ano recebemos 400.000 visitantes e metade são turistas. No Verão, por causa das férias temos muito mais visitas, do que na estação de Inverno”, salienta. Aqui nesta casa, sente-se tudo de todas as maneiras. Utilizamos os cincos sentidos a qualquer momento. A viagem começa com o cacau Azteca e vai até ao chocolote de hoje. É possível criar o nosso próprio segredo de chocolate. E Divertimento-nos com toda a família. O workshop de chocolate é cheio de energia e de mistérios por descobrir. Pralines, trufas, há temáticas e formas para todos os gostos. Basta escolher e deixarmo-nos levar. Uma boa dose de animação e aprendizagem são garantidos. Os preços variam de acordo com o número de pessoas e especificidades. Ligue e esclareça todas as dúvidas. Um dia que não será certamente esquecido. Acredite.

Courtelary. Já faz parte da zona francesa, mas também tem um cheiro a chocolate. Camille Bloch. Ragusa. Chama-se Regula Gerber é responsável pela comunicação da empresa Camille Bloch e abre-nos o livro desta fábrica. “Chocolates Camille Bloch é uma família independente. A maioria dos outros fabricantes estão entre as multinacionais. Produzimos 100% na Suíça e por dia cerca de 15 toneladas de chocolate.” É uma empresa dedicada ao prazer, com base em ingredientes inconfundíveis. Foi fundada em Bern em 1929, mas agora é gerida por Daniel Bloch que sempre levou o lema “Momentos de prazer não se limitam a derreter na boca, mas permanecem na memória”. A empresa tem deixado a sua marca com as suas especialidades singulares e inovações, criando duas das marcas de chocolate mais amadas: Ragusa e Torino. Assumiu ainda um papel pioneiro com o desenvolvimento dos chocolates de licor sem crosta de açúcar ou barras de mousse de chocolate. Já conquistaram o paladar e os corações de muitos amantes do chocolate.

FREY 2Buchs. Uma pequena zona, mas que tem o seu charme. Frey. Recebem mais clientes nos meses de mais frio. Só o ano passado, em 2015 receberam no total de 75.000 visitantes. Todos os dias, um milhão de barras de chocolate deixa a fábrica Frey em Buchs, no cantão de Aargau. Com uma grande dose de cuidado, amor e a receita original da empresa, esta marca tem ocupado um grande lugar no mercado de chocolate suíço por mais de 30 anos. A companhia R & M. Frey foi fundada em 1887 pelos irmãos Robert e Max. Observamos um arco íris de emoções. O espectáculo de luzes e cores deixa-nos surpreendidos logo à entrada. Há hora para cinema, para leitura, para a fotografia para degustar e até para aprender um pouco de ciência. Temos de vir preparados para assimilar muita informação e acima de tudo para provar. Na Frey, a paixão pela qualidade vai além dos produtos. Pascale Buschacher, assistente do CEO, desvenda-nos alguns segredos desta fábrica. “Existem mais de 200 recipientes reutilizáveis para entregas rápidas de produtos líquidos. Para os produtos mais sólidos, a empresa faz uma armazenagem pró-activa“, revela. Mas vai mais longe: “A Frey conhece as necessidades dos usuários. Um departamento de desenvolvimento próprio está disponível para clientes para a amostra de ideas para novos produtos e optimização de fluxos de trabalho de produção existentes“, conta. Está presente nos cinco continentes e deixa sempre um cliente com água na boca. Nunca provar um, mas sim dois. Pisque o olho e saia com vontade de começar de novo.

Tudo que você realmente precisa é amor, e um pouco de chocolate”, já dizia Lucy Van Pelt. E nós fomos procurar, mas não encontrámos nada, foi pouco doce. Prove esta aventura e regresse a casa, ainda a salivar.

In Seletiva, Junho 2016

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