VOZ PORTUGUESA ILUMINA SWISS LIVE TALENT

26Fev16

10653527_803267576401455_2356881448651167047_n Muitos são do tempo do ‘Chuva de Estrelas’. Com o passar dos anos, a concorrência foi aumentando e os talentos foram cada vez mais distintos. O júri teve de tomar decisões cada vez mais difíceis. Da música para os grandes talentos. Em Portugal há ainda quem se lembre de programas como ‘Os principais’, ou mesmo do ‘Bravo Bravissimo’ com a Ana Marques. No novo século os ‘Idolos’ e a ‘Operação Triunfo’ encantaram Portugal inteiro e preencheram os serões de Domingo de muitos lares.

Dizem que o talento cria suas próprias oportunidades. Mas ás vezes, parece que o desejo intenso cria não apenas as suas próprias oportunidades, mas os seus talentos.

2015 foi o ano de Hugo Moura brilhar. O cantor português foi o artista mais votado pelo público durante as duas fases de selecção do Swiss Live Talent, que decorreram entre 14 de maio e 14 de setembro e 14 de outubro e 14 de novembro. O valor do prémio foi de 5.000 euros em dinheiro e material musical e uma participação num dos festivais mais prestigiados da Suíça.

Mourah (como é mais conhecido) completou todos os critérios e impressionou o júri com o seu talento musical. Francois Moreillon faz parte da organização do Swiss Talent e explica à Seletiva no que consiste este concurso. “Um júri nacional de profissionais, actua em clubes, festivais e selecciona 35 candidatos integrados em sete diferentes categorias: pop, indie, folk e compositor; rock, metal; electro/ dança; urbano, hip-hop, groove /reggae: língua nacional. Outra categoria que existe é o ‘Public Award’ que permite que o público escolha e vote no seu candidato favorito (entre qualquer género musical)”, explica. E ainda sobre a música de Mourah, o representante desvenda: “A mistura entre pop e electro agrada a todos”.

Receber este prémio sendo o júri oriundo do país helvético foi mais que uma honra para Mourah. “Foi um momento muito agradável, ter direito a um pouco de reconhecimento do público como de profissionais num mundo tão difícil como é o da música, sabe sempre bem. Sinto-me quase tanto Suíço como Português, por isso não senti nada de mais especial. Gostava no entanto um dia ter um pouco mais de visibilidade em Portugal”, desabafa o cantor.

Já actuou em diferentes palcos com públicos distintos, mas ninguém o intimida. “Para mim, e desde que as coisas correm bem, é sempre o ultimo que marca mais. Que haja 40 pessoas ou 400. A emoção e a partilha com o publico marca sempre muito. O momento do palco imprime memórias muito fortes. O meu ultimo concerto ocorreu a 6 de Dezembro em Genebra e foi especial, com uma plateia muito receptiva no teatro muito belo”, relembra.

Além da música, Mourah tem um lado solidário. Passou o mês de Janeiro na Indía, no âmbito de uma viagem solidária, que promove a cultura e a educação ambiental em geral. Neste contexto é organizado um espectáculo itinerante. Mourah compôs a música, actualmente toca guitarra e canta. Já teve a oportunidade de percorrer o Perú, o Ladakh e a India central. “Este projeto diz-me muito, a riqueza emocional e intelectual, o prazer, não tem conta”, sublinha.

Todos têm conhecimento que a comunidade portuguesa é elevada na Suíça e François não é excepção. “ Para nós a música é universal e não tem fronteiras, a menos que seja realmente – arte, no caso folclore tradicional ou mesmo o fado. Obviamente, isso faz sentido para ver artistas talentosos portugueses com base na Suíça, crescer e vale a pena descobrir .Mas é um facto que o Português, bem como o público de geração de novos suíços são bem conectados à internet e ouvir sucessos internacionais”, sublinha.

Ser emigrante tem os seus prós e contras. “A Suíça é a minha residência principal digamos. Tenho cá muitos dos meus amigos, o que compensa um pouco a ausência da família, quase toda ela em Portugal. Gosto do lado pragmático das pessoas, da organização ao dia a dia, da natureza vibrante. Gosto da democracia direta. Tantas coisas” refere o cantor. Mas consegue encontrar alguns pontos negativos, nesta experiência. “O excesso do organização por vezes, da falta de espontaneidade geral, da segurança social e rendas tremendamente caras, o excesso de luxo também, que me indispõem tanto como a pobreza extrema que pude ver na India, o talvez mais até”, salienta12346593_1014331678628376_4384793718566006510_n.

Na música é sempre difícil descrever o seu próprio talento. Contudo, Mourah consegue encontrar as palavras essenciais. “ Procuro sempre fazer uma música autentica, ou seja em fase com a minha sensibilidade e sentimentos. Nunca entra em questão a ideia de fazer algo para agradar aos outros ou com um intuito comercial. Penso que é a chave para ser feliz naquilo que se faz e as pessoas intuitivamente acabam por dar valor ao trabalho. A minha música navega entre a electro, a pop, trip-hop, rock alternativo. Gosto de misturar e variar os prazeres”, refere.
E em jeito de conclusão, Eça de Queiroz sempre nos deixou com orações que nos deixam a pensar. “Em Portugal quem emigra são os mais enérgicos e os mais rijamente decididos; e um país de fracos e de indolentes padece um prejuízo incalculável, perdendo as raras vontades firmes e os poucos braços viris”, escreveu há uns anos.



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