O toque luso no garfo helvético

07Nov13

Não é novidade nenhuma que são muitos os portugueses que iniciam a carreira de emigrante num hotel ou restaurante. Há quem descubra uma vocação que nunca antes tinha posto sequer em hipótese de fazer carreira. Para estas pessoas dedicadas à hotelaria, a Gastro Suisse criou o projecto ‘Progresso’.

Há vários portugueses inscritos de diferentes zonas do país. Sandra Marques vive em Mürren e trabalha no restaurante Schiltorn Piz Gloria, a 2970metros de altitude. Um ponto onde James Bond filmou a primeira película da saga 007. Está a tirar o curso de servir às mesas e está satisfeita.Apesar de já ter experiência porque trabalhei na área em Portugal, aqui na Suíça se não tiver um curso aprovado pela Gastro Suisse, o patrão não é obrigado a pagar me além do valor estipulado na tabela para trabalhadores, sem formação específica na área, ou seja, sem curso. Para mim pode me ajudar muito em termos profissionais, pois posso continuar a ter formação na área da gastronomia”, refere. E acrescenta: “O curso tem três fases: a primeira teve duração de duas semanas. Depois é necessário um período no mínimo dedois meses para trabalhar, pôr em prática o que aprendemos e realizar trabalhos que a escola manda para o chefe do restaurante para eu fazer com a supervisão do patrão.Esses trabalhos são fotografados e é feito um relatório pelo chefe e mais tarde são enviados para a escola. Depois a segunda fase dura mais duas semanas e a terceira uma semana. Em todas as fases são feitas avaliações, quer pela prática quer pela teoria.DSC01762

Na teoria os alunos aprendem o porquê das regras que são ensinadas quando servem ás mesas. Devem servir os pratos pela direita do cliente com a perna esquerda à frente e o prato na mão direita. Uma das razoes é não incomodar o cliente nem tocar, a perna esquerda á frente serve para proteger a intimidade. Aprendem as regras de higiene na gastronomia, desde a apresentação pessoal ao correcto manuseamento de alimentos e bebidas, e não pouco importante, as regras de bem receber os clientes são bem referidas pelos professores.

Na prática aprendem todos os tipos de servir ás mesas que existem em banquetes ou á-la-Carte, serviço em que a comida já vem no prato ou serviço que são os empregados mesmos a empratar o prato á frente do cliente e com a quantidade que o cliente quer. Aprendem a tranchar carne e a filetar peixe. Os professores ensinam a pôr todo o tipo de mesas com todo o tipo de talheres e copos, a servir correctamente o vinho e tudo sobre os vários vinhos e bebidas. Os alunos são preparados para organizar eventos, a resolver problemas que surjam com os diferentes tipos de reclamações dos clientes. Aprendem a trabalhar com todo o tipo de utensílios e máquinas existentes num restaurante ou buffet.

Quanto à avaliação, Sandra esclarece: “Somos avaliados diariamente desde a apresentação e higiene pessoal, á colocação de perguntas. Também nos são dadas tarefas: por exemplo há um dia que somos chefes de service e temos de organizar a equipa, estipular para cada um, as tarefas a desempenhar, preparar o restaurante, receber os cliente e servir a refeição. E somos avaliados pelo professor durante todo o tempo. Ele corrige o que está errado e explica- nos formas de trabalhar em equipa de modo a que corra tudo bem num dia normal de funcionamento de um restaurante. Em cada semana é feito um teste de avaliação teórica e um de prática.” No que toca aos professores, Sandra não deixa elogios de lado. “Eles são muito bons e competentes. Qualquer dúvida que tenha sabem esclarecer, conseguem perceber quais as nossas capacidades e dar ênfase a que tenhamos orgulho nos objectivos alcançados. Mesmo nos nossos pontos fracos não nos desanimam, mas pelo contrário dão sempre o ponto de vista deles de uma forma que não nos desmotiva, mas sim dá nos mais vontade de nos esforçar-mos para na próxima vez fazer-mos melhor”, complementa a aluna.

 

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Filipe Pereira tem 34 anos e é ajudante de cozinha. Está a tirar o curso de cozinheiro no Progresso. É dos primeiros a aconselhar este projecto aos novos portugueses. “É muito bom ter um diploma na vida, assim podemos sempre começar com um nível mais alto do que aqueles que não têm nada. Na mundo da cozinha aprendemos tudo sobre os ingredientes e como se faz. Ensinam-nos como gerir uma cozinha, as regras de higiene, várias receitas, entre muitas outras coisas”, refere. Não esconde o que mais aprecia. “O grupo com quem convivemos dia a dia é o que mais gosto do curso. As aulas práticas também são fantásticas, aprende-se bastante e claro é sempre delicioso comer-se bem”, confessa.

Deixa-se levar pelo encanto de aprender e observa-se nos olhos de Sandra, uma satisfação espantosa . “Ingressei neste curso porque quero aprender coisas novas e sinto que posso crescer dentro desta empresa, e na Suiça só sobe profissionalmente quem não encolher os braços e quem for á luta. E o que mais gosto é saber que estou a aprender corretamente as regras desta profissão, sinto- me com mais motivação para trabalhar e aprender ainda mais, sei que vou ficar com as bases para novos desafios profissionais. Sinto que o Progresso vai ser o meu primeiro degrau para subir nesta área”, sublinha entre sorrisos.

Informações:

Hotel & Gastro formation
Abteilung Progresso
Herr Mike Kuhn
Eichistrasse 20
6353 Weggis

Tel: 041 392 77 77
http://www.hotelgastro.ch

E-mail: A.Orucevic@hotelgastro.ch

 

In Gazeta Lusófona, Novembro 2013 gl_08



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