Não só da hotelaria vivem os portugueses

02Set13

Três homens com vidas distintas, mas com três semelhanças: são portugueses, vivem na região de Berner Oberlander e só querem ter uma vida perfeita coberta de estabilidade, ventura e glória.

São muitos os portugueses que começam pela hotelaria, porque é o mais simples e no fundo é o trabalho que não necessita do domínio da língua alemã. Há quem se deixe ficar, porque goste ou adapte-se perfeitamente. Mas também encontra-se pessoas que procuram a sorte noutras áreas. Com o tempo começam a dominar a língua e a pouco e pouco vão subindo nos postos de trabalho. Não baixam os braços e fazem de tudo pelo sucesso perfeito. São emigrantes ou filhos de emigrantes.

Em Lauterbrunnen, Nelson da Silveira é director de operações de carga, na empresa de comboios Jungfraubahn. Está na Suíça há três anos. “Uma vez que tinha casado recentemente, decidi em conjunto com a minha esposa emigrar para podermos concretizar os nossos objetivos. A adaptação é sempre difícil porque é necessário começar do “nada”, num país que não é o nosso, com modos de vida diferentes e custa principalmente estar longe da família”, conta. Concluíu o 9 ano na Alemanha e conseguiu adaptar-se facilmente à língua alemã. E há episódios caricatos. “ No Inverno com a caída de neve e a entrada e saída de camiões o chão ficou cheio de lama, então o chefe sugeriu-nos que lavássemos o chão e o que se sucede? O chão ficou “vidrado” e todos que lá passavam caíam”, recorda com gargalhadas. Mas também houve momentos mais aborrecidos. “ Quando estava a aprender troquei mal a linha para o comboio passar o que fez com que o comboio descarrilou”, partilha.

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Pensa em regressar em Portugal, mas não é para já. “O meu objetivo neste momento é ficar aqui na Suíça, para poder regressar a Portugal assim que esteja economicamente melhor e então continuar a minha vida por lá”, refere. Mas acrescenta: “Gostava de voltar porque gosto das minhas origens, do meu país e acima de tudo para estar mais próximo da minha família.Eu sou muito defensor da Pátria e então acho que para se tomar a decisão de “abraçar” um novo país tem que se ponderar bem os motivos que nos fazem sair do nosso país, mas depois de tudo ponderado diria que é um ótimo país para viver, trabalhar, enfim para ter uma vida “descontraída” coisa que neste momento não conseguiria ter em Portugal.”

Há quem emigre, mas também há quem nasça Suíço. Roberto Figueiredo fez escola até ao 10 ano e depois começou a aprendizagem como gestor na Fipla, onde actualmente trabalha. Tem uma rotina rodeada de papéis, mas não se importa. “Na Firma onde trabalho tratamos de diversos assuntos. Fazemos Seguros (Carro, Vida, Casa, etc), caixas de doença, preenchemos impostos e fazemos contabilidades. A Fipla AG tem contratos com bastantes companhias de seguros e assim podemos sempre escolher a melhor oferta para o cliente, tanto que seja de carro, caixa de doença ou outras coisas. Nesse aspecto não estamos presos a uma companhia, e temos sempre as melhores soluções para os nosso clientes. Entre Janeiro a Maio preenchemos bastantes impostos dos diversos cantões”, explica. E salienta: “No meu trabalho sou responsável pela administração das caixas de doença (fazer ofertas, controlar contratos, rescisão de contratos etc). Depois faço traduções de alemão para português e de português para alemão. Preencho impostos para os nossos clientes e tento optimar as finanças dos meus clientes, caso em impostos (onde podem poupar) caixas de doença etc. Também ajudo a preencher papéis para a Rav.”

Tem nos planos ficar por aqui, mas gostaria de um dia trabalhar num assegurador ou nos impostos. Gosta de ir de férias a Portugal, mas apenas para descansar. Nunca sentiu de perto a descriminação. Contudo, há momentos em que sente um olhar de esguelha. “Há pessoas mais velhas que as vezes tem dificuldade em aceitar que uma pessoa mais jovem lhe explique uma coisa. Mas até hoje felizmente nunca me aconteceu que alguém me descrimina-se”, conta.

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No ano de 1988, Diego Garcia nasceu em Thun. Sempre se habituou aos Alpes e é aqui que tem os amigos e a família, mas confessa que na escola, escrever alemão era um processo complicado. Começou a trabalhar cedo na construção, mas actualmente é isolador de casas. Tem as suas preferências quanto aos passatempos, mas no Verão não deixa a piscina de lado. “Trabalho das 7h00m às 17h00m. Depois ou vou à piscina ou vou aos treinos de futebol. Às vezes também vou à cidade beber alguma coisa com os colegas. É sempre divertido sair com eles. Mas os domingos são aborrecidos, porque não se sabe muito bem o que se fazer.” Gosta de viver aqui e não faz questão de regressar ao país luso. Mas já sabe como lidar com os suíços. 

“Na Suíça não se pode fazer muito barulho, muito menos à noite e aqui eles são muito chatos com isso. São mais chatos do que nós, por qualquer coisa, implicam”, declara.


Todos procuram uma vida melhor e uma felicidade constante. Não se deve é nunca desistir. Porque como já dizia Augusto Cury: “Apesar dos nossos defeitos, precisamos enxergar que somos pérolas únicas no teatro da vida e entender que não existem pessoas de sucesso e pessoas fracassadas. O que existem são pessoas que lutam pelos seus sonhos ou desistem deles.”Há quem fique em Portugal e quem queira aventurar-se, mas falta um pouco de coragem. Mas para isso Diego Garcia aconselha: “A verdade é que aqui ganha-se bem e pode-se viver melhor do que em portugal se tiver um bocado de cuidado com o dinheiro, porque também se paga muito de casa, seguros, taxas etc.

 

In Gazeta Lusófona, Setembro 2013



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