Uma prancha de adrenalina

30Abr13

O Inverno terminou e com ele a neve bem clara desaparece lentamente. O sol que amanhece cada dia já é forte e convida a umas joviais caminhadas. As multidões nas pistas já se evaporam dia-a-dia e os tempos de chuva deixam a neve já sem ‘poder’ para os amantes do esqui e do snowboard poderem descer em segurança. Mas nunca é demais perceber como nasce um verdadeiro snowboarder e como se aprende a técnica. Aprende-se em português na zona de Zermatt.

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Desliza-se, salta-se e voa-se. Sente-se de perto o poder de tocar no algodão das nuvens que completam o doce céu. Um desporto com atitude para quem gosta de desafios. Uma actividade onde se pode ser original nas decisões, utilizando a criatividade como chave para a adrenalina do sucesso. Assim é o snowboard. Para quem valoriza a sensação de liberdade, para quem procura a evasão e acima de tudo para quem procura um contacto com a natureza, no absoluto respeito pelo ambiente e pelas regras de segurança. Aqui sente-se tudo de todas as maneiras e não há problema em cair.

Avistar um rapaz a descer com uma prancha, aos 14 anos, foi o ponto de partida para Vasco Countinho descobrir a magia do snowboard. Chegou à Suíça com sete anos e até hoje já percorreu as estâncias de Verbier, Saas-fee, Laax, Andermatt, Crans- Montana, Les-Diablerets, Zermatt etc. Mas houve umas que ficaram na memória. “ Gostei mais de Zermatt por não ter automóveis e tudo estar a 10min de passeio. E Verbier pelo acesso extremamente rápido às zonas de freeride”, revela. Para quem não sabe o freeride (descida livre) é a forma que o homem e a neve mais se unem à natureza, fora

das pistas e até mesmo fora das estações. Nas competições, este estilo é chamado extreme (extremo). O freestyle (estilo livre) é praticado com obstáculos naturais e em pistas com obstáculos feitos para saltos, onde os snowboarders fazem manobras como no skate (aéreos, 540º ,etc) só que com uma vantagem: a prancha é presa nos pés por uma bota de snowboard. Esse é o estilo de maior semelhança ao surf.

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Um pouco de história

O surf, o skate e o esqui influenciaram o aparecimento do snowboard. Tudo começou no princípio dos anos 20 do século XX, quando os jovens desciam pendentes nevadas agarrados a pranchas de madeira. A primeira prancha de snowboard data o ano de 1929 e nasceu das mãos de M.J. Burchett: era constituída por uma prancha de madeira sobre a qual se amarravam os pés por meio de cordões e panos. Em 1963 um jovem adolescente de nome Tom Sims fez, no âmbito de um trabalho escolar o primeiro “ski board”. No ano seguinte o snowboard torna-se desporto de corpo inteiro. Sherman Poppen, pai de uma jovem adolescente com a ideia de a fazer andar de trenó, em pé fez-lhe uma espécie de trenó juntando um par de esquis. Todos os jovens da zona admiraram esta forma de deslizar na neve, o que levou Sherman Poppen a desenvolver o seu conceito de deslizar, que comercializa primeiro na sua aldeia e depois através das lojas de desporto e de brinquedos. Baptiza-o com o nome  de « Snurfer », do inglês neve mais surf. 

Embora este desporto tenha poucas décadas de existência já criou o seu leque de estrelas lendárias. Shannon Dunn foi a primeira americana a ganhar uma medalha na modalidade nos Jogos Olímpicos de 1998, onde conquistou o bronze na competição de halfpipe.  Terje Haakenson já foi chamado do “Michael Jordan, o deus” do snowboarding pelas  suas manobras inacreditáveis. Craig Kelly foi um dos snowboarders mais bem-sucedidos do mundo, com quatro títulos mundiais e três no U.S. Open. Aposentou-se do desporto para trabalhar como guia de pistas alternativas, mas em 2003, aos 36 anos foi morto por uma avalanche enquanto trabalhava como guia numa viagem de helicóptero para esquiadores na British Columbia.

Aliou a fotografia a este desporto, mas não esconde o encanto pelo mesmo. “A possibilidade de descer montanhas sobre uma tábua, o que nos da uma enorme sensação de liberdade e adrenalina viciante”, são as palavras que o português define este grande desporto. Mas acrescenta: “Ensinar snowboard foi uma maneira de conseguir concretizar um forte desejo de viver na montanha.”  Ensina em Português, Francês, Espanhol, Italiano, e Inglês. Qualificou-se como professor na ‘Swissnowsports’, onde obteve o mais alto nível do snowboard. Qualquer um pode reservar uma aula na altura do ano que desejar. Há aulas individuais e em grupo para todos os níveis, para crianças a partir dos seis anos de idade. Caue Weiss é empresário no Brasil e veio até à Suíça com a mulher e os filhos, onde aprenderam com o Vasco em 15 aulas, a fazer as manobras essenciais do snowboard. “ O professor foi-nos indicado pela empresa Zermatt Ski Challets, como sendo um óptimo intrutor para os meus filhos Alani de 8 anos e Dhyano de 10. As crianças aprenderam bem rápido e gostaram muito dele. Sempre foi paciente, alegre e atencioso. E ele deu-nos um grande conselho: «O exemplo de estilo de vida saudável e divertida está sempre em contato com a natureza sempre»”, conta o empresário brasileiro.

O quotidiano é cheio de epinefrina, de frenesins nas pontas dos dedos e carregado de stress. Uma pequena adrenalina que nos faz esquecer dos objectos mais básicos. “Um dia saí de casa apressado para dar uma aula, porque tinha saído na noite anterior com alguns amigos e o despertador naquela manhã decidiu tocar mais baixinho. Chegar atrasado a uma aula é inaceitável (quem ensina sabe). Apressei-me e fiz o check up diário, skipass, luvas, óculos algum dinheiro, telemóvel, etc. Tinha tudo. Saí de casa a correr para apanhar o autocarro e poupar alguns minutos. Quando cheguei à paragem depois de um pequeno sprint sentia me estranhamente mais leve e mais ágil. Ao mesmo tempo que avistei o autocarro dei conta que me tinha esquecido da prancha de snowboard em casa. Ri-me para comigo e pensei, ‘vais chegar atrasado’ e cheguei mas a ironia da sorte esteve do meu lado e os clientes também chegaram atrasados”, conta Vasco, entre risos.

São milhares de episódios que acontecem durante as imensas aulas de descidas com adrenalina, mas o professor não tem receio de contar um momento caricato. “Ensinar uma senhora com 68 anos em 2003 foi uma aula inesquecível. Ela tinha praticado esqui durante 25 anos, mas disse-me que gostava de experimentar o snowboard, porque já dominava o esqui e queria ter um novo desafio. No final do dia estava a descer pistas azuis e controlava bem as duas curvas. Ensinar -lhe snowboard foi muito gratificante, mas para além de tudo ficou -me gravado na memória que nunca é tarde de mais para aprender algo de novo”, revela.

Informações:
Vasco Coutinho
+41 787784413
info@latitude46.net
www.latitude46.net

In Gazeta Lusófona, Maio 2013

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