Injúrias sem substância

11Abr13

Não é de hoje que o Hospital de Interlaken é motivo de conversa entre Portugueses. As histórias de pouca justiça e alguma falta de respeito são mais que uma mão cheia, quando se aborda as empregadas de limpezas de origem lusa. 
A emigração portuguesa para as terras suíças não é de hoje. Desde o século XIX, muitas famílias lusas encontraram nos solos helvéticos, uma esfera de repouso. Mas a actual crise económica em Portugal tem feito crescer os números de emigrantes. Segundo o Departamento Federal de Migração, até final de Agosto de 2012, o número de portugueses nos Alpes é de 234.074.

Interlaken Hospital

Muitos saem do país que nasceram à procura de melhores condições, estabilidade e acima de tudo, uma certa qualidade de vida. Compram bilhete só de ida, fazem malas e mais que bagagens. Chegam à Suíça, tentam encontrar um trabalho e começam uma nova vida. Mas por vezes, durante o percurso profissional, muitos sofrem uma certa discriminação.

Maria Pinto acompanhou o seu marido e emigrou há 30 anos para o país dos chocolates. Estabilizou-se na região de Jungfrau e trabalhou durante muitos anos no Hotel Stella de Interlaken, como empregada de quartos e limpeza. Em Janeiro de 1992 começou a trabalhar no Hospital de Interlaken, encarregada de limpar as salas de operações. Mas recentemente foi uma forte vítima de discriminação, o que levou à sua saída do edifício de saúde.

Foram muitos os episódios de discriminação e de mau trato. Os patrões ignoravam e apenas afirmavam sem substância, que a Maria não sabia fazer nada. Mas há um que a portuguesa não deixa para trás. “Depois de me mandarem a um psiquiatra da confiança deles, queriam-me obrigar a assinar uma folha, onde dizia que me podiam colocar a trabalhar com o método deles. Por exemplo, podiam arranjar um atestado médico para me reduzirem o turno de oito vezes para cinco vezes no mês”, conta. Mas acrescenta: “São só apenas alguns pontos porque se passou muito mais, como impedirem-me de ir a um médico na hora de trabalho, tendo o direito a um dia por ano. Não me deixavam fazer uma pausa que tinha direito. Obrigaram-me a assinar papelada à força, não responderam às minhas cartas, etc. Foi uma humilhação de tal maneira, que só quem passa por elas é que sabe do que falo.”

Para superar esta situação, Maria Pinto só sugere: “Pelo menos duas pessoas devia-lhes ser tirado o cargo, porque não cumprem os direitos humanos e muito menos as regras de trabalho que esta estipulado entre acordos (GAV)”.

Interlaken Hospital Indoor

Mas do outro lado, o director geral, Urs Gehrig tem uma versão diferente. “O serviço foi reorganizado no hospital. Em vez de atribuir a limpeza a uma empresa externa mais barata, os processos na equipa de limpeza foram optimizados e formaram novas lideranças. A maioria dos nossos funcionários adaptou-se bem às alterações. Contudo, outros tiveram alguns problemas com a nova situação. Mas em geral todos os funcionários são muito felizes e gostam de trabalhar neste hospital.”

O estabelecimento de saúde acolhe empregados de diferentes países. Desde a Alemanha, aos Balcãs, passando pela Holanda, Espanha, Sri Lanka, Portugal, entre outros, cada nacionalidade marca a sua presença. “Mas esta composição multicultural é por vezes um grande problema de linguagem. Porém todos eles trabalham bem em equipa e aqui ninguém é discriminado”, completa o director. Mas acrescenta: “ Actualmente temos 17 portugueses a trabalhar connosco (principalmente na indústria de hospitalidade), 15 dos quais estão há vários anos na nossa companhia. Agradecemos muito trabalhar com eles, trabalham muito bem.”

Porém, Maria Pinto não esquece os tristes acontecimentos.” Éramos tratadas como animais só que muita gente não se manifesta com o medo de perder o emprego”.

In Gazeta Lusófona, Abril 2013



2 Responses to “Injúrias sem substância”

  1. 1 Antonio Manuel Pinto

    Concretamente, por razões de saúde havia um atestado medico para reduzir o turno 8 noites para 5 pela trabalhadora que não foi reconhecido no inicio pelo seus superiores, para além de varias cartas que escremos tambem houve varias reuniões que simplesmente em nada davam, assim como a 14 de Janeiro houve uma reunião em dividual com cada Trabalhador sobre o problema de mobbing, ja lá vão dois meses e nada se sabe, sabe-se que dali so sai informação que nao é correta. nos ultimos tempos foram dezenas as pessoas que deixaram aquele local de trabalho e algumas com problemas graves de saúde.

  2. Thanks in favor of sharing such a nice opinion, article is good, thats why i
    have read it entirely


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: