Em Grindelwald há ‘uma casa portuguesa com certeza’

15Mar13

Está aberta há cerca de cinco meses, mas a ‘Casa dos Santos’ durante as três horas diárias que abre portas não tem mãos a medir. Os clientes não páram de chegar e as prateleiras esvaziam-se lentamente. Há produtos para todos os sabores. Abre à uma da tarde e fecha às quatro.

 

João Santos, o proprietário.

João Santos, o proprietário

“Numa casa portuguesa fica bem, pão e vinho sobre a mesa. E se à porta humildemente bate alguém, senta-se à mesa co’a gente”, um excerto de Amália Rodrigues, que João Santos levou em consideração quando abriu o seu estabelecimento no número 36 da Spillstrasse, em Grindelwald. Na ‘Casa do Santos’ quem entra depara-se com um enorme sorriso e recebe  graciosamente uma bebida. Um mimo de boas-vindas.  Pode optar por uma cerveja, um copo de vinho, um sumo ou até mesmo um café português bem quente.

Persistência. Ambição. Objectivos. Três substantivos que nem todos conseguem encaixar na sua vida diária. Mas João Santos não teve medo de arriscar e apenas tem ganho com a sua cupidez e grandiosa determinação. “Há dois anos que tinha esta ideia. Já cá estou há 15 anos e sou chefe de serviço num hotel. Comecei por fazer entregas ao domicílio. Tirei a primeira licença que eram só para bebidas alcoólicas. Depois começaram a pedir mais coisas. Em Grindelwald não há nada português, um centro, uma loja e ainda somos cerca de 1500 portugueses a viver aqui. Queria fazer algo pelos portugueses daqui, facilitar a vida. No fundo, era para não terem de se deslocar tão longe para buscar qualquer coisa portuguesa”, conta orgulhoso, o proprietário.

“Prefiro ter uma margem de lucro muito mais pequena. Em vez de ter 30 %, tenho 10%, mas tenho clientes assíduos e que preferem comprar aqui. Todos os produtos que eu tenho aqui são mais baratos que a concorrência das grandes superfícies. Não tiro uma margem grande , mas consigo que compram”, refere o proprietário. E acrescenta: “Neste momento não estou a viver disto. É um trabalho extra, tenho o meu emprego a 100% e é um investimento na minha pausa. É tudo legal, mas estou a fazer aqui três horas extra.

Na curta meia hora que cá estamos, entram e saem mais de uma mão cheia de fregueses. Mais portugueses, mas também suíços.

De impermeável claro e calças escuras, e com mais de 70 primaveras, Paul Feuz faz a sua visita diária à ‘Casa dos Santos’. Todos os dias vem beber a sua cerveja. Hoje é dia de Super Bock. Em palavras alemãs deixa-se levar e confessa: “Gosto muito do vinho tinto e de aguardente de reserva. Aqui costumo comprar também outro vinho, cerveja, sardinhas e cognac.”

Mas com sotaque nortenho, António Gonçalves também já é um cliente assíduo, mas não diariamente. “Não venho cá todos os dias, mas quase todas as semanas dou cá um salto. É quando me falta algo em casa. Compro carne, peixe, mercearia. Foi bom ele ter aberto esta loja, porque não havia aqui nada de nada. E já fazia falta. Somos tantos portugueses a viver aqui”, salienta.

Fornece três hotéis suíços em Grindelwald. Desde sete qualidades de vinho tinto e branco, terminando na cerveja que é o que mais procura a discoteca. Mas segundo o dono, os suíços compram muita cerveja e peixe. Faz entregas ao domicílio grátis por Lauterbrunnen, Grindelwald, Mürren e Interlaken.

Da loja sai de tudo um pouco. Há 38 variedades de peixe, entre elas, polvo, camarão, chocos, douradas. Duas vezes por semana este espaço português recebe carne fresca. Mas também há carne nas arcas frigoríficas, como as moelas, asas de frango, entre outras. Os produtos não param de chegar. E como uma expressão bem portuguesa: ‘há comes e bebes’ para todos. Há queijo, presunto, chouriço, manteiga, tudo com o rótulo português. E nos bebes, o que sai mais é a cerveja. Os lusitanos preferem a Sagres, já os do norte não trocam nada por uma Super Bock bem fresca. A mercearia esgota todas as semanas, mas agora o único problema de João Santos é a falta de capital para pedir produtos com mais frequência. Todas as semanas faz e descarrega encomendas. Porém, o processo de entrega não é fácil. Inicialmente o produto vai para a central em Zurique e é aí que João Santos faz o seu pedido. “O grande problema é que ninguém quer vir à montanha, é muito caro. O produto se for comprar em Interlaken tem um preço, se for comprado aqui tem outro. Só a partir de uma encomenda de 3.000 francos é que me trazem cá a cima. De outro modo, recusam-se”, confessa.

Um novo espaço que promete crescer. “Mais tarde, quero abrir aqui um bar português”, sublinha João Santos. Uma missão cumprida mas que está longe de estar completa. E como cantava Carlos Paião: “…Leve um souvenir, para se prevenir, contra a saudade habitual, um souvenir de Portugal…”

 

In jornal Gazeta Lusófona, Março 2013.



2 Responses to “Em Grindelwald há ‘uma casa portuguesa com certeza’”

  1. 1 Rosa Anjos Baailio

    Tenho muito orgulho em ti maninho, es o melhor. So tenho pena é de tar tao longe. Força nao desistas, tu consegues. Beijinhos

  2. 2 João Santos

    Muito obrigado Pelo apoio Todos os dias a trabalhar para Melhor servir um abraco a Casa Santos deseja a Todos os Clientes e nao Clientes uma Pascoa Feliz ate breve


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