Premiere: the last take

23Maio12

Nem todos têm o mesmo encanto. Uns vivem para a música, outros sobrevivem a pintar ou a escrever, mas há ainda uns seres humanos que se deslumbram com feitiço do cinema. A grande tela com projeções de imagens.

E foi em Paris que esta grande sétima arte fez-se notar pela primeira vez, com os Irmãos Lumière no Salão Grand Café. Aqui o pai dos pequenos organizou no final do ano de 1895 (precisando a data de 28 de Novembro) a primeira exibição paga de filmes. O evento causou furor nos mais de 30 espectadores. Foi a maior notícia nos jornais da época e o novo ano começou com a conquista do mundo, desta nova arte que fez nascer uma indústria multibilionária sem fim à vista.

 

Este sucesso foi crescendo entre países e por todo o mundo. E com ele criou-se a necessidade de criticar, de escrever, de expor opiniões, de falar sobre os efeitos do processo cinematográfico. Papel e caneta na mão. Por uns anos. Mas anos mais recentes, um teclado, um monitor e uma impressora tornaram o acesso às publicações sobre cinema mais fácil.

Em 1911 foi publicada a primeira edição popular cinematográfica nos Estados Unidos: Motion Picture Story Magazine.

Em Portugal, onde a cultura não pára de crescer, a Prémiere, a primeira revista sobre este sublime sucesso foi publicada em Novembro de 1999.

Uma revista cheia de vida, de imagem, de conteúdos informativos e acima de tudo que esteve sempre em cima do acontecimento. Mantinha qualquer fanático do cinema, atualizado sobre qualquer género de filme. Seja romance, ação, drama, ficção científica, a Prémiere tinha um cantinho especial para cada membro do público assíduo na cadeira da grande tela.
Infelizmente parece que desta vez não é simplesmente uma descontinuidade como em 2007 aconteceu. A primeira edição gerida por José Vieira Mendes esteve a quatro edições de celebrar a 100ª edição, mas não foi possível. E em Outubro foi lançada a última publicação. Mas passado precisamente um ano, na primeira semana do mesmo mês a Prémiere volta ao seu lugar nas bancas das papelarias. Contudo, chegou ao fim. Esta segunda série liderada pelo grupo Multipublicações teve 39 números e chegou ao fim em Dezembro de 2011.

Apenas é resultado da crise que atacou Portugal e que é um autêntico beco sem saída.

Fico agora na esperança que seja apenas outra fase de descontinuidade, porque Portugal necessita da Prémiere, precisa de cinema não só na tela, mas sim nas bancas da escrita. Porque é necessário ler em papel sobre esta grande sétima arte. Resta-me ainda agradecer a todos os que fizeram parte da família Premiere. Aprendi, ri-me bastante e apurei o meu sentido crítico do cinema. No fundo aprendi a olhar para os filmes de outra perspetiva. E a ter sempre um frenesim no início de cada mês, para saber quais seriam os destaques cinematográficos. A curiosidade subia à medida que chegava à papelaria e me diziam: mais uns dias…ou ‘este mês está um bocadinho atrasada.’ Sempre acreditei e nunca duvidei que este atraso mais tarde daria azo a muita emoção na leitura das páginas criativas.

 

Até já  Prémiere. Volta breve.

 



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