Empresas tomam medidas para enfrentar a crise económica

15Jun10

CONCELHO DE VILA FRANCA DE XIRA

As dificuldades das empresas são mais que muitas com a crise instalada. O Vida Ribatejana mostra como é que algumas das principais empresas da região procuram enfrentar as dificuldades.

Na mercearia, as pessoas mais velhas refilam dos preços que aumentam. Na bomba de gasolina, com a mão a premir a mangueira e enquanto enchem o depósito, os mais jovens sussurram que tudo está mais caro. A crise económica é um assunto abordado todos os dias por toda a população. Todos sentem o aumento do custo de vida no bolso. Hoje em dia assiste-se cada vez mais a um agravamento no que respeita ao preço das matérias-primas e não só. Uma queixa por não haver dinheiro, outra pela subida de valores, são as conversas abordadas pelos portugueses nas ruas da cidade de Alverca. As pequenas e médias empresas não escapam à crise e adoptando um ou outro método, conseguem sobreviver a esta fase difícil.

No concelho de Vila Franca de Xira, as empresas são algumas e já contam com alguns anos no mercado, mas os trabalhadores não baixam os braços nesta tarefa complicada de estabilização.

As hélices, as portas automáticas, as asas, os motores profissionais, tudo é essencial para montar um avião com qualidade e segurança. O cinzento e os tons brilhantes cobrem a empresa aeronáutica. As aeronaves sempre fizeram parte da história da cidade de Alverca do Ribatejo.

Situada paralelamente à estação ferroviária e fundada em 1918, a OGMA é uma empresa de actividade aeronáutica com uma longa e conceituada tradição. Serviços aeronáuticos, aviação executiva, aeroestruturas são os elementos que compõem a OGMA. Contudo, não consegue fechar os olhos à crise instalada, mesmo sendo qualificada no mercado da aviação tanto civil como militar. “Uma vez que lidamos com operadores de companhias aéreas, sente-se a crise mais directamente, de forma mais imediata. Com os construtores a crise nota-se de forma mais tardia uma vez que as aquisições de aeronaves são feitas com anos de avanço, sendo por isso notada a crise em anos seguintes a ela efectivamente estar instalada”, realça João Santos, promotor de marketing da OGMA. Os ruídos das máquinas fazem parte da banda sonora do quotidiano dos trabalhadores. “É uma grande empresa com 90 anos de experiência e que conta com valiosos recursos humanos altamente qualificados, prontos para novos desafios”, sublinha o promotor com orgulho.

Dos aviões para o metal. Com cerca de 100 colaboradores a trabalhar e investindo na formação e aquisição de mão-de-obra especializada, a Dustrimetal é uma empresa a operar no sector da metalomecânica das construções metálicas. Começou com uma simples oficina e hoje em dia, a Dustrimetal Metalúrgica apresenta-se com instalações em Alverca, capazes de sustentar a produção e montagem de todas as estruturas em obra. A ampliação das instalações, concluídas este ano proporcionou um aumento significativo na área de produção e escritórios.

Aumento dos combustíveis e das matérias-primas complicam

O aumento exponencial dos preços das matérias-primas e combustíveis, bem como o abrandamento das obras públicas, foram os inícios da crise. Para combater esta realidade, o director geral Domingos Cabana refere que: “Tivemos que fazer uma selecção mais exaustiva de novos clientes que apresentaram boas condições financeiras, apesar da falta de obras na generalidade. Optámos ainda por uma redução de custos e uma gestão mais apertada em todo o processo de fabrico.”

O cheiro dos enchidos nos corredores dos supermercados salta a vista de todos. Porém, muitos gostariam de poder levar para casa um ou outro, mas o dinheiro não chega e os chouriços acabam por ficar na prateleira.

À saída de Alverca, perto da bomba de gasolina encontramos a Sandometal, uma indústria direccionada para o ar condicionado. Entra-se e espera-se. Aqui respira-se ar e bem fresco. Os esboços das peças em contornos escuros compõem os vários papéis que se encontram na secretária dos escritórios da administração. Os tons escuros das paredes, as máquinas azuis completam os armazéns da indústria de ar condicionado.

Pagamentos Atrasados

Uma empresa que também não consegue passar ao lado da crise económica e vai encontrando novos e bons métodos para conseguir ultrapassar este degrau mais difícil. Luís Ranito, administrador da Sandometal confessa que: “Nós sentimos muita dificuldade nos recebimentos. As empresas prometem e não cumprem. Há muita dificuldade no crédito da banca e nós alargamos o plafon que tínhamos e mesmo assim eles não correspondem.” E acrescenta: “Houve uma redução nas encomendas. Houve uma descida muito grande nos recebimentos.” Com a recente actividade na Castanheira do Ribatejo a crise a nível de mão-de-obra não é tão dura. “Nós temos tido a possibilidade de quando falta trabalho num dos sectores, vamos jogando com as pessoas e em termos de facturação, baixa num lado mas aumenta noutro. Temos conseguido navegar. Temos conseguido manter o equilíbrio no que toca ao trabalho. Não é um ano 100% normal, mas pode-se dizer 95% normal em termos de trabalho”, conta o administrador.

Um acontecimento celebrável. Uma festa com os amigos. Um copo de cerveja ou uma limonada. Nos dias de hoje, muitos são os jovens que se juntam em casa à noite e divertem-se na mesma. Vários grupos de amigos optam pelo mais económico.

O cheiro da cevada fermentada invade uma curta distância na estrada nacional 10, em Alverca. Os camiões longos atravessam a fábrica de uma ponta à outra. As letras fortes e grandes não deixam dúvidas que estamos na central de cervejas e bebidas.

Nem o sector das bebidas escapou à crise e os métodos foram postos em execução. “A empregabilidade para nós é determinante. Portanto, nunca questionámos os postos de trabalho, mas os quadros não foram aumentados este ano. Adiámos investimentos que não eram prioritários e focalizamo-nos em termos de marketing. Dedicámo-nos mais apoio aos nossos clientes que estão a passar dificuldades e cortámos despesas que não eram necessárias”, comenta Nuno Pinto Magalhães, administrador da empresa.

A nível de clientes houve uma quebra. Contudo, o administrador salienta: “Mas nem tudo é mau e este ano, tivemos um Verão de 2009 muito bom e 40 % das nossas vendas é nesta época.” A Central de Cervejas, todos os anos tem novos projectos. Nos meses de maior calor, o público deseja muitas vezes ter na mão uma cerveja fresca. “A implementação do barril de 5 litros tem sido um sucesso, agora com a crise as pessoas saem menos. As pessoas podem beber em casa, uma imperial como se fossem à rua. As pessoas retomaram as origens, fazem festas com amigos em casa, vêem futebol em casa. E todos estes factores ajudaram a combater a crise”, refere Nuno Magalhães com entusiasmo.

A população luta pela coragem e não pela fraqueza. Os diálogos de queixas surgem nos caminhos de regresso a casa. O corpo de cada um encontra-se cansado e apenas espera por colocar a chave na porta de casa e descansar para o novo dia que aparecerá dentro de diversas horas.

“Encaro a crise como uma pista de automóveis, quando estamos antes da curva. Portanto, temos de nos preparar antes da curva para ultrapassa-la”, conclui Nuno Magalhães, gerente da Central de Cervejas e Bebidas.

In Jornal Vida Ribatejana 2 de Junho de 2010



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