As arestas a limar nas escolas do IPP

10Jun10

As escolas superiores do Instituto Politécnico de Portalegre já possuem uns longos anos. Os edifícios já sofreram algumas transformações. No entanto, há ainda muitas melhorias a elaborar.

Portalegre. O nome é cativante. Um porto, um lugar de transição, por onde passavam mercadorias e pessoas, numa paisagem alegre, onde o acidentado do terreno e a vegetação contrastavam com o cenário particular da região de Entre Tejo e Odiana. Porto, Alegre. Foi esta a origem do nome desta cidade. Hoje, em vez da planície insossa com a sua beleza específica, predomina um enquadramento nato bem diferente. As ruas recheadas de um cheiro característico. As pedras da calçada sempre com um lugar fixo. As inúmeras descidas e subidas que são atravessadas pela manhã e pelo final da tarde nas longas caminhadas. À janela, à frente de uma simples cortina clara, os sorrisos expostos nos rostos dos mais velhos sobressaem com o olhar iluminado. Nas horas de ir para o trabalho, os estabelecimentos de consumo enchem-se de seres que acordam, tomam o seu café acompanhado por uma torrada e reflectem sobre os eventos do dia. Os jovens estudantes, com as suas capas recheadas de papéis soltos com apontamentos inscritos com diferentes cores, mas que o azul predomina com intensidade, percorrem as ruas cima a baixo. E assim se inicia o dia na cidade histórica de Portalegre. O Instituto Politécnico de Portalegre (IPP) é um caminho responsável com peso na direcção do conhecimento dos jovens académicos. Os directores, com seriedade e com rigor, devem dirigir. Os funcionários têm a missão de, colocar em actividade as instituições. Os professores, possuem a seu cargo a função de ensinar com rigor e nunca desprezar a sua valorização científica. Com a aprendizagem constante, o importante papel dos estudantes é estudar. Para apreenderem conhecimentos, os alunos requerem de condições essenciais para desenvolverem o seu trabalho com exactidão.

Escola Superior de Educação de Portalegre

Ao entrarmos na zona histórica da cidade, encontramos entre a Polícia Segurança Pública e o Centro de Artes e Espectáculo, a Escola Superior de Educação de Portalegre (ESEP). A Praça da República, a calçada clara com pequenos degraus, as cadeiras e as mesas coloridas das esplanadas, os bancos junto às árvores, fazem parte do cenário de entrada da escola. Dedicada à formação inicial de professores, assim como à comunicação e outras grandes áreas, a ESEP foi criada legalmente em 1979. No entanto, só em 1985 iniciou, expressamente, as suas actividades. Com o passar dos anos, assistiu-se a variadíssimas alterações no edifício onde muitos alunos entram e saem constantemente. Uns contentes, outros mais insatisfeitos com as condições oferecidas. A verdade é que a ESEP disponibiliza diversas estruturas para apoiar qualquer aluno ou professor em trabalhos, tais como, o centro de informática, o centro de produção audiovisual, centro de publicação e o centro documental. Cada um, possui uma tarefa distinta, em que o material e os responsáveis por este departamento tentam responder às necessidades dos alunos. Contudo, existem muitas arestas por limar. Uma delas é sem dúvida, o pequeno número de salas de informática disponíveis aos alunos. Fernando Oliveira, vice-presidente do conselho directivo da ESEP, menciona que: “A resolução do problema, não passa, só por uma sala maior, que depois não dá. Mais gente a trabalhar não há docente que consiga trabalhar, todos acabam por ser penalizados. Mas sim por um outro espaço alternativo, que naquele espaço funcione um grupo de 15 pessoas para facilitar um acompanhamento próximo por parte do docente.” A ESEP funciona num palácio oitocentista, adaptado e remodelado para o efeito, situado em pleno centro da cidade. No entanto, existem pequenas lacunas devido a este factor. Maria José Quarenta, finalista do curso de comunicação, menciona que “as principais lacunas são aquelas que advêm de ser um edifício adaptado e não um edifício construído de raiz para o efeito. Os “remendos” dão sempre problemas um dia mais tarde.”

Escola Superior de Saúde de Portalegre

Atravessamos o jardim do tarro. Ao subirmos a pequena rampa que nos leva ao Hospital de Portalegre, o cheiro do álcool da sala da enfermagem, já nos acerta. Fazemos um pequeno desvio para a direita e encontramos a Escola Superior de Saúde de Portalegre (ESSP). Uma escola rumo ao futuro que, devido ao aumento progressivo do número de alunos se foi modificando ao longo dos anos. Em termos físicos, a escola não cresceu muito. Sobretudo, houve reestruturação dos espaços e afectação de alguns que ainda estavam inactivos, mas a área de construção mantém-se. “Eu acho que as condições da escola, não são más, são boas. Mas penso que neste momento, com o aumento do número de alunos, a escola já se torna pequena para o número de alunos que nós temos,” comenta Graça Pereira, presidente do conselho directivo da ESSP. No entanto, sugere soluções: “ampliar a escola, fazendo algumas salas de aula, construindo um anfiteatro e provavelmente, se tivesse verba equipava melhor o nosso laboratório de práticas”. Sendo uma escola pequena, tem as suas vantagens no ambiente que se cria entre os alunos, os professores e os funcionários. É um ambiente familiar. “Na altura em que o curso era apenas de 18 meses, houve alunas que chumbaram nessa altura, nós empregados chorávamos, porque afeiçoávamo-nos muito a elas”, conta Dulcínia Ceia, funcionária na reprografia da ESSP. O ambiente familiar que se vive na ESSP, constitui uma grande vantagem para todos os alunos. No entanto, há lacunas que os alunos verificam e chamam atenção. Inês Boieiro, chegou recentemente à ESSP e aponta algumas falhas: “ a escola tem muitas escadas, que constituem o único acesso à “cave” e ao primeiro andar. Não é viável para todos e por ser uma escola de saúde devia ter acessos para os mais debilitados e a escola está localizada muito fora da cidade.” A ESSP possui actualmente 500 alunos e aposta numa formação advogando metodologias centradas na pedagogia do “Ser”.

Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre

Deixamos a zona histórica de Portalegre. No Itinerário Principal 2(IP2), percorremos uns meros metros e estamos diante da zona industrial de Portalegre. Mais à frente, avistamos uma entrada composta por pequenas e longas fileiras de tijolos. Os lugares para estacionar os veículos estão traçados formalmente e com uma sinalização bem adquirida. Paramos, arrumamos o automóvel onde acharmos que é o melhor local e caminhamos uns curtos metros até ao átrio da entrada da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Portalegre (ESTGP). Entramos num universo tecnológico. Por vezes, a localização desta escola pode trazer desvantagens baseadas na acessibilidade, na dependência de horários de autocarros, ou simplesmente sujeição de uma simples boleia. No entanto há alunos que vêem esta realidade como algo bastante positivo. Patrícia Piedade, finalista do curso de administração de publicidade e marketing na ESTGP, confessa que: “a localização da ESTGP é boa por um lado porque fica distante de tudo, o que faz que os alunos se mantenham mais tempo na escola. Na minha opinião localiza-se num sítio que dá inspiração e que se sente paz. Por outro lado não podemos ir para os cafés ou lojas ou regressar a casa sem ir de transportes.” Sendo uma escola muito dedicada à tecnologia, é importante referir que muitas salas de aula possuem nomes técnicos, como é o caso do laboratório de edição electrónica, do laboratório de tecnologia industrial, entre outros. Nesta situação particular, o substantivo sala é substituído por laboratório. O edifício mais recente das escolas do instituto politécnico de Portalegre já conta com 12 anos e possui condições tecnológicas essenciais para a aprendizagem dos alunos dos diferentes cursos. Neste edifício há poucas arestas a limar, no entanto, Patrícia Piedade, sugere que: “se na reprografia houvesse mais variedade e mais materiais, por exemplo, uma mini -papelaria era o ideal.” Aliada a uma forte componente científica, a ESTGP proporciona aos seus alunos uma aprendizagem de cariz prático e técnico, com recurso à componente laboratorial, às novas tecnologias da informação e de forma articulada com o tecido empresarial. O IPP adquiriu um terreno com 13 hectares, onde está instalada a ESTGP. Este terreno tem a maior parte do espaço completamente desocupado e possui infra-estruturas desportivas de qualidade, que a maior parte das vezes não são utilizadas pelos alunos. É um espaço que podia ter uma melhor rentabilidade e ser aproveitado de uma forma diferente e mais adequada aos alunos universitários. “Se eu mandasse alguma coisa, tentava fazer, não quer dizer que conseguisse, mas, tentava fazer, um campus politécnico e colocar ali, os serviços centrais, as escolas, os serviços da acção social, com toda a rentabilidade, criar um espaço que fosse muito mais eficiente e que por outro lado desse uma ideia a todas as pessoas da dimensão desta instituição, que é o Instituto Politécnico de Portalegre. Assim, com as escolas de um lado, os serviços do outro, não há dimensão desta instituição. Nem as pessoas, têm sentido de corpo que é esta instituição”, confessa Nuno Oliveira, presidente do Instituto Politécnico de Portalegre.

Escola Superior Agrária de Elvas

Deixamos a cidade memorável de Portalegre. Apertamos o cinto, sentamos da forma mais cómoda no banco do automóvel e percorremos uns meros quilómetros até à cidade de Elvas. Dentro das muralhas da cidade de Elvas, entre a parada e a esplanada do senhor Joaquim, degradada mas acolhedora o suficiente para uma pessoa se sentir bem, avistamos um edifício museu. Estamos diante da Escola Superior Agrária de Elvas. Como espaço exterior, a antiga parada do Quartel está a ser intervencionada pelos alunos e docentes da área de Espaços Verdes no sentido de vir a ser um bonito espaço ajardinado. O saber – fazer e o entrosamento dos alunos com o meio profissional são prioridades para a ESAE. Além das instalações do Trem, a ESAE partilha instalações e campos de ensaios no Centro Experimental da Herdade da Comenda da Direcção Regional de Agricultura do Alentejo onde é proporcionado aos alunos o contacto com actividades práticas e ao abrigo de um protocolo com o município de Fronteira torna-se possível o usufruto de instalações para a prática de Equitação. Luís Alcindo, presidente do conselho directivo da Escola Superior Agrária de Elvas afirma que “é um edifício que poderá evoluir de dia para dia, de acordo com a própria formação e evolução dos cursos que são leccionados na ESAE. Tem salas grandes, tem salas pequenas, tem espaços laboratoriais, que, da mesma forma, podem serem ampliados ou reduzidos. Portanto, tem alguma versatilidade.” Uma escola com condições para os alunos aprenderem e poderem pôr em prática o que descobriram. Contudo, há pequenas lacunas que os alunos salientam com objectividade. Rui Cambado, estudante do curso de enfermagem veterinária salienta que : “as condições que o edifício oferece para os alunos são boas, o edifício é bonito. No entanto acho que existem algumas salas na escola um pouco pequenas. Pois essas salas pequenas não estão nada adequadas aos cursos (nomeadamente ao curso de Enfermagem Veterinária), visto que têm cerca de 20 a 25 lugares, o que para o curso de E.V. corresponde a metade dos alunos de um ano.” “Olhar o futuro, que o futuro olhará para nós”, este é o lema que ESAE tenta cumprir com rigor.

Condições Locomotoras

As pessoas com dificuldades locomotoras não são esquecidas. Porém, a verdade é que não são lembradas na construção dos edifícios. Esta realidade, proporciona ao longo dos anos, certas modificações nas instalações de cada escola. Os projectos são alguns. No entanto, apenas uma das escolas, possui as condições necessárias para uma pessoa com deficiência locomotora poder circular à vontade e sem qualquer barreira: a ESTG. Rampas, elevadores, são algumas estruturas que esta escola disponibiliza aos utentes com necessidades motoras. Um dos pré-requisitos para o curso de enfermagem, na ESSP, é não ter deficiências locomotoras. No entanto, se algum outro aluno com dificuldades locomotoras quiser aceder à ESSP, terá um caminho difícil de enfrentar. Designado por muitos, o “labirinto” da ESEP, possui apenas um elevador para pessoas com incapacidades motoras. Sendo uma escola, com muitos degraus e sendo este a passagem mais ligeira, seria aconselhável existir ao lado das escadas, uma rampa, para as pessoas com dificuldades poderem usufruir também deste acesso rápido. A chegada de um aluno com este tipo de dependência à ESAE, abriu os olhos para uma realidade que a escola não possuía e actualmente estão a ser construídos acessos para este estudante e para outros que possam vir. Contudo, o destino é uma criação permanente que passa por reviver e reflectir sobre preferências, trajectos, actividades, participações e obstáculos, mas passa também por perspectivar, em consequência, novos caminhos. É do conhecimento de todos, a importância que tem o ensino superior, o Instituto Politécnico de Portalegre para uma região do interior do país com as características da terra. Uma cidade que mudou, transformando-se, sem contudo perder o que ela tem de principal. Entre o passado, o presente e o futuro não há interrupções, não existem fendas, tudo evolui coerentemente. Importa, no entanto, compreender essa coerência. Hoje, o IPP continua a fazer jus ao nome de Portalegre, um caminho em direcção ao conhecimento, com a alegria que decorre das coisas feitas com responsabilidade, peso e medida.

(uma reportagem realizada no âmbito da disciplina de ciberjornalismo da licenciatura de jornalismo e comunicação Janeiro 2009)

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