A solidão dos jovens

08Jun10

Num mundo tão povoado, onde em muitas cidades as pessoas vivem quase amontoadas, há milhares de seres humanos na completa solidão.

Estar sozinho é o reconhecimento doloroso que inunda a vida de milhões de adolescentes e jovens, que não possuem um relacionamento significativo com outros. De tempos em tempos, a solidão bate à porta de todos nós, mas jovens são um alvo fácil e frágil desse sentimento. Para eles, ela é devastadora, uma onda cósmica que consome seus pensamentos, suas energias. Há ocasiões em que precisamos ficar sozinhos, mas essa não deveria ser a condição permanente das pessoas. Sejam quais forem as causas e as consequências da solidão, mesmo que seja difícil ir até os outros e apesar das inevitáveis decepções, vale a pena ter amigos.

Todos nós já reparámos durante uma manhã ou uma tarde, que há sempre um jovem sozinho nos intervalos das aulas ou aquela rapariga que está sentada na última mesa e não tem ninguém perto dela. De cabeça baixa e de olhos postos nas mãos claras e na pele áspera. Os dedos com as unhas pequenas movimentam-se com pequenos exercícios.

Solidão procura solidão e, quanto mais uma pessoa se isola, à medida que o tempo vai passando, mais afastada quer estar. Quando as pessoas se apercebem que a solidão é a sua companhia, o rosto entristece, a alma desvanece, um forte pesar parece invadir o pensamento. O cenário torna-se deprimente. O futuro sem esperança. E assim vivem alguns jovens. Passam os dias trancados em casa, muitas vezes sozinhos, tendo por companhia a tela vendedora de ilusões. As revistas, a televisão, incentivam a fantasia, a saída da realidade, a busca pela satisfação no outro, sem resolver os seus próprios problemas, e é isto que muitos jovens fazem hoje, vão em busca de algo que não existe. Uns isolam-se no seu canto, no seu espaço, no seu quarto. Outros disfarçam trancando a fechadura e saem porta fora à procura de ritmo e sorrisos que lhes deixem felizes também.

É sexta-feira à noite e as ruas lisboetas enchem-se de jovens de várias idades. O trânsito é notório e o pára – arranca fixa-se em toda as estradas. Os altos e baixos da calçada inconstante fazem-se sentir no banco de trás do Lancia azul – escuro. De um lado está um pequeno passeio composto por janelas antigas. Do outro está a misericórdia de Lisboa. Um largo já conhecido por muitos.

– A culpa é tua. Tu é que me atropelas-te! – São os gritos de revolta. Um jovem com os 20 e poucos anos atira-se para o carro. Sim, atirou-se. Já possuía uns curtos litros de álcool no sangue e isso era evidente. Estava junto ao passeio, desequilibrou-se e fez notar a sua presença, gritando palavrões e nomes feios. Agarrado à perna, estendeu-se na calçada. Preocupados com aquele sucedido, saímos do carro e vamos até ao seu encontro. Fazemos perguntas, mas não responde. Puro silêncio. As pessoas passam e param por instantes. Olham e regressam ao seu caminho.

-Este já está. – Ouve-se entre as várias vozes.

O INEM chega, completa as suas tarefas e o jovem cabo verdiano já em cima da maca, é levado para dentro da ambulância. No curto percurso, com calças de ganga e casaco escuro, o jovem mantém-se firme e no rosto é notória a tristeza e o olhar solitário.

O  ser humano tem a necessidade de pertencer a um grupo cujas regras sejam claras e que lhe permitam transitar por ele de modo confiante e seguro. É importante que haja afinidades e que o grupo desperte um estado de pertença.

Este facto é consequência de vários seres jovens terem poucos interesses específicos bem como uma baixa capacidade de ocupação em actividades de satisfação pessoal. Procuram o silêncio, o sossegado e o fechado.

Uma realidade ainda recente mas que com o tempo tem vindo a crescer e bem depressa.

“Se possuísse uma canoa e um papagaio, podia considerar-me realmente como um Robinson Crusoé, desamparado na sua ilha. Há, é verdade, em roda de mim uns quatro ou cinco milhões de seres humanos. Mas, que é isso? As pessoas que não nos interessam e que se não interessam por nós, são apenas uma outra forma da paisagem, um mero arvoredo um pouco mais agitado. São, verdadeiramente como as ondas do mar, que crescem e morrem, sem que se tornem diferenciáveis uma das outras, sem que nenhuma atraia mais particularmente a nossa simpatia enquanto rola, sem que nenhuma, ao desaparecer, nos deixe uma mais especial recordação. Ora estas ondas, com o seu tumulto, não faltavam decerto em torno do rochedo de Robinson – e ele continua a ser, nos colégios e conventos, o modelo lamentável e clássico da solidão.”  Eça de Queirós, in ‘Correspondência’



7 Responses to “A solidão dos jovens”

  1. a solidão é ruim

  2. 2 lúcia

    é o que eu vivo, solidao

  3. 3 lúcia

    dezespero, vontade de morrer

  4. 5 Alcelina

    estou convivendo com uma doença e ainda na solidao do amor

  5. 6 N

    Eu sinto-me tão só. Estudei e Namorei. Depois apostei tudo nessa relação e no trabalho. Fui abandonado e desempregado. Tenho 34 anos, vivo em lx, descobri que não tenho amigos, ninguém, só companhias passadas com quem estou esporadicamente. Doí na alma sair sozinho e andar por ai a deambular perdido. Todos os dias são um martírio, mas o fim de semana é fatal. Já não saio, para quê. As pessoas são muito individuais e egoístas nos dias de hoje. Cada vez me isolo mais. E sair desta depressão está difícil. Gostava de ter amigos verdadeiros, gostava de conhecer alguém especial, tenho saudades do que tive e não sei se alguma vez mais terei. Hoje como ontem estou triste e por vezes já não quero o amanhã. Não há esperança, não há sonho, não há vida.

    • 7 johnny

      a minha historia n e mt diferente da tua,separei-m a cerca d um mes de uma relacao de 8 anos e kuando dei por mim a pensar reparei k tinha perdido o contacto com kuase todos os meus amigos,saio a noite para ir a um bar e sento-m numa mesa sozinho a ver os outros a divertiren-s e a conversarem,10 minutos depois saio e volto outra vez para o meu kuarto vejo filmes e tento dormir,todos os dias a mesma coisa,mas temos de arranjar uma solucao nao nos podemos deixar vencer pela solidao,e pior k uma doenca e kuando dermos por ela ja nos consumiu todo,tu tens 34,eu tenho 28,s nao fizer-mos nada em relacao a isto vamos ver os anos a passar e nos a acabarmos mesmo sozinhos,tem forca e n te deixes ir a baixo k eu vou tentar fazer o mesmo,fica bem


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