Com o passar dos anos, a neve teima em chegar cada vez mais tarde. Por isso, a Selectiva foi descobrir diferentes alternativas ao ski e ao snowboard, enquanto se espera pelas melhores condições das pistas.

Em Saas Fee, uma vila nos Alpes, perto da zona italiana podemos experimentar a escalada no gelo. Esta zona é conhecida pelo ‘Mittelallalin Ice Pavilion’: uma gruta congelada dentro do glaciar. O guia de montanha Peter Novotny explica que não é assim tão fácil aprender e nem todos conseguem escalar no gelo. “Há apenas uma mão de novos alunos de escalada no gelo que recebemos a cada Inverno. Infelizmente, não é tão popular. Principalmente, porque os novatos não conseguem acreditar que no início devem colocar a sua ferramenta de gelo, apenas a um centímetro no gelo para ser seguro.” Mas vai mais longe. “Outro desafio muito grande é: como saber qual é o gelo seguro para escalar e quais não são os apropriados. O gelo pode ir de frágil para lamacenta num dia. Um bom escalador deve ser capaz de subir bem em qualquer tipo de gelo. Precisa-se de um bom conhecimento sobre o clima, as condições do gelo, avalanches, equipamentos, técnicas, métodos, etc”, salienta.

eisklettern-saas-grund-032É mais que uma magia. Ocupa-se as florestas e as montanhas, rodeadas pela beleza e silêncio. A neve cai, mesmo devagarinho e cobre a paisagem. A luz do sol ainda brilha, fora da superfície. Tudo isto torna a experiência muito especial. Os desafios psicológicos e físicos combinados com a incrível beleza do mundo natural são os maiores factores para os escaladores de gelo vertical. “A escalada no gelo é uma das aventuras mais emocionantes que o Inverno tem para oferecer. Experimente uma descarga de adrenalina ao escalar verticalmente, desfrutando de uma aventura cujo risco é difícil de determinar e calcular. É mais que surreal”, realça. Mas deixa-se levar. “O desporto requer temperaturas correctas abaixo de 0 ° C para as cascatas congelaram. Os longos períodos frios são necessários para o gelo crescer de forma espessa e sólida o suficiente para a escalada de segurança. Estes factos nem sempre são fáceis de encontrar para muitos de nós. Como tudo na vida, os primeiros passos requerem paciência. A escalada no gelo é reservada para os que têm a experiência, habilidade e compromisso com as forças elementares da natureza. O aluno precisa de vontade, perseverança, motivação e entusiasmo para aprender”, sublinha o guia.

No vale de Engadine, St. Moritz já recebeu os Jogos Olímpicos de Inverno duas vezes, tem o Cresta Run, o campeonato mundial bobsleigh feito de gelo natural, e ao ar livre tem a pista de gelo olímpica. O lago congelado hospeda polo e até mesmo corridas de cavalos no gelo. E a Seletiva foi descobrir melhor o Bobsleigh. No fundo é um desporto de Inverno em que as equipas de dois ou quatro elementos fazem corridas cronometradas estreitas, torcendo, coladas, por trilhas geladas num trenó movido a gravidade. Normalmente, este desporto começa-se numa escola ou entra-se em contato com uma federação. Em geral começa-se com passeios de trilha e aulas teóricas para preparar as primeiras corridas. No início não se pode deslizar do topo. Tem de se começar a partir de pontos de partida mais baixos para permitir uma boa adaptação para a pista. Alexandra Kolb, representante do Olympia Bob Run disponibilizou-se a explicar um pouco desta aventura. “Na volta dos principantes, num slide bob há sempre dois elementos com um piloto e uma ‘breakman’ do nosso lado. Se você quiser realmente praticar bobsleigh há um grande número de componentes: em primeiro lugar, precisa-se ser um bom corredor (a ser quase ao toque), segundo é preciso ser forte (porque um bob é pesado), em terceiro lugar precisa-se de espírito de equipa (senta-se com três pessoas num bob e têm que empurrar juntos, e mas não menos importante, é necessário boas habilidades de condução”, salienta. Mas acrescenta: “Na minha opinião, acho que não é fácil de explicar o que é mais difícil é de aprender. Depende da pessoa. Por exemplo para mim (no esqueleto), o impulso é o mais difícil, porque eu não nasci com músculos que reagem rapidamente. A partir do final de dezembro até o início de março temos disponíveis estes passeios de hóspedes diariamente. Os números variam todos os dias. Diria que nós temos entre 20 e 120 pessoas por dia. Por isso propomos escolas Monobob e Bobsleigh. Um monte de pessoas estão interessadas em Monobob (é mais fácil, pode-se fazer sozinho). Na escola, bobsleigh é um pouco menos interessante pois é mais difícil e precisa de mais dias.”

E em pequenas palavras Alexandra define este desporto como: “Para mim, bobsleigh é a fórmula 1 do Inverno.”

No centro da economia suíça, mais propriamente em Zurique, por entre as ruas pitorescas do centro da cidade velha, em ambos os lados do rio Limmat, onde se reflecte a história pré-medieval, há patinagem no gelo por descobrir. Viviane Ruber tem muito orgulho das suas meninas. “Na pista de gelo, normalmente temos 36 crianças entre os 6 e os 14 anos de idade. A patinagem é fácil de aprender e não é perigoso. É saudável, porque é fora de portas na natureza. Há uma equipa de 8 a 12 meninas com música e com uma coreografia.” Dançar ao sabor do gelo e com um brilho nos olhos. “A magia é patinar numa pista ao ar livre na fronteira da cidade de Zurique, vendo as árvores do bosque. A árvore de Natal iluminada, patinar numa equipa com música e apresentando ou competir. As meninas apreciam os belos vestidos que usam para a apresentação e a competição”, acrescenta Viviane, encantada.

Na zona da Berner Oberland, em Interlaken há caminhos a descobrir nas quatro rodas e a todo o terreno. E como acompanhamento há fondue para provar no final da rota. Na Daniels Funrental a diversão não termina, nem mesmo com o pôr do sol. Nos passeios de quatro rodas Descobrimos locais isolados com vistas inesquecíveis que só podem ser alcançados com o quadriciclo. Durante o percurso passamos por neve compacta, estradas cobertas de neve. Um desafio constante. No topo, temos uma pausa e é obrigatório provar a tradicional raclete ou o fondue. 

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Agora é Inverno, e no mundo, uma só cor. E como já dizia Wiliam Blake: “Em tempo de semear, aprenda. Em colheita, ensine. Em Inverno, desfrute.”


blindekuh_basel_-27-4c2f178eEntrar. Jantar ou almoçar. Beber um copo de vinho. Sentar-se. Conversar. Até aqui, tudo parece normal num restaurante. Mas e se, quando entrar, a luz estiver apagada e tiver que fazer tudo num escuro profundo?

A primeira coisa é deixar o telemóvel, o relógio iluminado e os casacos no cacifo da entrada. Entramos num pequeno comboio, se formos um grupo, liderado pela pessoa que nos servirá durante a refeição. Somos pegados pela mão e deixados atrás da cadeira que nos vai acompanhar durante uns momentos. Sentamo-nos sozinhos. Somos um pequeno grupo com reserva marcada e menu já escolhido. Mas quando se trata de um casal ou família que apareça espontaneamente, pouco também muda, segundo Simone Schmieder, responsável pela comunicação do Blindekuh de Basel. ” Depois de deixarem os seus pertences à entrada, os convidados selecionam o menu na recepção (o menu é mostrado no monitor). Claro que também é possível selecionar o menu com antecedência no nosso website. É claro que os desejos em relação aos alimentos sem glúten ou sem lactose podem ser concretizados. Minutos mais tarde são conduzidos por uma pessoa cega na sala de jantar e acompanhados para a mesa. Após o jantar, o pagamento é feito na recepção”, esclarece.

Abra a boca e feche os olhos. Imagine provar um menu que apenas viu na carta. Sentir os aromas, texturas, temperaturas, sabores. Agora abra os olhos. O escuro permanence. Este é o princípio de um jogo de sensações. Cabe a si deixar os seus sentidos adivinharem, sentirem e degustarem um jantar com um menu secreto, onde a visão não está na ementa.

Começa o jogo do advinha. São vegetais. Tem cenoura? Courgete de certeza. Há uma couve estranha. Será repolho? Os palpites não terminam. Mas o sabor é uma perdição.

Servir às escuras. Deitar vinho ou água num copo sem qualquer luz. Não são tarefas fáceis, sem uma única vela. Se quiser ir à casa-de-banho aqui tem de chamar o empregado de serviço para o acompanhar. 

O conceito deste restaurante é muito peculiar. ” Aqui, o cliente entra numa viagem no nosso mundo da escuridão: experimenta sabores, cheiros, sons e outras sensações num novo conceito de luz. A ideia não se baseia apenas no entretenimento, mas dar a oportunidade a quem vê sem qualquer problema, de se pôr na pele de quem não pode ver”, revela Simone. Mas vai mais longe: ” Jantar aqui é um movimento de sentidos. Nem os olhos vão ficar de fora. Venha conferir. A nossa equipa de cozinha é bastante criativa e vai sempre conjugar delicías no prato, que não é necessário ver para acreditar: fresco e sempre uma surpresa.”

Há eventos por descobrir, como a noite de Gospel ou até mesmo cursos de servir no escuro.

Os clientes ficam sempre encantados com a experiência. “Os feedbacks são positivos. Temos sempre alguém que nos diz, que foi dificil juntar a boca ao garfo, mas que não se come com os olhos e que é uma experiência única”, refere o responsável de comunicação.

O Blindekuh é mais que um restaurante. Nas palavras de Simone, Blindekuh é um dos maiores empregadores do sector privado, para trabalhadores com visão debilitada.” Nos nossos restaurantes e nas actividades culturais, nós criamos empregos valiosos que permitem a interacção entre pessoas visentes e deficientea visuais. E abrimos novas prespectivas para jovens e idosos. Os nossos negócios são patrocinados pela Fundação Blind-Liecht”, sublinha.

A fundação beneficente Blind-Liecht Foundation promove o diálogo e compreensão mútua entre as pessoas visentes e aqueles com visão prejudicada. Para isso, desenvolve e apoia projectos que criam empregos para cegos e deficientes visuais. A Fundação Blind-Liecht é um dos principais empregadores da Suíça para esta parte da população.
O mais importante projecto iniciado pela Fundação é o popular restaurante blindekuh no escuro, com sucursais em Zurique e Basel. A Fundação foi homenageada com inúmeros prémios internacionais por este conceito inovador.


E já há uns largos anos, Thaís Moraes revelou sem receios que ,”a verdadeira deficiência é aquela que prende o ser humano por dentro e não por fora, pois até os incapacitados de andar podem ser livres para voar.”

In Seletiva Outubro 2016


dsc00068-2 dsc00091 dsc00115-3Ascona recebe mais um festival da castanha. Promete muita animação e um ambiente viciante. No dia 1 de Outubro, Ascona tem outro sabor. E no dia 8 recorda esse cheiro. É época do festival da castanha. O festival da castanha começou em 1988, no mesmo ano que foi fundada a Associação de Eventos de Ascona. Este evento foi o primeiro a ser organizado pela mesma. ‘Foi a melhor maneira que encontrámos para mostrar à população de Ascona, do que seríamos capazes de fazer.’

“O festival é sempre realizado no primeiro e segundo fim-de-semana de Outubro. Todos os anos recebemos entre 6000 e 8000 visitantes em cada sábado. Vêm da Alemanha, da Áustria, da Itália e de toda a Suíça”, conta a representante da Associação de Eventos, M.T.

As castanhas são a principal atracção do festival. Mas há um mercado com mais de 100 expositores para os visitantes descobrirem. Pequenas barracas com peças de artesanato distintas, prontas a serem levadas pelos mais atentos. Os preços são mais que acessíveis e são peças realmente fascinantes. Há concertos das 11h00m até as 18h00m por todo o lado. Ouve-se jazz e anima-se com o folk. O cheiro a castanha assada sente-se a cada passo. Em cada dia conseguem vender normalmente cerca de 2.000 quilos de castanhas. Há doce de castanha para saborear, licor de castanha e muito mais iguarias com este sabor. Há sempre espaço no estômago para mais uma castanha. Pelo menos num dos sábados há a visita da delegação do museu dos ‘limpa chaminés’ de Santa Maria Maggiore para lembrar a exploração do trabalho infantil nesta região. Em tempos antigos, durante o Inverno, muitos rapazes tiveram de deixar as suas casas para trabalhar como ‘limpa chaminés’ em grandes cidades da Europa.

Um pouco de história

Os castanheiros, originários da Ásia Menor foram introduzidos pelos romanos. A evidência do seu cultivo pelo homem foi encontrado por volta do ano 2000 aC. Pode-se encontrá-los no sul dos Alpes a uma altitude de entre 200 e 1000 metros acima do mar. Eles podem atingir uma altura de 25-30 metros e superar mil anos. A área de floresta de Ticino é de cerca de 26 000 hectares. Em tempos antigos, grandes áreas, conhecidas como Sally, foram cultivadas para os castanheiros,para a produção de serapilheira e de pastagem. A colheita da castanha está reservada para o proprietário até uma determinada data, mas varia dependendo da região.

No passado, a castanha era bastante importante no quotidiano da população, uma vez que o alimento durava pelo menos 6 meses. Não menos importante, por essa razão, a castanha é assim chamado “árvore de pão”

Oriundos da castanha temos diversos produtos como farinha, pão, massas, bolos, compotas, cerveja, gelado, iogurte, castanha assada, castanha cozido com natas batidas, ou como no acompanhamento de pratos de caça.

O convite está feito, agora basta apenas marcar presença num dos maiores festivais de outono da suíça. É tempo de celebrar o sao martinho com castanhas e bom vinho.

In Seletiva, Outubro 2016


alpabfahrtÉ Setembro e a época das folhas secas começa a chegar. O verde passa a laranja. O amarelo a castanho. Outono signfica cores diferentes, mas não só.Nas ruas, ainda vimos em pequenos grupos, jovens com um chapéu verde com uma pena clara. Vieram do campo. É tempo de caça e nota-se algumas diferenças nas ementas e mercados suíços. Há espaço para a couve roxa, para o spätzle, cogumelos selvagens, castanhas e até mesmo de abóboras. Em cima da mesa há carne de veado, javali, lebre, galinha selvagem para degustar e saborear, acompanhado com uma bela garrafa de vinho de Syrah. À sobremesa não podemos perder uma bela taça de vermicelles, que deixa os fãs de castanha, encantados.

Ao café podemos provar o creme de cassis que é um licor feito a partir de groselhas, que cai sempre bem ao final da refeição.

Na Suíça, é altura também de eventos tradicionais e não só.

INTERLAKEN, 12SEP15 - Imposante Bergkulisse: Impression vom alpinen Streckenteil des 23. Jungfrau Marathon mit  Eiger, Moench und Jungfrau am 12. September 2015. Impression of the 23rd Jungfrau Marathon in Interlaken, Switzerland, on Saturday, September12, 2015.  swiss-image.ch/Photo Michael Buholzer

De 9 a 10 de Setembro na zona de Berner Oberland, por exemplo, é um fim-de-semana de desporto. A Jungfrau Maratona é a mais bonita do mundo- apresenta um cenário fantástico de montanhas e uma excelente mudança de vista entre o ponto de partida e a meta. Sandra Gasser, a secretária do evento revela algumas curiosidades. “A diferença de altitude de 1829 metros é um desafio para todos. Não há nenhuma maratona na Europa, com as grandes dimensões que esta tem. Eiger, Mönch e Jungfrau são das mais famosas montanhas dos Alpes e são o cenário desta corrida.A maratona começa em Interlaken a 566 metros a cima do mar e termina em Kleine Scheidegg a 2100 metros. É necessário estar em forma e a resistência é fundamental”, explica. É um percurso cheio de vida e natureza. Passa-se por Wilderswil, Zweilutschinen, Lauterbrunnen e Wengen. Sobe-se bastante e a altitude não pára de aumentar. Durante o percurso há pontos onde há pequenos snacks, água e não só. As montanhas estão sempre a apoiar. O Eiger dá muito incentivo, o Mönch hidrata a vista e o Jungfrau aplaude cada passo. Stef van Megan correu a primeira maratona em 2000. Este ano irá completar a sua 10. É uma prova dura mas muito gratifante. ” É preciso estar-se preparado e treinar bastante. Mas não apenas o treino normal para uma corrida. Temos de treinar mais, porque usamos muitos músculos diferentes. Basicamente é uma corrida em modo hiking”, refere. Mas vai mais longe. ” Se não tiver treino, não experimente. A segunda parte, de Lauterbrunnen para cima, todos estamos aptos a fazer. Mas depois os 26 km é totalmente diferente. Pode-se ter graves problemas sem estarmos treinados,” desabafa.

Mountain Festival (2)Festival de Montanha NorthFace

Desconectar do quotidiano e deixar a rotina para trás é o desafio do Festival North Face em Lauterbrunnen. O cenário natural, ao ar livre, com montanhas a cobrir as 24 horas são tudo factores que preenchem esta aventura. De 16 a 18 de Setembro em Lauterbrunnen há tempo e espaço para todas as adrenalinas. Desde caminhar pelas montanhas, escalar, ou até mesmo aprender a culinária gourmet em volta da fogueira ao pôr-do-sol, as experiências não vão faltar.

O responsável pelo marketing do festival, Anders Ollgaard desvenda alguns dos desafios. “O festival é projetacdo para deixar os atletas com todas as habilidades e conhecimentos necessários para se tornar a aventureiro ávido, com guias especializados de montanha oferecendo oficinas ‘basecamp’ e palestras incluindo histórias inspiradoras de exploração, cinema ao ar livre épico, fotografia de aventura e um pack de expedição.” Mas acrescenta: “Para os mais audaciosos há a oportunidade de experimentar parapente ou rafting, e até mesmo tentar chegar ao cume do Eiger ao lado de um dos atletas. Isto realmente vai ser uma aventura para recordar.”

Ao cair da noite, os festivaleiros serão capaz de comer e dançar sob as estrelas com um pouco de música imperdível ao vivo. Como todos os bons festivais, há a chance de entrar completamente no modo ‘zen’ e recuperar forças no spa in-floresta, oferecendo uma gama de actividades de relaxamento. Este evento vai deixar todos os músculos cansados, os espíritos iluminados e o coração vai chegar bem cheio a casa.

Mais informações: http://www.thenorthface.nl

Alpabfahrt St. Sephan

No segundo sábado de Setembro é dia da descida tradicional alpina em St. Stephan, mais conhecida por ‘Alpabfahrt’. A organização do turismo convida a assistir à 32 edição no dia 10. É um dos eventos mais antigos de toda a Suíça. Monika Hänni gestora de eventos do turismo de St. Sephan Semmental explica um pouco sobre o este evento. “No sábado, 10 setembro, 2016, o vacas dos vários habitantes em Dürrenwald são decoradas com flores e acessórios. São esperadas no recinto e aguarda-as um imenso número de espectadores que chegam de longe e de perto. Há mesmo quem venha dos USA e do Canadá. Costumamos ter cerca de 1000 visitantes neste dia. Este cortejo animado e recheado de cores é a melhor forma que os residentes da zona encontram de encerrar o Verão nos alpes.” Na rua há pequenas barracas para todos os gostos. Há quem venda produtos locais, peças de artesanato e há espaço para a produção de queijos. O espaço para a gastronomia está reservado e há várias iguarias a experimentar.

DSC03508 (2)Chästeilet Justital

Como todos os anos, no dia 16 realiza-se o famoso Chästeilet Justital. O queijo de vários Alpes, que todo o Verão ,que os agricultores possuem é dividido neste dia tradicionalmente entre os camponeses. A divisão começa cerca de 11h00m. Após este processo, o queijo é provado, bebe-se vinho e o convivío entre todos é de destacar. Os sons do acordeão suíço ouve-se por todo o lado. Também há ainda uma grande tenda que está montada e que o convida a relaxar. Depois do almoço, cerca das 14h00 é hora da ‘alpabzug’ onde muitos visitantes aparecem para cumprimentar os trabalhadores que estiveram nas montanhas, o verão todo. O desfile das vacas toma a direcção de Sigriswil e todos acompanham. O ponto de chegada está cheio de boa disposição e muitos visitantes curiosos. É um dia diferente com uma saudação ao Outono.

O aroma das tipícas salsichas no grelhador e o cheiro dos petiscos de queijo estão por todo o lado. Cerveja e vinho não falta. E quando os familiares e amigos que estiveram os quatro meses de Verão a trabalhar nos Alpes chegam à vila é hora de brindar ao seu regresso e à chegada do Outono.

In Seletiva, Setembro 2016

 


O Verão já chegou, ainda que a muito custo. As chuvas não ficaram de lado e muitos dias o sol esconde-se. Os lagos continuam frescos e as piscinas ainda não convidam muitos adeptos. Mas na Suíça há muito para descobrir em tempo de férias, com ou sem sol. Um pouco de cultura e um pouco de entusiasmo.

_DSC9703-15x24Para os fãs- e não só- da vida dos Hobbits, ou até mesmo do ‘Senhor dos Anéis’ há um ponto de visita. O museu Greinsinger está aberto todos os meses do ano. É preciso marcação prévia e a experiência custa 50 chf.  Bernard Greinsiger refere alguns cuidados a ter numa visita. “O museu não tem horário de funcionamento. Só se pode visitar o museu através da compra de bilhetes no website. Se é um grupo de 10 a 14 pessoas, pode-se organizar uma visita apenas para o grupo Visitas espontâneas do museu não são possíveis”, salienta. “O museu não é adequado para crianças menores de 7 anos, nem para pessoas que utilizam cadeira de rodas. O museu é uma fundação e não uma empresa para ganhar dinheiro. Foi construído para os fãs da Terra-média e Tolkien.  Um passeio que dura entre 3 a 5 horas. Então, as pessoas devem ter comido e bebido o suficiente antes de entrar no museu. Os passeios são oferecidos em alemão, francês, italiano e inglês.” acrescenta.

Têm mais visitantes no Verão. De Maio a Outubro as folhas verdes crescem na parede fora do buraco hobbit. Então, muitos turistas descobrem este mistério, enquanto estão de férias na região. 


2014_Bruno_Weber_hausParque Bruno Weber

Dietikon. Bruno Weber Parque. É um espaço ao ar livre e poucos conhecem. As crianças têm muito por descobrir e deixarem-se encantar. As estátuas coloridas preenchem o lugar. É uma fundação que homenageia o trabalho de Bruno Weber. Têm desenvolvido uma reabilitação a longo prazo e há um plano futuro para o parque. Mas para já, ninguém quer desvendar este mistério.

Ficamos agarrados ao passado. Isabelle Carte, presidente da fundação convida todos a uma visita. “O visitante pode-se surpreender e mergulhar num mundo de fantasia, mover-se e experimentar tocá-lo.  Os visitantes encontrarão um museu a céu aberto, o que está a mudar com as estações, na mudança de luz, temperaturas e condições meteorológicas. A coisa emocionante sobre uma obra de arte é que cada indivíduo é, por sua vez experimentado de forma diferente, uma experiência que ninguém deve perder.”

Foi na adolescência que Bruno Weber mergulhou na arte da pintura. Incentivado pelo pintor suíço Max Gubler, ingressou na Escola de Belas Artes de Zurique, onde os seus professores foram o artista Johannes Itten do Bauhaus e o escultor Ernst Gubler. Seguindo os desejos do seus pais, ele completou a aprendizagem como litógrafo na Orell Füssli em Zurique.

Em 1962, enquanto construía o seu próprio estúdio, tinha um fascínio pela arquitectura. Com o passar do tempo desenvolveu a vontade inesgotável para projectar um jardim na floresta. O espaço através do qual se pode experimentar a interacção da arquitetura escultórica e a natureza. Diz-se que é o maior parque deste tipo na Suíça, criado por um único artista.

Paralelo à grande industrialização do vale do rio Limmat – e como uma resposta a ele – (de) Bruno Weber criou um mundo que faz lembrar um dos sonhos e que transmite o entendimento entre nós,a natureza e espaço vital. Mesmo após a morte do criador, o parque tem permanecido num estado de “work in progress”, pois Bruno Weber deixou para trás inúmeros esboços e desenhos de projetos. Em colaboração com a família do artista, a fundação Bruno Weber está empenhada na preservação, documentação e outras construção das videiras do parque.

A entrada custa 18 chf e está aberto todas as quartas-feira, sábados e domingos, das 11 as 18 horas. 

Barocksaal2_quer_Stiftsbibliothek_StGallenLivros do século passado

St. Gallen. Perto da estação de comboio e por detrás da catedral encontramos o tesouro dos livros. A biblioteca Abbey de St. Gallen é a mais antiga na Suíça e uma das primeiras conventuais bibliotecas do mundo. Mantém a extraordinária colecção de livros que remonta ao desenvolvimento da cultural europeia e aos documentos de arquivo a biblioteca desde 1805.

Os nossos sapatos ficam à porta. Quer dizer temos umas pantufas felpudas na entrada da sala. Aqui não há problema com maus cheiros, o que interessa mesmo é não estragar o chão de madeira. Não podemos tirar fotografias. Por isso, temos de comprar o postal de recordação. Entramos sem medos. À primeira vista, vem-nos à memória, a biblioteca do filme de animação ‘A Bela e o Monstro’, mas em tons mais escuros, mas igualmente encantadora.

Kathrin Hug, bibliotecária confessa alguns dos segredos deste espaço. “Quando se entra na sala barroca é de apenas tirar o fôlego. O salão em si é tem mais de 250 anos, o piso de madeira é ainda o original. Aqui há cerca de 30.000 livros antigos impressos nas prateleiras e nós temos duas exposições em cada ano. A maioria dos manuscritos apresentados na exposição têm mais de 1000 anos. Isto não se encontra em qualquer outro lugar.”Mas vai mais longe: “A biblioteca possui cerca de 170.000 livros e outros meios de comunicação. Livros impressos depois de 1900 podem ser requisitados, enquanto os outros, volumes mais velhos só podem ser usados na sala de leitura.”

O acesso custa 12 chf. Definitivamente um ponto de paragem, se tivermos perto de St. Gallen.

IMG_20160628_104000792Zermatt: mais que uma montanha

Zermatt. Matterhorn. A famosa montanha tem um dos melhores e mais fantásticos trilhos do país helvético. A rota dos cincos lagos é espantosa e disponível para toda a família. São cerca de 3 horas, mas as vistas dos lagos, quebram qualquer cansaço. Chegamos à estação de Zermatt e apanhamos um pequeno transporte com direcção de Sunnega. Subimos, saímos da escuridão do túnel e ao longe já conseguimos ver o Matterhorn. Viramos as costas e apanhamos a gondôla que nos leva até aos 2571 metros, mais precisamente a Blauherd. Aqui iniciamos a jornada. O pic-cnic está na mochila e seguimos rumo até ao primeiro lago. A frescura da natureza deixa-nos encantados, assim que viramos a primeira curva. Stellisee é um dos Lagos, onde a montanha é reflectida com maior frequência. É ponto de paragem para muitas fotografias e para o lanche mantinal. Seguimos as indicações até a próxima paragem. Gridjisee. Um pouco escondido entre o verde da flora, não deixa de lado a sua beleza. 30 minutos mais tarde e umas subidas aventureiras encontramos o local para o almoço: Grünessee. Não precisamos de tirar a toalha ao xadrez, nem o tupperware da mochila. A sandes de queijo e a salada de pimentos chega perfeitamente. Aqui, não fomos os únicos a parar. Os ciclistas da montanha também fizeram uma pausa para refrescarem-se e repôr energias. 20 minutos de descanso e retomamos a estrada. Entre pedras, pedregulhos, uma simpática ponte e umas cascatas chegamos ao claro lago Moojisee, uma hora depois. Um azul de cortar a respiração. Um brilho intenso. É tempo de deixar as descidas. A última etapa é a subir e o trilho é estreito. Mas faz-se com um sorriso nos lábios. Leisee é o quinto lago. Aqui há crianças a nadar, pessoas a apanhar sol. No fundo, um autêntico resort ao ar livre. Subimos mais um pouco e chegamos ao nosso destino: Sunnega. Regressamos a casa, cansados, mas orgulhosos do dia que tivemos.

CIMG0830Os tons alaranjados nas gorges de l’areuse

Em Neuchâtel, mais precisamente em Champ-du-Moulin há um encanto para descobrir e guardar na memória. Gorges de l’areuse. A intensidade da água a descer a ravina, assim como a pequena ponte que encontramos no caminho são presentes que encontramos nesta caminhada. São cerca de 2h30m até Noiraigue. Mas se formos na época onde o Outono teima em chegar, as cores são de cortar as respiração. As folhas caídas no chão fazem-nos sentir que estamos a caminhar num autêntico alpendre suave. 

São sugestões para uma época que convida a passeios diferentes do quotidiano e que nos enriquecem um pouco mais. Porque não há limite para o conhecimento, nem para a aventura e porque há outras formas de descansar.

In Seletiva, Agosto 2016


Um hotel em Airolo. Uma fábrica de queijos em Giswil. Um museu em Gothard, e aqui crescem também cogumelos. Já lá vai o tempo das ameaças dos inimigos. A época das invasões terminou há uns valentes anos, mas os vestígios permanecem. O número de abrigos nucleares é suficiente para defender toda a população do país contra qualquer ataque durante um ano. Uns foram transformados, outros estão ainda intactos, sendo considerados dignos de um roteiro turístico, com paisagens extraordinárias.

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Um oásis na montanha

La Claustra é o nome do hotel que foi transformado a partir de um dos bunkers militares. San Carlo era o nome original. Foi construído contra as potências do Eixo entre 1939-1942 e serviu como alojamento para cerca de 200 soldados.

Rainer Geissmann, responsável pelo hotel abre-nos a porta e descodifica-nos alguns segredos. “O bunker foi utilizado pela última vez em 1994 por soldados. Em 1999 foi adquirido por Jean Odermatt, um arquiteto e artista de San Carlo. Ele recebeu um financiamento militar de 800.00 chf para iniciar a transformação para o Hotel La Claustra em Airolo. Odermatt fez ainda um investimento de 8 milhões de francos. Passados cinco anos o hotel foi inaugurado no Verão de 2004”, conta. Ainda é possível observar estruturas militares, como as 134 escadas, onde temos acesso às armas, uma caverna com geradores de energia e o sistema de telefone ainda está no estado original. Vive-se uma experiência única. Construído com rochas e a 2050 metros acima do nível do mar, este alojamento dispões de 17 quartos, com casa-de-banho partilhada. Dispõe ainda de uma sauna, uma piscina exterior, que está a uso sazonalmente. O restaurante do hotel oferece especialidades suíças e bem regionais. O pequeno-almoço é servido diaramente e o jantar é servido todas as noites, sempre com seis pratos. “A maioria dos hóspedes vêm para seminários ou para experimentar um máximo de duas noites no hotel com a sensação caverna. As regras para o uso como um hotel são muito complexas e, portanto, dispendiosas (sistemas de protecção / alarme de incêndio / aquecimento / iluminação / emergência, gerador etc.)”, revela o gerente. Mas acrescenta: “Eu levo o hotel com o mínimo de pessoal, com apenas um funcionário (cozinha, serviço e limpeza dos quartos). A manutenção faço eu. Congratulamos todos os clientes com um aperitivo e uma visita guiada do bunker, por ocasião do guia, os hóspedes irão descobrir a história do bunker.” Uma noite para duas pessoas, em quarto duplo, nesta altura do ano pode rondar os 760 chf, mas tem o jantar incluído. Pode ser sempre uma nova ideia romântica para o escape de fim-de-semana.

Kristalle 2Um mundo de cristais

Gotthard tem muito por descobrir. Muito mais do que qualquer um imagina. Bem nas profundezas, nos ‘bunkers‘ podemos viver a história em primeira mão. Podemos voltar ao tempo do Metro del Sasso e deixarmo-nos encantar pelos mais belos cristais já encontrados nos Alpes. Sasso San Gottardo tem muito para mostrar.

Dr. Alfred Markwalder é o presidente do museu Sasso San Gottardo e não deixa de lado o encanto deste lugar. “ Há imensas informações interessantes sobre a localização actual dos cristais no Forte Sasso San Gottardo. Na visita, os descobridores podem encontrar um labririnto de dois quilómetros entre galerias, cavernas e poços. Além disso, há histórias curiosas sobre a descoberta dos maiores cristais de rocha do mundo”, salienta. Mas vai mais longe. “Este ano temos também passeios de aventura, onde os visitantes podem ver partes da fortaleza e não só. Uma regalia que não está disponível publicamente. O explorador precisa de pelo menos duas horas para visitar tanto a fortaleza histórica, como o mundo dos cristais,“ revela.

Os cristais de rocha são mais velhos do que o homem. Eles foram criados há mais de 18 milhões de anos, no interior da montanha, a temperaturas de 330 a 450 graus celsius. A aparência de um cristal depende de vários factores. Para além da temperatura, entre outras coisas, a pressão tem um papel bastante importante. A luz, a pureza e o poder dos cristais tem um feitiço que atrai as pessoas desde os tempos antigos. É difícil bater o tamanho, a perfeição, a transparência e o brilho destes cristais.

Este museu pode ser visitado entre 28 de Maio e 16 de Outubro de 2016, das 10h30m às 15h00m.

DSC02416Cogumelos profundos

No túnel Gotthard em Erstfeld, hoje crescem cogumelos especiais: shiitake. Quem está por trás deste cultivo é Alex Lussi. A humidade e a temperatura das rochas são as ideais para os cogumelos. Mas há uns anos foi um esconderijo militar. No meio de doze bunkers, Alex Lussi planta os seus produtos sem medos, mas ainda se lembra de como tudo começou. “ Tivemos a infra-estrutura para adaptar a ventilação de ar condicionado quente, luz, entre outros. Começámos o projeto em novembro de 2010 e os primeiros cogumelos shiitake começaram a ser colhidos em setembro de 2013”, recorda. Mas acrescenta: “É sempre difícil trazer a propriedade para uma zona militar anteriormente usada. Uma vez que leva muito tempo e paciência. No bunker nós produzimos cerca de 25.000 kg por ano, a média diária não pode ser quantificada com precisão, porque o mercado tem sempre flutuações.” Exportam para muitos restaurantes e não só. Já são conhecidos por toda a Suíça e todos os dias crescem mais um pedaço.

Höhlenlager_Giswil (1)Raclette escondida
O campo deixou de ser necessário para o exército. E agora, em Giswil, armazena-se o queijo raclette, mais precisamente a marca Seiler. Já foi premiado várias vezes como o melhor queijo suíço. Felix Schibli, gestor da fábrica contou à Seletiva alguns pormenores desta transformação. “ O exército não precisa mais deste campo, há já vários anos. A matriz (altura, comprimento, largura) de túneis foram ideais para a nossa construção. O tamanho da terra era ideal. Nós verificámos com profissionais e aconselharam a conversão num armazém de queijo. Abriram as portas para receber este projecto”, conta.

São produzidos na fábrica por dia, cerca de 500 queijos de raclette. Este número corresponde a 3.000 kg de queijo por dia. Para isto, na fábrica de lacticínios em Sarnen, são precisos 30.000 litros de leite. Só o ano passado processaram cerca de 10.000.000 milhões de litros de leite. Para atingir estes valores é preciso muitas mãos. Na fábrica de lacticínios em Sarnen trabalham oito funcionários. Já nos túneis de armazenamento de queijo em Giswil trabalham três funcionários. O gestor da fábrica desvenda um pouco do quotidiano destes trabalhadores. “O trabalho começa às 2h00 e termina às 20h00. Para este trabalho há três ou quatro turnos por dia. No processo de produção passamos pelo fornecimento de leite, processamento de leite, produção de queijo, fermentação e banho de sal. Após o banho de sal a maturação do queijo levamos para o túnel. A maturação leva uma média de cinco meses até a venda. O queijo é mantido com robôs de cuidados de queijo”, conta.

Sasso-historische-Festung-2Um pedaço de história

Esteve 30 anos no exército suíço. É coronel aposentado das forças armadas suíças, mas Werner Heeb é ainda presidente da FORT, uma estrutura organizacional com aproximadamente 55 organizações independentes onde estão incluídos bunkers e fortalezas. Para nós, foi um autêntico contador de histórias. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Suíça tinha uma rede de cerca de 8.000 bunkers e abrigos militares. Com os altos custos de manutenção e uma ameaça de arrefecimento da invasão, a partir dos anos 90, o exército suíço teve como tarefa diminuir este número de abrigos.

Werner revela um pouco dos tempos antigos. “Havia mais de 30.000 objetos militares, que usaram no exército. Da trincheira à fortificação complexa ou ao aeródromo que protegia algumas centenas de pessoas. Os altos custos de operação e manutenção com o inimigo levaram a um novo pensamento. Os sistemas de armas antigas necessitavam de muita infra-estrutura , de espaço e sobretudo muito operadores. Hoje requerem muito menos pessoal, porque os sistemas são computadorizados e automáticos”, explica.

Pode parecer excentricidade, mas os bunkers e outras fortalezas ocupam um lugar especial na história suíça.

Depois de a Alemanha invadir a França em 1940, a Suíça foi cercada e reconheceu que estaria à espera de qualquer ataque ou uma invasão. A Suíça preparou-se para dificultar este. Segundo o plano, chamado de ‘Redoubt Nacional’, com muita mão- de- obra e poder de fogo do país fizeram um abrigo ( Bunker ) na montanha onde se podiam esconder dos agressores estrangeiros. “Descrever um dia num bunker é difícil porque cada dia é distinto e cada depósito tem algo de especial. O bunker é para proteger o próprio sangue e tentarmo-nos salvar, porque Hitler queria destruir tudo e prender muitas pessoas. O prémio para derrotar a suiça devia de ser muito alto. A história e o tempo mostrou que esta estratégia foi bem sucedida, uma vez que Hitler usou as forças necessárias para o ataque à Suíça e que a guerra das duas frentes não teria mais capacidades nem forças para atacar. Vimos o desenvolvimento e os planos de ataque mais tarde”, recorda o antigo militar.

A construção dos bunkers suíços sempre foi lendária e especial.É importante que o inimigo não saiba onde uma fortaleza é ou o que faz. Isto significava que tudo deve ser bem camuflado, desde a construção à operação, pois tudo era secreto. Mas há também grandes hospitais ou fortalezas de batalha. Para que possamos vencer a luta tardia. As nossas pontes, túneis, aeroportos, barragens estavam cheios de dinamite para eles soprarem, se necessário, para que o adversário tenha um grande problema. Sozinho poderia ficar o dia todo a falar daquela altura“, deixa-se levar.

Hoje, é difícil um visitante sair para uma caminhada sem passar por uma porta curiosa na encosta da montanha, que parece um acesso à Batcaverna, ou um falso chalé suíço, com persianas trompe l’oeil. Durante alguns anos, a Suíça ostentou, orgulhosamente, a marca de possuir o maior projeto da proteção civil em todo o mundo: No túnel de Sonnenberg, em Lucerna, era possível abrigar até 20.000 pessoas. Nos sete níveis acima do túnel, inaugurado em 1976, havia um hospital, um teatro operacional, um estúdio de rádio, um centro de comando … Entretanto, essa infra-estrutura, abandonada em 2006, era deficiente sob vários aspectos. As portas, por exemplo, tinham 1,5 metros de espessura e pesavam 350 mil quilos, mas não fechavam hermeticamente.
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São apenas alguns dos projectos que foram recriados através de bunkers. As características tornaram-se eficazes nas novas vidas destes alojamentos. Têm uma nova cara, novos desafios, mas nunca o passado será esquecido e haverá sempre uma história para contar. Em tempos, Isabel Allende dizia que: “A guerra é a obra de arte dos militares, a coroação da sua formação, a insígnia dourada da sua profissão.

In Seletiva, Junho 2016


Numa época em que a neve já é pouca e as pistas já estão fechadas para descer as montanhas, é tempo de descobrir outros encantos helvéticos. Ainda está frio para dar um mergulho nos lagos, mas está agradável para procurar um pouco sobre o chocolate suíço.

CAILLERQuem não se lembra do par Isabelle Huppert e Jacques Dutronc do famoso filme ‘A teia de chocolate’. A história de uma dona de fábrica de chocolate e de um pianista. Está na altura de descobrir à lupa estes lugares cheios de encanto. São mais de uma mão cheia, os filmes, onde o chocolate é o protagonista. Willy Wonca (A fábrica de chocolate) ou mesmo Vianne Rocher (‘Chocolate’) são personagens que muitos conhecem desde há muito. Mas passemos da ficção para a realidade. Suíça. Chocolate. Uma realidade que ninguém deixa de associar: um doce autêntico vindo das terras helvéticas que faz muitos, crescer água na boca. Uns prefererem os da Cailler, outros da Frey e ainda os que não trocam nada por um simples Ragusa. É desejado em qualquer altura do ano. Mas no Verão, com o sol bem alto e quente é época de visitar e descobrir os segredos destas misteriosas fábricas. Será que podemos encontrar o Charlie perto dos Alpes? Fomos procurar.

Para os mais curiosos saibam que o chocolate surgiu na América pré-colombiana a partir da amêndoa torrada e moída do cacau. Era tomado como bebida quente e amarga, semelhante ao café. Nos séculos XVII e XVIII foi levado para a Europa, onde se tornou muito popular e combinado ao leite, açúcar e outros ingredientes, aprimorou-se e começou a ganhar a forma que hoje conhecemos, tornando-se uma indústria muito relevantes em países como a Suíça e Alemanha.

Aterrámos cedo no aeroporto de Genebra. Temos três fábricas por descobrir. Uma situa-se na zona francesa e as outras duas na parte alemã. Com uma mochila às costas entrámos no comboio até Montreux. Descobrimos aqui que podemos já entrar no mundo do chocolate, pois há mesmo um comboio chamado ‘Chocolate Train’ que nos leva directamente à ‘Maison Cailler’, a primórdica das fábricas de chocolate. O preço por adulto é 99chf e já inclui a visita à fábrica. Em Maio, Junho, Setembro e Outubro, o comboio circula todas as segundas, quartas e quintas-feira. Mas em Julho e Agosto desloca-se todos os dias.

Broc. Uma zona que cheira a chocolate. A fábrica foi fundada por Alexandre Louis Cailler em 1898, neto de François Louis ragusa_03Cailler, o fundador da marca Cailler em 1819, a mais antiga marca de chocolate na Suíça. Philippe Oertlé, director de comunicação da marca sublinha que não existe muita concorrência à Cailler. “A diferença com outro chocolate suíço é que Cailler, por tradição; usa apenas leite da região que é condensado pelas suas receitas, e não precisa de leite em pó como os outros. Isto dá um gosto específico, bem cremoso”, refere. Sobre números, o director expõe sem medos. “A fábrica de Broc produz anualmente entre 14.000 até 15.000 toneladas de chocolate. E por ano recebemos 400.000 visitantes e metade são turistas. No Verão, por causa das férias temos muito mais visitas, do que na estação de Inverno”, salienta. Aqui nesta casa, sente-se tudo de todas as maneiras. Utilizamos os cincos sentidos a qualquer momento. A viagem começa com o cacau Azteca e vai até ao chocolote de hoje. É possível criar o nosso próprio segredo de chocolate. E Divertimento-nos com toda a família. O workshop de chocolate é cheio de energia e de mistérios por descobrir. Pralines, trufas, há temáticas e formas para todos os gostos. Basta escolher e deixarmo-nos levar. Uma boa dose de animação e aprendizagem são garantidos. Os preços variam de acordo com o número de pessoas e especificidades. Ligue e esclareça todas as dúvidas. Um dia que não será certamente esquecido. Acredite.

Courtelary. Já faz parte da zona francesa, mas também tem um cheiro a chocolate. Camille Bloch. Ragusa. Chama-se Regula Gerber é responsável pela comunicação da empresa Camille Bloch e abre-nos o livro desta fábrica. “Chocolates Camille Bloch é uma família independente. A maioria dos outros fabricantes estão entre as multinacionais. Produzimos 100% na Suíça e por dia cerca de 15 toneladas de chocolate.” É uma empresa dedicada ao prazer, com base em ingredientes inconfundíveis. Foi fundada em Bern em 1929, mas agora é gerida por Daniel Bloch que sempre levou o lema “Momentos de prazer não se limitam a derreter na boca, mas permanecem na memória”. A empresa tem deixado a sua marca com as suas especialidades singulares e inovações, criando duas das marcas de chocolate mais amadas: Ragusa e Torino. Assumiu ainda um papel pioneiro com o desenvolvimento dos chocolates de licor sem crosta de açúcar ou barras de mousse de chocolate. Já conquistaram o paladar e os corações de muitos amantes do chocolate.

FREY 2Buchs. Uma pequena zona, mas que tem o seu charme. Frey. Recebem mais clientes nos meses de mais frio. Só o ano passado, em 2015 receberam no total de 75.000 visitantes. Todos os dias, um milhão de barras de chocolate deixa a fábrica Frey em Buchs, no cantão de Aargau. Com uma grande dose de cuidado, amor e a receita original da empresa, esta marca tem ocupado um grande lugar no mercado de chocolate suíço por mais de 30 anos. A companhia R & M. Frey foi fundada em 1887 pelos irmãos Robert e Max. Observamos um arco íris de emoções. O espectáculo de luzes e cores deixa-nos surpreendidos logo à entrada. Há hora para cinema, para leitura, para a fotografia para degustar e até para aprender um pouco de ciência. Temos de vir preparados para assimilar muita informação e acima de tudo para provar. Na Frey, a paixão pela qualidade vai além dos produtos. Pascale Buschacher, assistente do CEO, desvenda-nos alguns segredos desta fábrica. “Existem mais de 200 recipientes reutilizáveis para entregas rápidas de produtos líquidos. Para os produtos mais sólidos, a empresa faz uma armazenagem pró-activa“, revela. Mas vai mais longe: “A Frey conhece as necessidades dos usuários. Um departamento de desenvolvimento próprio está disponível para clientes para a amostra de ideas para novos produtos e optimização de fluxos de trabalho de produção existentes“, conta. Está presente nos cinco continentes e deixa sempre um cliente com água na boca. Nunca provar um, mas sim dois. Pisque o olho e saia com vontade de começar de novo.

Tudo que você realmente precisa é amor, e um pouco de chocolate”, já dizia Lucy Van Pelt. E nós fomos procurar, mas não encontrámos nada, foi pouco doce. Prove esta aventura e regresse a casa, ainda a salivar.

In Seletiva, Junho 2016