Repugnante ou delicioso.

Já se imaginou a comer uma espetada de gafanhoto ou umas almôndegas de larvas com alho e coentros? Ou um hambúrguer de larvas. O livro de receitas começa a compôr-se.

São tenros? São ácidos? Ficam colados aos dentes ou são estaladiços?

Muitas são as questões que surgem sobre o sabor destes insectos.

Hambúrgueres e almôndegas com vermes de farinha com ingredientes deliciosos: estes dois produtos desenvolvidos e fabricados pela empresa start-up Essento já estão disponíveis, desde Agosto, em alguns supermercados selecionados da Coop e online na coop @ home. A Coop expandirá a oferta em etapas para outras lojas e incluirá outros produtos até o final do ano.

“Nós estamos a trabalhar para esse objetivo por um longo tempo, e agora chegou a hora: começámos a vender produtos de insectos do Essento “, Silvio Baselgia, director da secção de Produtos Frescos da Coop, está animado. “Pronto para comer e com um sabor equilibrado, esses produtos são ideais como forma de conhecer a diversidade culinária que oferta de insectos “.

A Essento desenvolveu duas inovações alimentares com apoio da Coop: Primeiro, o ‘Insects Burgers’ que contêm vermes de farinha, arroz e vegetais como cenouras, celíacos e alho-poró, bem como ervas como oregãos e pimentão. Eles podem ser comprados prontos para comer e são ideais para preparar hambúrgueres em rolos com alface e um molho saboroso; Segundo, o ‘Insect Balls’ é feito de vermes de farinha e grão-de-bico, cebola, alho e ervas, como coentro e salsa. Eles são particularmente gostosos com legumes frescos, regados por um molho de iogurte e acompanhados com um belo pão pita.

O preço é de 8,95 francos suíços por pacote. No caso dos hamburgueres contém dois hamburgueres. Já no caso das almondegas, contém dez.

Nunca se pensou num valor nutricional dos insectos. Mas a verdade é que existe. Há uma bela forma dos insectos poderem contribuir para a boa alimentação e Inês Claro,nutricionista em Lisboa, explica como. “É comum pensar-se que o consumo de insectos é feito apenas em situações extremas ou de escassez de comida, no entanto em diversos locais do mundo, fazem parte da dieta local devido ao seu sabor e propriedades nutricionais. De acordo com a International Feed Industry Federation os insectos podem complementar as fontes alimentares tradicionais, como a soja,milho outros grãos ou mesmo peixe e carne.Da mesma forma a FAO, indica que o consumo de insetos na alimentação humana é recomendado e considerado uma alimento sustentavel a longo prazo”, sublinha. Mas vai mais longe. “Um dos principais fatores positivos no consumo de insectos, não é tanto as suas vantagens nutricionais em comparação com outros animais comestiveis mas sim devido à sua diversidade e abundância, bem como as suas vantagens ambientais com a elevada taxa de crescimento demográficos, que faz surgir uma maior necessidade de procura de novas fontes mais baratas e mais sustentáveis de proteina animal. Apenas desta forma se poderá garantir que exista um fornecimento e produção de alimentos que acompanhem este crescimento de população mundial”, sustenta.

Sobre a Essento

O Essento foi fundado há aproximadamente quatro anos e já tem muitos objectivos. Melchior Füglistaller é o responsável pelo marketing da empresa e desvenda alguns mistérios deste projecto. “Algo que nos conecta aqui no Essento é a busca por comida. Além disso, tivemos uma experiência positiva com insectos comestíveis. Após a divulgação do relatório da FAO em 2013 com o potencial ecológico e sanitário dos insectos comestíveis, é claro que queremos potencializar a Suíça também. O principal factor é a nossa equipa apaixonada e activa na nossa start-up. Todos nós temos essa visão para mudar os padrões de consumo de alimentos para melhor e para criar valor ecológico e social”, sustenta.

O feedback dos clientes até agora é bastante positivo. São muitos os que retiram da prateleira do supermercado e levam para casa as almôndegas e os hamburgueres de insectos. A maioria surpreende-se. Uns dizem que os grilos sabem a pipocas, os gafanhotos é como o sabor do frango e os vermes sabem a avelã. Mas nem todos ainda acreditam que os insectos não sejam prejudiciais à saúde. Contudo, Inês Claro escalarece os mais duvidosos. “Não existem evidências, nem provas que estes insectos possam transmitir doenças ou parasitas ao ser humano através do seu consumo ou manueseamento. Podem causar algumas alergias, contudo são comparáveis com os alimentos que consumidos diariamente, tais como os crustácios e mariscos, sendo do mesmo grupo, dos crustáceos invertebrados. Comparando com mamíferos e pássaros, os insectos podem apresentar menor risco de transmitir infeções zoonóticas para os humanos”, sublinha. Mas vai mais longe. “Em relação a comparações entre os perigos do consumo de insectos com gado e animais selvagens ainda não existem conhecimentos suficientes para fazer esta relação.Não existem ainda estudos que comprovem que o consumo destes insetos em especifico seja diferente dos restantes. Contudo existe sempre a recomendação de confirmar no local de compra ou consumo é assegurada de acordo com a legislação as regras de higiene e segurança alimentar. Os aspectos mais importantes a ter em atenção é que os insectos estejam limpos e que não contenham toxinas naturais, comuns de encontrar nestes animais”, complementa.

Andrea Bergmann, do departamento de comunicação da Coop revela que as vendas têm sido um sucesso. “Os nossos clientes estão muito interessados nestes novos produtos e as vendas têm ultrapassado a nossa expectativa. Em breve vamos ter disponíveis, em todos os supermercados Coop, em toda a Suíça.”

Nós seres humanos temos de estar abertos sempre a novas experiências, porque como o chefe francês, Antonin Carême, disse um dia: “O paladar é uma extensão da inteligência”

In Seletiva, Outubro 2017

 

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O grande momento do Verão suíço chegou a Interlaken, com alguma chuva mas muita euforia. Cada detalhe foi pensado ao pormenor. O Unspunnenfest trouxe 90 mil visitantes à cidade de entre os lagos de Thun e Brienz. A tradição encheu as ruas e as almas de quem por lá passou. Música e dança não faltoou. Os comes e bebes estiveram por todo o lado.
O Festival Unspunnen reuniu pessoas de todas as idades, das áreas urbanas, rurais e todas as regiões linguísticas. O evento tradicional aconteceu pela décima vez. Entre 26 de Agosto e 3 de Setembro, a tradição esteve de olhos postos em Interlaken. Um festival de Wrestling, traje Nacional e Alpino, que acontece de 12 em 12 anos.
O Unspunnenfest ofereceu um programa amplo, vibrante e variado de eventos, incluindo uma série de destaques emocionantes. Foi tanta coisa a ter lugar, que não seria possível encaixar tudo num fim- de- semana. A solução lógica foi separar o festival do traje tradicional de Pastores alpinos e o de luta livre Unspunnen, o festival de wrestling suíço. Isso garantiu muito tempo para a ampla gama de eventos e actividades. Os dois festivais foram realizados ao longo de dois fins de semana, a oportunidade perfeita para um programa de eventos de apoio, bem como eventos paralelos relacionados. A Selectiva foi procurar saber um pouco deste festival, tão antigo. O museu de Unterseen ajudou com a pesquisa e os livros das antiguidades deixaram que fossem lidos.
O momento maior deste evento foi sem dúvida, o desfile de domingo, de 3 de Setembro. 4.000 artistas de toda a Suíça apresentaram suas habilidades e seus costumes nesta manhã. Milhares de espectadores observaram o movimento de três horas com cerca de 70 indivíduos no centro de Interlaken. Todos os 26 cantões estavam representados. Eles estavam principalmente presentes com associações cantonais. A do cantão de Zurique, por exemplo, introduziu o “Boegg” conhecido pelo Sechseläuten e apresentou a produção de Tirggel. Três homens, por exemplo, que imitavam o Rütlischwur, apareceram para a associação de figurinos Uri. Na procissão colorida, que durou uma hora mais do que o planeado, muitos foram também os animais que foram transportados.
As coisas modernas também tiveram espaço. Por exemplo, os coordenadores Segway de dois lugares abriram o desfile. O ‘Aargauische Trachtenverband’ apresentou o cantão de Mittelland entre outras coisas como um fornecedor de energia. Na parte superior de um enorme carro, uma estação de energia nuclear com algodão foi apresentada. Depois, uma mulher correu com uma aspirador e limpou a rua. O cabo do aspirador de pó foi conectado à fonte de alimentação. Situações caricatas que deixaram todos entusiasmados e cheios de boa disposição.
Um pouco de história…
Entre 1798 e 1803, a Suíça foi designada como a “República helvética”, com um sistema de governo ao longo das linhas francesas: a cidade e o país tinham um estatuto igual e as alianças já não mantiveram o monopólio do poder. A região de Berner Oberland era um cantão autónomo. Esta situação politicamente difícil manifestou-se em vários golpes de estado e conflitos entre unitários (que queriam um estado unitário) e federalistas. Numa tentativa de estabilizar o estado das coisas, Napoleão emitiu um Acto de Mediação em 1803. Isso teve graves consequências para as áreas rurais dos ex-cantões em particular: o Berner Oberland perdeu o seu estatuto de cantão e o peso político novamente mudou radicalmente a favor da população urbana. Era assim compreensível que havia descontentamento, especialmente na ‘Bödeli’, região rural entre o Lago Thun e o Lago Brienz.
Dada esta situação tensa, o governo de Berna e os seus representantes no Oberland fizeram tudo o que puderam para evitar agitações e revoltas. Então veio a ideia de um festival conjunto destinado a promover a fraternidade entre os habitantes da cidade e do país.
Segundo, Christop Wyss, especialista na história de Unspunnen, “[…] apenas o propósito é reviver os velhos e simples costumes e alegrias de nosso país entre nós e garantir que eles continuem; Para estabelecer novos elos de amizade entre os vários povos agrícolas da Helvética; O mais importante é, no entanto, cultivar e nutrir mais uma vez entre os moradores rurais e os moradores da cidade a antiga boa vontade mútua e a unidade graciosa com a qual, por séculos, a nossa pátria devia a sua força, a sua glória e a sua boa fortuna “.
Quatro cidadãos de Berna, que tiveram relações comparativamente boas com o Bernese Oberland, foram responsáveis pela organização do festival: o prefeito Niklaus Friedrich von Mülinen, o magistrado principal Friedrich Ludwig Thormann, o historiador Franz Sigmund Wagner e o pintor Franz Niklaus König.
O primeiro festival aconteceu em 1805 e compreendeu um desfile e competições de canto, tiroteio, luta livre, jogging de pedras e toques alpinos. A ideia original era repetir o festival todos os anos. No entanto, o festival seguinte não foi realizado até três anos depois, em Agosto de 1808. Embora os eventos tenham sido um grande sucesso em termos de números de visitantes (o festival em 1808 contou com a participação de mais de 5.000 pessoas), não alcançaram os objetivos políticos. A população da região de Bödeli não devia ser apaziguada e, apenas alguns anos ,após o segundo desaparecimento, a agitação começou.
Os festivais de Unspunnen encontraram uma grande resposta – e não apenas na Suíça. Este foi o resultado não apenas de publicidade extensa antes dos eventos (o primeiro do seu tipo), mas também os relatórios publicados posteriormente. Artistas conhecidos como Elisabeth Vigee-Lebrun, Franz Niklaus König e Johannes Stähli capturaram as suas experiências Unspunnen em pinturas idílicas e as reproduziram para distribuição. Autores de guias de viagem e escritores como Madame Germaine de Staël escreveram sobre o Unspunnenfest, que atraiu visitantes de todo o lado, que queriam ver o festival com os seus próprios olhos. Portanto, não é exagerado afirmar que o festival Unspunnen marca o início do turismo na região de Bödeli e em toda a região da Berner Oberland.
Curiosidades
-O melhor lutador no primeiro Unspunnenfest em 1805, Johann Kaspar Beugger de Aarmühle, era cego de um olho .
-No domingo do festival de 1905, os padeiros locais relataram que os seus suprimentos de pão acabaram …
A saudação de armas que deveria denunciar o início do desfile em 1946 não ocorreu. Um rato roeu o fusível
-Os participantes do festival, em 1968, competiram não apenas um contra o outro, mas também contra uma horrenda praga de vespas.

 

 

 

 


 

Os amantes das duas rodas saem mais à rua no Verão. Não é à toa que os restaurantes perto do passe de Grimsel, nos dias mais quentes estão sempre cheios. Enquanto o sol se deixa levar e a chuva se esconde bem no fundo, são inúmeras as motos que passam nas estradas suíças. Os fãs preferem as curvas e contra-curvas e os alpes têm muito para se divertirem. Enquanto o Outono não chega, ainda há trilhos fascinantes para serem descobertas em cima das duas rodas. Além das estradas, há segredos para guardar na memória ou na lente fotográfica.

O Flüelapass liga Davos no Prättigau com a aldeia de Susch. A estrada de passagem de 26 quilómetros, bem desenvolvida, leva a uma paisagem alpina única. O gradiente máximo da estrada é de 12%, a passagem é de 2.383 metros. A estrada sobre o Flüelapass existe desde 1867. O Flüelapass é muito fácil de organizar num único dia. Por exemplo, podemos começar assim: Landquart – Klosters – Wolfgangpass – Davos – Flüelapass – Susch – Zernez – La Punt – Albulapass – Bergün – Filisur – Lenzerheide – Chur – Landquart. Neste roteiro é possível passar pelas cascatas de Viamal em Thusis. Os cascatas de Viamala são lendárias. Um impressionante monumento natural com paredes de rocha de 300 m de altura, que estão apenas a alguns metros de distância, nos pontos mais estreitos. A cor da água, os remoinhos e as formações rochosas deixam uma forte impressão de beleza natural. O Viamala sempre foi fascinante. Assim, o filósofo Friedrich Nietzsche declarou nas suas anotações: “Não escrevo sobre a grandeza imensa da Viamala: é como se eu ainda não soubesse a Suíça”. E Conrad Ferdinand Meyer também deixou a Viamala “Como um mundo de arbitrariedade, desafio e rebelião, esse cânion, onde inundações torrenciais abrem caminho através das rochas, pode ser descrito”.

O ponto de partida para o passeio sobre o Furkapass é Gletsch no topo do Goms no cantão de Valais. Gletsch também é o terminal da Grimselpasstrasse. A parte do Valis do passe está muito bem desenvolvida e traz-nos rapidamente uma inclinação aproximada de 11% para o passe e a 2’436 metros. No meio, vale a pena observar a Rhonegletscher. É fácil de andar e tem 100 metros de comprimento. Em qualquer outra parte da Europa, não há gruta de gelo, onde se possa ir tão perto, quanto esta, Rhonegletscher. A gruta está localizada a 2300 metros acima do nível do mar do lado do Valais, a três quilómetros abaixo do Passe Furka, a cerca de 180 metro da Furkapassstrasse e do Hotel Belvédère. Aproveite a plataforma de vista panorâmica da gruta. No passe, mudamos para o cantão de Uri. A estrada, que tem sido constantemente desenvolvida ao longo dos últimos anos, conduz-nos com muitas curvas para o Realp, o ponto final do Furkapasse. O passeio pelo Grimsel Passe é muito fácil de chegar a uma ida e volta: Grimsel – Furka – Sustenpass, ponto de partida e ponto final é Innertkirchen no Haslital.

O Passe Lukmanier estende-se por 61 quilómetros e conecta o Cantão do Ticino com o Cantão dos Grisões. A Passtrasse começa na Biasca de língua italiana no Ticino e termina na cidade de língua inglesa e romana Disentis / Mustér no Bündnerland. A estrada está muito bem desenvolvida. Ao norte do passe, a estrada atravessa a costa leste do lago Sontga Maria. Uma boa oportunidade para relaxar, fazer uma pausa e tirar umas belas fotografias. O Lukmanier está bem integrado numa maravilhosa viagem de um dia, e. Comece em Andermatt – Oberalppass – Disentis – Lukmanierpass – Biasca – Airolo – Nufenenpass – Ulrichen – Glacier – Furkapass – Andermatt.

O caminho através do Sanetschpass é antigo. Finds provou que ele já foi executado regularmente 3.000 – 2.000 anos antes de Cristo. O Passe permaneceu na Bernerseite a Säumerweg, uma estrada de Gsteig, sobre a parede de rocha de centenas de metros de altura. Para nós motociclistas, o Sanetsch é um passe unidirecional – mas vale a pena. Na parte do Valis, mais propriamente em Sion, – uma estrada estreita, com aproximadamente 32 quilómeros de extensão com max. 15% de subida. O Passe do Sanetschpass, Col du Sénin francês, mas também chamado Col du Sanetsch, fica a 2’252 m. Podemos contar com uma vista extraordinária do lago Stau.

Podemos ampliar esta tour desafiadora com mais dois destaques absolutos – continuamos com o Valais até Saxon. A partir daqui, viajamos para Col du Lein e até Volléges. Siga Verbier até Montagnier, e depois chegamos a Col de la Croix de Coeur e mais tarde regressamos para Riddes até o Vale do Ródano.

Há imensos passes para serem descobertos e o Verão é sempre curto para fazer tanta descoberta. Mas há que pensar como Fernando Angelo, que um dia disse: “Aprendi, em cima da minha moto, que uma vida equilibrada pode te levar muito longe.”

In Seletiva, Agosto 2017

 


 

18 quilómetros. Duas voltas. 20 obstáculos. Começar e acabar, sempre a sorrir. As nódoas e o cansaço não interessam nesta corrida. Nem mesmo o tempo. O importante é divertir e ter mais uma história para contar.

Foi ao terceiro dia do mês de Junho, que Engelberg acolheu pela quinta vez, mais uma edição da corrida Strongman run. Este ano, cerca de 7080 corredores enfrentaram o mais díficil dos desafios. Forte e corajoso, assim se pode definir em curtos traços este evento desportivo que já tem alguma história.

Silvana Zollinger, responsável pela comunição e média do evento refere que esta corrida é muito diferente das outras. “O grande objectivo desta ‘maratona’ é simplesmente, o divertimento. O tempo não interessa. O que realmente importa é terminar a corrida, com coragem, força, diversão e persistência. Todos podem participar, não há requisitos, apenas ter 18 anos. A origem da corrida remonta a 2007, quando a Alemanha criou este projecto para divulgar a marca ‘Fisherman’s friend’. O evento deve criar emoções e ser divertido. Na Suíça, o projecto começou em 2010, quando a primeira corrida ocorreu em Thun. Em 2012, a corrida foi transferida para Engelber”, sustenta.

Os obstáculos são desafiantes e colocam qualquer concorrente à prova. Mesmo aos que estão bem treinados. Num dos espaços há uma forma de caracol que parece não ter fim. Cabe aos participantes descobrir. Existe também, noutra direcção, gigantes cavaletes de madeira que estão alinhados em forma de uma barreira. Cada um deve ser ágil, flexível e coordenado a fim de passar e continuar o seu caminho. De seguida, erguidos em metade do corpo, os participantes devem realizar um pequeno salto de fardos de feno para seguir em frente. Mais adiante é hora de dizer bem-vindo aos estábulos! Aqui sente-se a atmosfera do país com música tradicional. Infelizmente para os atletas, não vai ser tão bom o cheiro de palha, que os vai pôr à prova. Momentos mais tarde é hora de cuidar dos corredores. Bem-vindo ao Bem-Estar! O primeiro passo: mover o corpo na água gelada do rio para relaxar os músculos (ou não) e dar aos participantes uma sensação de bem-estar (ou não).

Remo Uherek tem 33 anos, é empreendedor e estreou-se o ano passado nesta corrida. Segundo ele, o mais díficil é o choque eléctrico. Mas não é só. “Quando é necessário subir, também é complicado, porque eu sou alto e não sou um bom escalador. Contudo, depois a maioria são mais fáceis. O que é importante é divertirmo-nos e completar a corrida com segurança. É um grande desafio cheio de diversão. Ela treina minha força de vontade e é um grande treino de corpo inteiro”, afirma.

Há um segundo momento de bem-estar. Mas será mesmo? Para isso, os atletas devem rastejar debaixo de uma rede que irá, naturalmente, colocá-los num terreno muito lamacento. O ‘Knochenmühle’ é um obstáculo conhecido, mas temido por muitos participantes porque, embora pareça relativamente fácil, requer muita força e coordenação com os braços. É hora de escalar para superar todos os troncos de árvores em torno das quais há pneus alinhados. Segundos mais tarde, no obstáculo denominado ‘Aranha’, os atletas terão de apelar para o espírito Spiderman que dorme neles a esgueirarem-se entre os cabos emaranhados e anexados à estrutura metálica. Ainda antes do sol se pôr, os participantes terão de subir em carros e passar através dos pneus. No Loch Nass devem ter medo do monstro que assola as águas do rio que atravessa Engelberg. A ‘Tätschbachfall’ é uma barreira das mais espectaculares aguardada dos nossos participantes. Este obstáculo já seduziu os outros participantes. O famoso ‘Röstigraben’ foi materializado. É preciso coragem para atravessar, porque é uma barreira muito longa, feita de lama e água. É possível fazê-la a pé, a rastejar ou a nadar. A corrida começa com a passagem entre recipientes que constituem o obstáculo final com que cada participante terá o seu “Hero Time”! Pouco antes de cruzar a linha de chegada, os participantes terão o prazer de deslizar a parte superior dos recipientes num escorrega gigante.

Stefan Leuenberger escreve sobre o desporto e participa frequentemente em diferentes tipos de maratonas e corridas. “Desde a estreia da Strongman Run na Suíça, a 21 de Março de 2010, na base militar em Thun, estive em todas as corridas. Foram três em Thun e quatro em Engelberg. A minha melhor classificação individual foi o 10º lugar de 4653 homens finais no Verão Strongman Run 2015, em Engelberg”, recorda. Porém, deixa-se levar. “Adoro o desporto. Na minha carreira, já conto com mais de 1500 competições em diferentes modalidades desportiva. Nos eventos da ‘Strongman Run’ aprecio a versatilidade. Nesta maratona, correr rápido, não ajuda, é uma batalha perdida, coordenação, força, habilidade e perseverança são características necessárias para competir com o melhor alteta ‘Strongman’. O obstáculo “Simi Rückwärts” é muito difícil. De qualquer forma, as subidas são mais difíceis do que a maioria dos obstáculos para mim. Um obstáculo muito exigente é o “Forest Gump”. Parece que os troncos nunca mais terminam. É só saltar e saltar. As barreiras de água e lama não causam qualquer problema. Nesta corrida, eu quero me divertir. Mas também sou ambicioso. Desej sempre o ranking individual no top 25 e na classificação da equipa (por equipa são os três melhores tempos). Eu tento sempre colocar-me no pódio com meus colegas”, sublinha o desportista.

E como um dia disse, Usain Bolte: “ Não se pode colocar qualquer limite, nada é impossível.” Mas numa manhã fria, Joan Benoit ainda referiu que: “Correr é muito mais que colocar um pé à frente do outro, é o nosso estilo de vida e quem nós somos.”

In Seletiva, Junho 2017


Assistir a um filme na versão original, num país que não é nosso, é sempre uma aventura. Ainda me recordo das letras, em português, das músicas que embelezaram o filme de 1991. E ouvi-las noutra versão e noutra língua é sempre interessante e encantador.

Do clássico da animação à imagem real. Muitas são as diferenças encontradas, mas a magia e encanto permanecem bem fechados à chave. Esta nova versão modernizou as clássicas personagens para uma público contemporâneo. A música original manteve-se fiel e novas canções surgiram como uma das melhores surpresas na banda sonora. Os efeitos especiais em três dimensões são mágicos e deixam-nos entrar com mais intensidade nas cenas sucessivas deste conto mágico. De relembrar que este conto é sobre Bela (Emma Watson), uma jovem independente, sorridente, que é aprisionada por um monstro (Dan Stevens) no seu castelo. Embora tenha os seus medos, deixa-se levar pela amizade dos empregados do castelo: um candelabro chamado Lumière (Ewan McGregor), o relógio de sala Cogsworth (Ian McKellen), um bule de chá, Mrs. Potts (Emma Thompson), e o seu filho, uma xícara, Chip (Nathan Mack). O dia-a-dia torna-se menos complicado e começa a ser uma vida normal e encantada. Com o passar do tempo, Bela consegue ver para além do terrível exterior do monstro e apaixona-se pelo coração do verdadeiro príncipe que vive dentro dele.

Bill Condon insere uma cena de Paris, de uma forma fascinante e bem integrada, onde Bela regressa ao momento em que nasceu. Ninguém estava à espera, mas ficou bem conseguida. Há interpretações interessantes e dignas de serem destacadas, como é o caso de Audra Mcdonal. Já não aparecia no grande ecrã desde 2004, onde interpretou ‘Ruth’ em The Best Thief in the World. Mas acompanhamo-la sempre em ‘Clínica Privada’. E agora nesta extraordinária fantasia, com uma voz gigante. Foi ainda surpresa, a presença de Gugu Mbatha-Raw, como Plumette. Luke Evans (Gaston) exibe a sua fantástica prestação como actor e deixa-se convencer no mundo da música. Por outro lado, Dan Stevens (o Monstro), deixa os espectadores num impasse. Pode-se até mesmo verificar a falta de algum romantismo, por parte deste. Emma Watson não desilude. Aparece como uma autêntica estrela de musicais e não só. A dança, a voz e a representação fazem-na brilhar com convicção e solidez.

Se rebobirnamos os anos, é de recordar que em abril de 2014, a Walt Disney Pictures confirmou a ideia para o desenvolvimento de uma versão live-action desta história de encantar. Tudo com pernas para andar ao estilo de filmes como Alice no País das Maravilhas (Tim Burton, 2010), Maléfica (Robert Stromberg, 2014), Cinderela (Kenneth Branagh, 2015) ou de O Livro da Selva (Jon Favreau, 2016). Com mais de duas dezenas de registos artísticos, A Bela e o Monstro passou da literatura, para o teatro, para a ópera, para a televisão e para cinema. Uma aventura que sempre marcou sempre presença nas salas de estar de muitas crianças, que brincavam e inventavam a sua história para os seus espectadores. Adaptavam à sua maneira e deixavam escapar uma sorridente gargalhada, quando eram aplaudidos.

São 129 minutos de pura fantasia e aventura. Quando colamos ao ecrã, aproveitamos para rever o filme de 1991 e descodificar a versão de Jean Cocteau de 1946. É mais que um filme fiel, é uma longa metragem cheia de mística, que nós espectadores temos o dever de a encontrar.

In Seletiva, Abril 2017


De 16 a 19 de fevereiro de 2017, a 14ª Exposição em Zurique, Swiss Moto transformou em quatro dias, a cidade de Zurique. numa atracção para os fãs da motocicleta suíços. As tendências foram as motos retro, baratas e que fazem tudo com designs futuristas e mais eletrônicos.

 

Este ano houve muito para apreciar e deixar os fãs das duas rodas com a cabeça no ar…ou melhor no motor. Cada marca mostrou as suas novidades pela primeira vez, na Suíca. Mais de 70 mil fãs aderiram sem olhar para trás e enquanto aguardam ansiosamente o início da temporada, deixam-se levar pelos shows especiais e pela atmosfera única nos sete corredores da Swiss Moto. Todos os anos eles têm a possibilidade de ver coisas especiais. A motocicleta, scooter e o a exibição de tuning tornou-se a cada ano, um ponto de partida para a nova temporada de moto.

Andreas Sieber, responsável pela comunicação do evento, refere algumas das preocupações deste grande evento. “A Swiss Moto é mais que uma antiga e fascinante exposição de motos, porque nós investimos muito tempo nestes eventos e nas suas infrastruturas para dar aos nossos visitantes uma experiência única, sublinha. Mas deixa-se levar:“Esta exposição não é nada sem os exibitores. E portanto, isso é nossa primeira preocupação todos os anos: trazê-los todos para Zurique. E isso demora tempo, mas os detalhes é o mais importante”

Pelo alcatifa de Zurique, já passaram nomes como, Tom Lüthi, Dominique Argerter, Jesko Raffin, pilotos da Moto2. Mas há ainda outros nomes gigantes que já deixaram as suas pegadas: Dani Pedrosa e John Mc. O mais veloz dos pilotos dos USA, Rocky Robinson já percorreu os expositores de motos, mas na esperanca fica ainda que Valentino Rossi queira um dia, conhecer o país helvético.

Há momentos engraçados que nunca são apagados da memória e Andreas lembra-se de alguns momentos caricatos. “Há uns anos atrás, tivemos uma tela de cinema de 3D, onde mostrámos o filme ‘Isle of Man TT’. Há uma cena, onde existe uma pequena entrevista ao maior fã de TT. Ele veste sempre um casaco cheio de pins e é realmente uma lenda. Nesse ano, convidámo-lo para o nosso evento. Durante o filme, sempre que havia cenas dele, o filme parava e ele saltava para fora das cortinas. Contou uma história e falou sobre a sua presença no filme. Foi um momento bastante caricato, porque as pessoas não estavam mesmo à espera e ficaram surpreendentemente felizes. Não estavam a acreditar que ele estava mesmo ali.

Os destaques de 2017 foram os novos produtos dos expositores. Este ano, mais de 400 marcas mostraram mais de 1.500 motos, scooters, uma grande variedade de acessórios e roupas e as novas tendências de personalização. Houve espaço para uma exposição especial sobre a Dunlop lendário que nunca antes foi exibido fora do Reino Unido. Este evento traz muitos turistas à cidade. O ano passado atingiu os 74.349 visitantes.

E entre palavras de orgulho, Andreas Sieber deixa escapar: “Nós costumamos dizer que a SWISS-MOTO é como a Suíça, pequena, mas bonita.”

In Seletiva, Março 2017


O amassar da massa. O repouso da levedura. O cheiro contagiante do forno quente. Os passos artesanais de fazer o pão e bolos ainda estão bem vincados em várias zonas. E há quem não troque nada por um belo pão quente, saído do forno de lenha. Mas hoje em dia, são já inúmeras as máquinas que podem facilitar todo este processo.

Vontade e determinação. Chaves que carimbaram sem medo, o sucesso garantido da Rondo. Mas não foram só. Jörg Sonnabend, gestor do marketing da Rondo sublinha outros princípios que levaram ao reconhecimento. “Qualidade, inovação e confiança foram os factores de sucesso para a primeira máquina de estender massa. E continuam a ser o êxito da Rondo, nos dias de hoje. As necessidades e ideias dos clientes são as medidas de qualidade da empresa. Somente quando os clientes estão completamente satisfeitos é que a empresa fica com a ideia de objectivo cumprido. E a qualidade é o resultado natural. A inovação tem um desempenho superior na pesquisa e no desenvolvimento”, refere. Mas deixa-se levar. “Uma extensa equipa de especialistas trabalha continuamente em novos desenvolvimentos e soluções específicas para cada cliente. A empresa realiza testes com ingredientes e processos no seu centro e está envolvida em projectos de investigação de grande alcance no sector do processamento de massa. Os mesmos clientes não beneficiam apenas em termos de engenharia mecânica, mas até no que diz respeito aos processos de tecnologia. A rede de vendas e serviço coesa permite prestar um excelente atendimento ao cliente em todo o mundo”, salienta.


Era uma vez…

No primeiro de Maio de 1948, Gustav A. Seewer fundou uma oficina da engenharia, que deu o nome de ‘Oficina de Design de Burgdorf’. Nos primeiros anos, ele construiu máquinas especiais e tinha também trabalhos de reparação. Mas não demorou muito até que o Sr. Seewer começasse a procurar novos produtos para a sua própria fabricação. Ele começou a desenvolver a sua ‘máquina de estender massa’ , e três anos mais tarde, ele criou o seu design. A história de sucesso continuou e Seewer quis uma empresa que actuasse a nível global. Por isso, várias filiais foram fundadas em todo o mundo. Para obter acesso à crescente panificação industrial Rondo, adquirida no ano 2000, a empresa Doge na Itália e Seewer mudou o nome para Rondo Doge. Desde 2009, todo o grupo opera sob um nome unificado e uma nova imagem de marketing corporativa: Rondo.

Michael Paul Witzak, CEO da Rondo ainda se lembra da visita do sr. Presidente da República Portuguesa. “Foi uma grande honra e um enorme prazer termos sido escolhidos para acolher o presidente Dr. Marcelo Rebelo de Sousa. Ele estava muito interessado e todos demos conta que ele gostou imenso da visita, especialmente dos novos jovens da Rondo, os estagiários. Claro que ele também adorou os pastéis de nata que produzimos na nossa pequena máquina especialmente para ele”, recorda. Mas ainda tem uma opinião sobre os clientes portugueses. “Infelizmente, nós temos visto que a economia portuguesa, tem tido uns anos difíceis, o que origina um baixo consumo e pouca actividade de negócio. No entanto, vimos clientes portugueses a querer expandir o seu negócio com equipamentos de alta qualidade a partir da Rondo. Aqui vemos linhas multi-funcionais para especialidades locais e uma base sólida de máquinas para cortar folhas para padarias mais pequenas. Comparado com o tamanho e a população, eu diria que há algum potencial. Nós temos esperança que a situação económica melhore e que nessa altura, os padeiros estejam preparados para investir mais em equipamentos”,sustenta.

Segundo o CEO, Rondo é uma empresa que opera em todo o mundo. Há mais seis empresas filiais em diferentes países (Rússia, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, EUA, Canadá) e três escritórios (Málaga, Kuala Lumpur, Guanghzhou). Portanto, têm de ser muito reactivos para ter respostas para os colegas. Na Suíça, há a sede com as vendas para exportação, R & D, produção, administração e serviço central. As unidades internas começam entre as 7h00m e 8h00m e terminam o dia entre as 5h00 e 6h00. “Portanto, temos muitos clientes de todo o mundo que visitam nossa padaria de demonstração para desenvolver novos produtos, testar as nossas máquinas ou finalizar um contrato. Portanto, estamos bastante ocupados durante todo o dia” sublinha.

O volume anual de negócios ronda os cerca de 100 milhões de francos suíços. Hoje, a Rondo exporta mais de 95% dos seus equipamentos.

As expectativas para este ano navegam entre dar continuação ao sucesso dos croissants, porque em 2016, a empresa colocou no mercado máquinas inovadoras. Este ano, querem focar-se em novas soluções de produção de pão e outros produtos de pastelaria. Vamos ficar atentos às novidades, disfrutando do cheirinho do pão acabado de sair da máquina.

 In Seletiva, Fevereiro 2017