Assistir a um filme na versão original, num país que não é nosso, é sempre uma aventura. Ainda me recordo das letras, em português, das músicas que embelezaram o filme de 1991. E ouvi-las noutra versão e noutra língua é sempre interessante e encantador.

Do clássico da animação à imagem real. Muitas são as diferenças encontradas, mas a magia e encanto permanecem bem fechados à chave. Esta nova versão modernizou as clássicas personagens para uma público contemporâneo. A música original manteve-se fiel e novas canções surgiram como uma das melhores surpresas na banda sonora. Os efeitos especiais em três dimensões são mágicos e deixam-nos entrar com mais intensidade nas cenas sucessivas deste conto mágico. De relembrar que este conto é sobre Bela (Emma Watson), uma jovem independente, sorridente, que é aprisionada por um monstro (Dan Stevens) no seu castelo. Embora tenha os seus medos, deixa-se levar pela amizade dos empregados do castelo: um candelabro chamado Lumière (Ewan McGregor), o relógio de sala Cogsworth (Ian McKellen), um bule de chá, Mrs. Potts (Emma Thompson), e o seu filho, uma xícara, Chip (Nathan Mack). O dia-a-dia torna-se menos complicado e começa a ser uma vida normal e encantada. Com o passar do tempo, Bela consegue ver para além do terrível exterior do monstro e apaixona-se pelo coração do verdadeiro príncipe que vive dentro dele.

Bill Condon insere uma cena de Paris, de uma forma fascinante e bem integrada, onde Bela regressa ao momento em que nasceu. Ninguém estava à espera, mas ficou bem conseguida. Há interpretações interessantes e dignas de serem destacadas, como é o caso de Audra Mcdonal. Já não aparecia no grande ecrã desde 2004, onde interpretou ‘Ruth’ em The Best Thief in the World. Mas acompanhamo-la sempre em ‘Clínica Privada’. E agora nesta extraordinária fantasia, com uma voz gigante. Foi ainda surpresa, a presença de Gugu Mbatha-Raw, como Plumette. Luke Evans (Gaston) exibe a sua fantástica prestação como actor e deixa-se convencer no mundo da música. Por outro lado, Dan Stevens (o Monstro), deixa os espectadores num impasse. Pode-se até mesmo verificar a falta de algum romantismo, por parte deste. Emma Watson não desilude. Aparece como uma autêntica estrela de musicais e não só. A dança, a voz e a representação fazem-na brilhar com convicção e solidez.

Se rebobirnamos os anos, é de recordar que em abril de 2014, a Walt Disney Pictures confirmou a ideia para o desenvolvimento de uma versão live-action desta história de encantar. Tudo com pernas para andar ao estilo de filmes como Alice no País das Maravilhas (Tim Burton, 2010), Maléfica (Robert Stromberg, 2014), Cinderela (Kenneth Branagh, 2015) ou de O Livro da Selva (Jon Favreau, 2016). Com mais de duas dezenas de registos artísticos, A Bela e o Monstro passou da literatura, para o teatro, para a ópera, para a televisão e para cinema. Uma aventura que sempre marcou sempre presença nas salas de estar de muitas crianças, que brincavam e inventavam a sua história para os seus espectadores. Adaptavam à sua maneira e deixavam escapar uma sorridente gargalhada, quando eram aplaudidos.

São 129 minutos de pura fantasia e aventura. Quando colamos ao ecrã, aproveitamos para rever o filme de 1991 e descodificar a versão de Jean Cocteau de 1946. É mais que um filme fiel, é uma longa metragem cheia de mística, que nós espectadores temos o dever de a encontrar.

In Seletiva, Abril 2017


De 16 a 19 de fevereiro de 2017, a 14ª Exposição em Zurique, Swiss Moto transformou em quatro dias, a cidade de Zurique. numa atracção para os fãs da motocicleta suíços. As tendências foram as motos retro, baratas e que fazem tudo com designs futuristas e mais eletrônicos.

 

Este ano houve muito para apreciar e deixar os fãs das duas rodas com a cabeça no ar…ou melhor no motor. Cada marca mostrou as suas novidades pela primeira vez, na Suíca. Mais de 70 mil fãs aderiram sem olhar para trás e enquanto aguardam ansiosamente o início da temporada, deixam-se levar pelos shows especiais e pela atmosfera única nos sete corredores da Swiss Moto. Todos os anos eles têm a possibilidade de ver coisas especiais. A motocicleta, scooter e o a exibição de tuning tornou-se a cada ano, um ponto de partida para a nova temporada de moto.

Andreas Sieber, responsável pela comunicação do evento, refere algumas das preocupações deste grande evento. “A Swiss Moto é mais que uma antiga e fascinante exposição de motos, porque nós investimos muito tempo nestes eventos e nas suas infrastruturas para dar aos nossos visitantes uma experiência única, sublinha. Mas deixa-se levar:“Esta exposição não é nada sem os exibitores. E portanto, isso é nossa primeira preocupação todos os anos: trazê-los todos para Zurique. E isso demora tempo, mas os detalhes é o mais importante”

Pelo alcatifa de Zurique, já passaram nomes como, Tom Lüthi, Dominique Argerter, Jesko Raffin, pilotos da Moto2. Mas há ainda outros nomes gigantes que já deixaram as suas pegadas: Dani Pedrosa e John Mc. O mais veloz dos pilotos dos USA, Rocky Robinson já percorreu os expositores de motos, mas na esperanca fica ainda que Valentino Rossi queira um dia, conhecer o país helvético.

Há momentos engraçados que nunca são apagados da memória e Andreas lembra-se de alguns momentos caricatos. “Há uns anos atrás, tivemos uma tela de cinema de 3D, onde mostrámos o filme ‘Isle of Man TT’. Há uma cena, onde existe uma pequena entrevista ao maior fã de TT. Ele veste sempre um casaco cheio de pins e é realmente uma lenda. Nesse ano, convidámo-lo para o nosso evento. Durante o filme, sempre que havia cenas dele, o filme parava e ele saltava para fora das cortinas. Contou uma história e falou sobre a sua presença no filme. Foi um momento bastante caricato, porque as pessoas não estavam mesmo à espera e ficaram surpreendentemente felizes. Não estavam a acreditar que ele estava mesmo ali.

Os destaques de 2017 foram os novos produtos dos expositores. Este ano, mais de 400 marcas mostraram mais de 1.500 motos, scooters, uma grande variedade de acessórios e roupas e as novas tendências de personalização. Houve espaço para uma exposição especial sobre a Dunlop lendário que nunca antes foi exibido fora do Reino Unido. Este evento traz muitos turistas à cidade. O ano passado atingiu os 74.349 visitantes.

E entre palavras de orgulho, Andreas Sieber deixa escapar: “Nós costumamos dizer que a SWISS-MOTO é como a Suíça, pequena, mas bonita.”

In Seletiva, Março 2017


O amassar da massa. O repouso da levedura. O cheiro contagiante do forno quente. Os passos artesanais de fazer o pão e bolos ainda estão bem vincados em várias zonas. E há quem não troque nada por um belo pão quente, saído do forno de lenha. Mas hoje em dia, são já inúmeras as máquinas que podem facilitar todo este processo.

Vontade e determinação. Chaves que carimbaram sem medo, o sucesso garantido da Rondo. Mas não foram só. Jörg Sonnabend, gestor do marketing da Rondo sublinha outros princípios que levaram ao reconhecimento. “Qualidade, inovação e confiança foram os factores de sucesso para a primeira máquina de estender massa. E continuam a ser o êxito da Rondo, nos dias de hoje. As necessidades e ideias dos clientes são as medidas de qualidade da empresa. Somente quando os clientes estão completamente satisfeitos é que a empresa fica com a ideia de objectivo cumprido. E a qualidade é o resultado natural. A inovação tem um desempenho superior na pesquisa e no desenvolvimento”, refere. Mas deixa-se levar. “Uma extensa equipa de especialistas trabalha continuamente em novos desenvolvimentos e soluções específicas para cada cliente. A empresa realiza testes com ingredientes e processos no seu centro e está envolvida em projectos de investigação de grande alcance no sector do processamento de massa. Os mesmos clientes não beneficiam apenas em termos de engenharia mecânica, mas até no que diz respeito aos processos de tecnologia. A rede de vendas e serviço coesa permite prestar um excelente atendimento ao cliente em todo o mundo”, salienta.


Era uma vez…

No primeiro de Maio de 1948, Gustav A. Seewer fundou uma oficina da engenharia, que deu o nome de ‘Oficina de Design de Burgdorf’. Nos primeiros anos, ele construiu máquinas especiais e tinha também trabalhos de reparação. Mas não demorou muito até que o Sr. Seewer começasse a procurar novos produtos para a sua própria fabricação. Ele começou a desenvolver a sua ‘máquina de estender massa’ , e três anos mais tarde, ele criou o seu design. A história de sucesso continuou e Seewer quis uma empresa que actuasse a nível global. Por isso, várias filiais foram fundadas em todo o mundo. Para obter acesso à crescente panificação industrial Rondo, adquirida no ano 2000, a empresa Doge na Itália e Seewer mudou o nome para Rondo Doge. Desde 2009, todo o grupo opera sob um nome unificado e uma nova imagem de marketing corporativa: Rondo.

Michael Paul Witzak, CEO da Rondo ainda se lembra da visita do sr. Presidente da República Portuguesa. “Foi uma grande honra e um enorme prazer termos sido escolhidos para acolher o presidente Dr. Marcelo Rebelo de Sousa. Ele estava muito interessado e todos demos conta que ele gostou imenso da visita, especialmente dos novos jovens da Rondo, os estagiários. Claro que ele também adorou os pastéis de nata que produzimos na nossa pequena máquina especialmente para ele”, recorda. Mas ainda tem uma opinião sobre os clientes portugueses. “Infelizmente, nós temos visto que a economia portuguesa, tem tido uns anos difíceis, o que origina um baixo consumo e pouca actividade de negócio. No entanto, vimos clientes portugueses a querer expandir o seu negócio com equipamentos de alta qualidade a partir da Rondo. Aqui vemos linhas multi-funcionais para especialidades locais e uma base sólida de máquinas para cortar folhas para padarias mais pequenas. Comparado com o tamanho e a população, eu diria que há algum potencial. Nós temos esperança que a situação económica melhore e que nessa altura, os padeiros estejam preparados para investir mais em equipamentos”,sustenta.

Segundo o CEO, Rondo é uma empresa que opera em todo o mundo. Há mais seis empresas filiais em diferentes países (Rússia, Alemanha, França, Reino Unido, Itália, EUA, Canadá) e três escritórios (Málaga, Kuala Lumpur, Guanghzhou). Portanto, têm de ser muito reactivos para ter respostas para os colegas. Na Suíça, há a sede com as vendas para exportação, R & D, produção, administração e serviço central. As unidades internas começam entre as 7h00m e 8h00m e terminam o dia entre as 5h00 e 6h00. “Portanto, temos muitos clientes de todo o mundo que visitam nossa padaria de demonstração para desenvolver novos produtos, testar as nossas máquinas ou finalizar um contrato. Portanto, estamos bastante ocupados durante todo o dia” sublinha.

O volume anual de negócios ronda os cerca de 100 milhões de francos suíços. Hoje, a Rondo exporta mais de 95% dos seus equipamentos.

As expectativas para este ano navegam entre dar continuação ao sucesso dos croissants, porque em 2016, a empresa colocou no mercado máquinas inovadoras. Este ano, querem focar-se em novas soluções de produção de pão e outros produtos de pastelaria. Vamos ficar atentos às novidades, disfrutando do cheirinho do pão acabado de sair da máquina.

 In Seletiva, Fevereiro 2017

 

 


Com o passar dos anos, a neve teima em chegar cada vez mais tarde. Por isso, a Selectiva foi descobrir diferentes alternativas ao ski e ao snowboard, enquanto se espera pelas melhores condições das pistas.

Em Saas Fee, uma vila nos Alpes, perto da zona italiana podemos experimentar a escalada no gelo. Esta zona é conhecida pelo ‘Mittelallalin Ice Pavilion’: uma gruta congelada dentro do glaciar. O guia de montanha Peter Novotny explica que não é assim tão fácil aprender e nem todos conseguem escalar no gelo. “Há apenas uma mão de novos alunos de escalada no gelo que recebemos a cada Inverno. Infelizmente, não é tão popular. Principalmente, porque os novatos não conseguem acreditar que no início devem colocar a sua ferramenta de gelo, apenas a um centímetro no gelo para ser seguro.” Mas vai mais longe. “Outro desafio muito grande é: como saber qual é o gelo seguro para escalar e quais não são os apropriados. O gelo pode ir de frágil para lamacenta num dia. Um bom escalador deve ser capaz de subir bem em qualquer tipo de gelo. Precisa-se de um bom conhecimento sobre o clima, as condições do gelo, avalanches, equipamentos, técnicas, métodos, etc”, salienta.

eisklettern-saas-grund-032É mais que uma magia. Ocupa-se as florestas e as montanhas, rodeadas pela beleza e silêncio. A neve cai, mesmo devagarinho e cobre a paisagem. A luz do sol ainda brilha, fora da superfície. Tudo isto torna a experiência muito especial. Os desafios psicológicos e físicos combinados com a incrível beleza do mundo natural são os maiores factores para os escaladores de gelo vertical. “A escalada no gelo é uma das aventuras mais emocionantes que o Inverno tem para oferecer. Experimente uma descarga de adrenalina ao escalar verticalmente, desfrutando de uma aventura cujo risco é difícil de determinar e calcular. É mais que surreal”, realça. Mas deixa-se levar. “O desporto requer temperaturas correctas abaixo de 0 ° C para as cascatas congelaram. Os longos períodos frios são necessários para o gelo crescer de forma espessa e sólida o suficiente para a escalada de segurança. Estes factos nem sempre são fáceis de encontrar para muitos de nós. Como tudo na vida, os primeiros passos requerem paciência. A escalada no gelo é reservada para os que têm a experiência, habilidade e compromisso com as forças elementares da natureza. O aluno precisa de vontade, perseverança, motivação e entusiasmo para aprender”, sublinha o guia.

No vale de Engadine, St. Moritz já recebeu os Jogos Olímpicos de Inverno duas vezes, tem o Cresta Run, o campeonato mundial bobsleigh feito de gelo natural, e ao ar livre tem a pista de gelo olímpica. O lago congelado hospeda polo e até mesmo corridas de cavalos no gelo. E a Seletiva foi descobrir melhor o Bobsleigh. No fundo é um desporto de Inverno em que as equipas de dois ou quatro elementos fazem corridas cronometradas estreitas, torcendo, coladas, por trilhas geladas num trenó movido a gravidade. Normalmente, este desporto começa-se numa escola ou entra-se em contato com uma federação. Em geral começa-se com passeios de trilha e aulas teóricas para preparar as primeiras corridas. No início não se pode deslizar do topo. Tem de se começar a partir de pontos de partida mais baixos para permitir uma boa adaptação para a pista. Alexandra Kolb, representante do Olympia Bob Run disponibilizou-se a explicar um pouco desta aventura. “Na volta dos principantes, num slide bob há sempre dois elementos com um piloto e uma ‘breakman’ do nosso lado. Se você quiser realmente praticar bobsleigh há um grande número de componentes: em primeiro lugar, precisa-se ser um bom corredor (a ser quase ao toque), segundo é preciso ser forte (porque um bob é pesado), em terceiro lugar precisa-se de espírito de equipa (senta-se com três pessoas num bob e têm que empurrar juntos, e mas não menos importante, é necessário boas habilidades de condução”, salienta. Mas acrescenta: “Na minha opinião, acho que não é fácil de explicar o que é mais difícil é de aprender. Depende da pessoa. Por exemplo para mim (no esqueleto), o impulso é o mais difícil, porque eu não nasci com músculos que reagem rapidamente. A partir do final de dezembro até o início de março temos disponíveis estes passeios de hóspedes diariamente. Os números variam todos os dias. Diria que nós temos entre 20 e 120 pessoas por dia. Por isso propomos escolas Monobob e Bobsleigh. Um monte de pessoas estão interessadas em Monobob (é mais fácil, pode-se fazer sozinho). Na escola, bobsleigh é um pouco menos interessante pois é mais difícil e precisa de mais dias.”

E em pequenas palavras Alexandra define este desporto como: “Para mim, bobsleigh é a fórmula 1 do Inverno.”

No centro da economia suíça, mais propriamente em Zurique, por entre as ruas pitorescas do centro da cidade velha, em ambos os lados do rio Limmat, onde se reflecte a história pré-medieval, há patinagem no gelo por descobrir. Viviane Ruber tem muito orgulho das suas meninas. “Na pista de gelo, normalmente temos 36 crianças entre os 6 e os 14 anos de idade. A patinagem é fácil de aprender e não é perigoso. É saudável, porque é fora de portas na natureza. Há uma equipa de 8 a 12 meninas com música e com uma coreografia.” Dançar ao sabor do gelo e com um brilho nos olhos. “A magia é patinar numa pista ao ar livre na fronteira da cidade de Zurique, vendo as árvores do bosque. A árvore de Natal iluminada, patinar numa equipa com música e apresentando ou competir. As meninas apreciam os belos vestidos que usam para a apresentação e a competição”, acrescenta Viviane, encantada.

Na zona da Berner Oberland, em Interlaken há caminhos a descobrir nas quatro rodas e a todo o terreno. E como acompanhamento há fondue para provar no final da rota. Na Daniels Funrental a diversão não termina, nem mesmo com o pôr do sol. Nos passeios de quatro rodas Descobrimos locais isolados com vistas inesquecíveis que só podem ser alcançados com o quadriciclo. Durante o percurso passamos por neve compacta, estradas cobertas de neve. Um desafio constante. No topo, temos uma pausa e é obrigatório provar a tradicional raclete ou o fondue. 

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Agora é Inverno, e no mundo, uma só cor. E como já dizia Wiliam Blake: “Em tempo de semear, aprenda. Em colheita, ensine. Em Inverno, desfrute.”


blindekuh_basel_-27-4c2f178eEntrar. Jantar ou almoçar. Beber um copo de vinho. Sentar-se. Conversar. Até aqui, tudo parece normal num restaurante. Mas e se, quando entrar, a luz estiver apagada e tiver que fazer tudo num escuro profundo?

A primeira coisa é deixar o telemóvel, o relógio iluminado e os casacos no cacifo da entrada. Entramos num pequeno comboio, se formos um grupo, liderado pela pessoa que nos servirá durante a refeição. Somos pegados pela mão e deixados atrás da cadeira que nos vai acompanhar durante uns momentos. Sentamo-nos sozinhos. Somos um pequeno grupo com reserva marcada e menu já escolhido. Mas quando se trata de um casal ou família que apareça espontaneamente, pouco também muda, segundo Simone Schmieder, responsável pela comunicação do Blindekuh de Basel. ” Depois de deixarem os seus pertences à entrada, os convidados selecionam o menu na recepção (o menu é mostrado no monitor). Claro que também é possível selecionar o menu com antecedência no nosso website. É claro que os desejos em relação aos alimentos sem glúten ou sem lactose podem ser concretizados. Minutos mais tarde são conduzidos por uma pessoa cega na sala de jantar e acompanhados para a mesa. Após o jantar, o pagamento é feito na recepção”, esclarece.

Abra a boca e feche os olhos. Imagine provar um menu que apenas viu na carta. Sentir os aromas, texturas, temperaturas, sabores. Agora abra os olhos. O escuro permanence. Este é o princípio de um jogo de sensações. Cabe a si deixar os seus sentidos adivinharem, sentirem e degustarem um jantar com um menu secreto, onde a visão não está na ementa.

Começa o jogo do advinha. São vegetais. Tem cenoura? Courgete de certeza. Há uma couve estranha. Será repolho? Os palpites não terminam. Mas o sabor é uma perdição.

Servir às escuras. Deitar vinho ou água num copo sem qualquer luz. Não são tarefas fáceis, sem uma única vela. Se quiser ir à casa-de-banho aqui tem de chamar o empregado de serviço para o acompanhar. 

O conceito deste restaurante é muito peculiar. ” Aqui, o cliente entra numa viagem no nosso mundo da escuridão: experimenta sabores, cheiros, sons e outras sensações num novo conceito de luz. A ideia não se baseia apenas no entretenimento, mas dar a oportunidade a quem vê sem qualquer problema, de se pôr na pele de quem não pode ver”, revela Simone. Mas vai mais longe: ” Jantar aqui é um movimento de sentidos. Nem os olhos vão ficar de fora. Venha conferir. A nossa equipa de cozinha é bastante criativa e vai sempre conjugar delicías no prato, que não é necessário ver para acreditar: fresco e sempre uma surpresa.”

Há eventos por descobrir, como a noite de Gospel ou até mesmo cursos de servir no escuro.

Os clientes ficam sempre encantados com a experiência. “Os feedbacks são positivos. Temos sempre alguém que nos diz, que foi dificil juntar a boca ao garfo, mas que não se come com os olhos e que é uma experiência única”, refere o responsável de comunicação.

O Blindekuh é mais que um restaurante. Nas palavras de Simone, Blindekuh é um dos maiores empregadores do sector privado, para trabalhadores com visão debilitada.” Nos nossos restaurantes e nas actividades culturais, nós criamos empregos valiosos que permitem a interacção entre pessoas visentes e deficientea visuais. E abrimos novas prespectivas para jovens e idosos. Os nossos negócios são patrocinados pela Fundação Blind-Liecht”, sublinha.

A fundação beneficente Blind-Liecht Foundation promove o diálogo e compreensão mútua entre as pessoas visentes e aqueles com visão prejudicada. Para isso, desenvolve e apoia projectos que criam empregos para cegos e deficientes visuais. A Fundação Blind-Liecht é um dos principais empregadores da Suíça para esta parte da população.
O mais importante projecto iniciado pela Fundação é o popular restaurante blindekuh no escuro, com sucursais em Zurique e Basel. A Fundação foi homenageada com inúmeros prémios internacionais por este conceito inovador.


E já há uns largos anos, Thaís Moraes revelou sem receios que ,”a verdadeira deficiência é aquela que prende o ser humano por dentro e não por fora, pois até os incapacitados de andar podem ser livres para voar.”

In Seletiva Outubro 2016


dsc00068-2 dsc00091 dsc00115-3Ascona recebe mais um festival da castanha. Promete muita animação e um ambiente viciante. No dia 1 de Outubro, Ascona tem outro sabor. E no dia 8 recorda esse cheiro. É época do festival da castanha. O festival da castanha começou em 1988, no mesmo ano que foi fundada a Associação de Eventos de Ascona. Este evento foi o primeiro a ser organizado pela mesma. ‘Foi a melhor maneira que encontrámos para mostrar à população de Ascona, do que seríamos capazes de fazer.’

“O festival é sempre realizado no primeiro e segundo fim-de-semana de Outubro. Todos os anos recebemos entre 6000 e 8000 visitantes em cada sábado. Vêm da Alemanha, da Áustria, da Itália e de toda a Suíça”, conta a representante da Associação de Eventos, M.T.

As castanhas são a principal atracção do festival. Mas há um mercado com mais de 100 expositores para os visitantes descobrirem. Pequenas barracas com peças de artesanato distintas, prontas a serem levadas pelos mais atentos. Os preços são mais que acessíveis e são peças realmente fascinantes. Há concertos das 11h00m até as 18h00m por todo o lado. Ouve-se jazz e anima-se com o folk. O cheiro a castanha assada sente-se a cada passo. Em cada dia conseguem vender normalmente cerca de 2.000 quilos de castanhas. Há doce de castanha para saborear, licor de castanha e muito mais iguarias com este sabor. Há sempre espaço no estômago para mais uma castanha. Pelo menos num dos sábados há a visita da delegação do museu dos ‘limpa chaminés’ de Santa Maria Maggiore para lembrar a exploração do trabalho infantil nesta região. Em tempos antigos, durante o Inverno, muitos rapazes tiveram de deixar as suas casas para trabalhar como ‘limpa chaminés’ em grandes cidades da Europa.

Um pouco de história

Os castanheiros, originários da Ásia Menor foram introduzidos pelos romanos. A evidência do seu cultivo pelo homem foi encontrado por volta do ano 2000 aC. Pode-se encontrá-los no sul dos Alpes a uma altitude de entre 200 e 1000 metros acima do mar. Eles podem atingir uma altura de 25-30 metros e superar mil anos. A área de floresta de Ticino é de cerca de 26 000 hectares. Em tempos antigos, grandes áreas, conhecidas como Sally, foram cultivadas para os castanheiros,para a produção de serapilheira e de pastagem. A colheita da castanha está reservada para o proprietário até uma determinada data, mas varia dependendo da região.

No passado, a castanha era bastante importante no quotidiano da população, uma vez que o alimento durava pelo menos 6 meses. Não menos importante, por essa razão, a castanha é assim chamado “árvore de pão”

Oriundos da castanha temos diversos produtos como farinha, pão, massas, bolos, compotas, cerveja, gelado, iogurte, castanha assada, castanha cozido com natas batidas, ou como no acompanhamento de pratos de caça.

O convite está feito, agora basta apenas marcar presença num dos maiores festivais de outono da suíça. É tempo de celebrar o sao martinho com castanhas e bom vinho.

In Seletiva, Outubro 2016


alpabfahrtÉ Setembro e a época das folhas secas começa a chegar. O verde passa a laranja. O amarelo a castanho. Outono signfica cores diferentes, mas não só.Nas ruas, ainda vimos em pequenos grupos, jovens com um chapéu verde com uma pena clara. Vieram do campo. É tempo de caça e nota-se algumas diferenças nas ementas e mercados suíços. Há espaço para a couve roxa, para o spätzle, cogumelos selvagens, castanhas e até mesmo de abóboras. Em cima da mesa há carne de veado, javali, lebre, galinha selvagem para degustar e saborear, acompanhado com uma bela garrafa de vinho de Syrah. À sobremesa não podemos perder uma bela taça de vermicelles, que deixa os fãs de castanha, encantados.

Ao café podemos provar o creme de cassis que é um licor feito a partir de groselhas, que cai sempre bem ao final da refeição.

Na Suíça, é altura também de eventos tradicionais e não só.

INTERLAKEN, 12SEP15 - Imposante Bergkulisse: Impression vom alpinen Streckenteil des 23. Jungfrau Marathon mit  Eiger, Moench und Jungfrau am 12. September 2015. Impression of the 23rd Jungfrau Marathon in Interlaken, Switzerland, on Saturday, September12, 2015.  swiss-image.ch/Photo Michael Buholzer

De 9 a 10 de Setembro na zona de Berner Oberland, por exemplo, é um fim-de-semana de desporto. A Jungfrau Maratona é a mais bonita do mundo- apresenta um cenário fantástico de montanhas e uma excelente mudança de vista entre o ponto de partida e a meta. Sandra Gasser, a secretária do evento revela algumas curiosidades. “A diferença de altitude de 1829 metros é um desafio para todos. Não há nenhuma maratona na Europa, com as grandes dimensões que esta tem. Eiger, Mönch e Jungfrau são das mais famosas montanhas dos Alpes e são o cenário desta corrida.A maratona começa em Interlaken a 566 metros a cima do mar e termina em Kleine Scheidegg a 2100 metros. É necessário estar em forma e a resistência é fundamental”, explica. É um percurso cheio de vida e natureza. Passa-se por Wilderswil, Zweilutschinen, Lauterbrunnen e Wengen. Sobe-se bastante e a altitude não pára de aumentar. Durante o percurso há pontos onde há pequenos snacks, água e não só. As montanhas estão sempre a apoiar. O Eiger dá muito incentivo, o Mönch hidrata a vista e o Jungfrau aplaude cada passo. Stef van Megan correu a primeira maratona em 2000. Este ano irá completar a sua 10. É uma prova dura mas muito gratifante. ” É preciso estar-se preparado e treinar bastante. Mas não apenas o treino normal para uma corrida. Temos de treinar mais, porque usamos muitos músculos diferentes. Basicamente é uma corrida em modo hiking”, refere. Mas vai mais longe. ” Se não tiver treino, não experimente. A segunda parte, de Lauterbrunnen para cima, todos estamos aptos a fazer. Mas depois os 26 km é totalmente diferente. Pode-se ter graves problemas sem estarmos treinados,” desabafa.

Mountain Festival (2)Festival de Montanha NorthFace

Desconectar do quotidiano e deixar a rotina para trás é o desafio do Festival North Face em Lauterbrunnen. O cenário natural, ao ar livre, com montanhas a cobrir as 24 horas são tudo factores que preenchem esta aventura. De 16 a 18 de Setembro em Lauterbrunnen há tempo e espaço para todas as adrenalinas. Desde caminhar pelas montanhas, escalar, ou até mesmo aprender a culinária gourmet em volta da fogueira ao pôr-do-sol, as experiências não vão faltar.

O responsável pelo marketing do festival, Anders Ollgaard desvenda alguns dos desafios. “O festival é projetacdo para deixar os atletas com todas as habilidades e conhecimentos necessários para se tornar a aventureiro ávido, com guias especializados de montanha oferecendo oficinas ‘basecamp’ e palestras incluindo histórias inspiradoras de exploração, cinema ao ar livre épico, fotografia de aventura e um pack de expedição.” Mas acrescenta: “Para os mais audaciosos há a oportunidade de experimentar parapente ou rafting, e até mesmo tentar chegar ao cume do Eiger ao lado de um dos atletas. Isto realmente vai ser uma aventura para recordar.”

Ao cair da noite, os festivaleiros serão capaz de comer e dançar sob as estrelas com um pouco de música imperdível ao vivo. Como todos os bons festivais, há a chance de entrar completamente no modo ‘zen’ e recuperar forças no spa in-floresta, oferecendo uma gama de actividades de relaxamento. Este evento vai deixar todos os músculos cansados, os espíritos iluminados e o coração vai chegar bem cheio a casa.

Mais informações: http://www.thenorthface.nl

Alpabfahrt St. Sephan

No segundo sábado de Setembro é dia da descida tradicional alpina em St. Stephan, mais conhecida por ‘Alpabfahrt’. A organização do turismo convida a assistir à 32 edição no dia 10. É um dos eventos mais antigos de toda a Suíça. Monika Hänni gestora de eventos do turismo de St. Sephan Semmental explica um pouco sobre o este evento. “No sábado, 10 setembro, 2016, o vacas dos vários habitantes em Dürrenwald são decoradas com flores e acessórios. São esperadas no recinto e aguarda-as um imenso número de espectadores que chegam de longe e de perto. Há mesmo quem venha dos USA e do Canadá. Costumamos ter cerca de 1000 visitantes neste dia. Este cortejo animado e recheado de cores é a melhor forma que os residentes da zona encontram de encerrar o Verão nos alpes.” Na rua há pequenas barracas para todos os gostos. Há quem venda produtos locais, peças de artesanato e há espaço para a produção de queijos. O espaço para a gastronomia está reservado e há várias iguarias a experimentar.

DSC03508 (2)Chästeilet Justital

Como todos os anos, no dia 16 realiza-se o famoso Chästeilet Justital. O queijo de vários Alpes, que todo o Verão ,que os agricultores possuem é dividido neste dia tradicionalmente entre os camponeses. A divisão começa cerca de 11h00m. Após este processo, o queijo é provado, bebe-se vinho e o convivío entre todos é de destacar. Os sons do acordeão suíço ouve-se por todo o lado. Também há ainda uma grande tenda que está montada e que o convida a relaxar. Depois do almoço, cerca das 14h00 é hora da ‘alpabzug’ onde muitos visitantes aparecem para cumprimentar os trabalhadores que estiveram nas montanhas, o verão todo. O desfile das vacas toma a direcção de Sigriswil e todos acompanham. O ponto de chegada está cheio de boa disposição e muitos visitantes curiosos. É um dia diferente com uma saudação ao Outono.

O aroma das tipícas salsichas no grelhador e o cheiro dos petiscos de queijo estão por todo o lado. Cerveja e vinho não falta. E quando os familiares e amigos que estiveram os quatro meses de Verão a trabalhar nos Alpes chegam à vila é hora de brindar ao seu regresso e à chegada do Outono.

In Seletiva, Setembro 2016